Kyte olha para pequenos varejistas e quer trazer para o Brasil o Novo Varejo chinês

O CEO da Nextar explica que está criando soluções para cuidar justamente desse ecossistema – aqui no Brasil, cujo talvez um dos maiores marcos culturais seja a figura do pequeno varejista

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Por Lucas Bicudo

8 de agosto de 2018 às 13:20 - Atualizado há 2 anos

varejo

A NEXTAR é uma startup brasileira especializada na gestão do pequeno varejista. Quando discutimos o Novo Varejo chinês, falamos principalmente sobre o cuidado com a experiência e gerenciamento desses pequenos varejistas com e para seus clientes.

Esses talvez sejam a força vital de muitas comunidades. Comércio local. A maioria são empresas familiares, com proprietários que administram seus negócios baseados em intuição. Na China, a Alibaba criou o Ling Shou Tong (LST), um aplicativo personalizado para digitalizar o gerenciamento de estoque de cada loja. Isso permite que os proprietários saibam o que precisam pedir, quanto e quando. A empresa também vinculou esses negócios a um sistema central de armazenamento e logística.

O CEO da Nextar (responsável pelo Kyte), Guilherme Hernandez, explica que está criando soluções para cuidar justamente desse ecossistema, – aqui no Brasil, cujo talvez um dos maiores marcos culturais seja a figura do pequeno varejista, presente a cada esquina de todos os bairros de nossas cidades – e não exatamente replicando o modelo chinês, o qual teve a oportunidade de ver de perto e tirar algumas boas impressões:

“A sensação foi a de conhecer o futuro do varejo. A experiência de pagar pelo celular realmente é muito melhor. É mais fácil e, portanto, a gente gasta mais. Sentar no restaurante, abrir o cardápio e fazer o pedido pelo celular é uma baita experiência. Ver toda a oferta de serviços disponíveis em um único app, como o WeChat, também é inspirador. Por seu vasto mercado doméstico, é como se eles olhassem para ‘fora no mundo’ para se inspirar no que é bom, mas então, focam em criar, com muita competência, sua própria versão de realidade”.

Esse varejo do futuro que Guilherme menciona é o Novo Varejo chinês. Esse modelo combina elementos de varejo offline e online, tornando-os um todo integral. Trata-se da ligação entre comércio eletrônico, varejo físico e logística, a fim de melhorar a eficiência de vendas e compras, bem como melhorar a experiência do usuário. A China está liderando essa revolução, graças à sua forte base de consumidores, aumentando o poder de compra, a preferência por novas experiências e o amplo uso do pagamento móvel.

Sobre o assunto, ele comenta: “É o começo de um processo. Existem diferentes experiências de compra na China, conforme a loja, a rede e o tipo de comércio. O que está sim absolutamente concretizado como experiência é o pagamento pelo celular. Desde fazer uma doação para um artista de rua, até comprar um carro. O WeChat e AliPay são aceitos em todo lugar. No entorno disto, percebe-se que estes aplicativos abrem um canal interessante de relacionamento entre lojista e consumidores. Em várias lojas, por exemplo, após você pagar a compra com o celular você recebe uma comunicação agradecendo, com um cupom de desconto. E então é como se você passasse a ‘seguir’ aquela loja e receber novidades”.

Uma questão veio à cabeça. O que Guilherme acreditava terem sidos os fatores que levaram esse modelo a florescer em solo chinês – e não aqui no Brasil, por exemplo?

“Parece ser uma combinação de fatores. Algumas coisas nos chamaram mais a atenção: o cartão de crédito é basicamente inexistente na China. As pessoas tinham que carregar muito dinheiro para pequenas compras. Havia uma demanda muito grande para um meio de pagamento mais eficiente e mais cômodo para os consumidores. Somado a isso, marcas chinesas de smartphones, como Xiaomi e Huawei, oferecem modelos bons e baratos, que rapidamente passaram a estar nas mãos de todos, consumidores e lojistas. Por fim, o cara certo na hora certa. A Alibaba cresceu exponencialmente na primeira década dos anos 2000 oferecendo muitas facilidades para os e-commerce, sendo uma delas a ferramenta de pagamento online. Quando criaram a solução para pagamento pelo celular, via QR code, que resolvia um problema real das transações do varejo físico, era muito mais fácil para as lojas “baixarem um app”, do que fazer contratos com adquirentes, maquininhas”.

Para dar sequência, o momento do Brasil, na opinião do CEO, assim como quase de todo o Ocidente, não apresenta tanta força nesse modelo pela presença ainda maciça do cartão de crédito. O que ele chama de “guerra das moderninhas” invadiu o nosso varejo. Entretanto, ele acredita ser uma questão de tempo. “O mesmo ganho que se tem em agilidade de pagamento do dinheiro para o cartão, se tem do cartão para o celular. É ainda mais fácil gastar assim”.

O sistema LST da Alibaba pode ajudar o proprietário de uma loja de varejo física a medir a demografia e os comportamentos de compra de clientes próximos e, em seguida, prever e recomendar os produtos mais solicitados para vendas nessa loja. Sua tecnologia pode ser usada para merchandising, gerenciamento de estoque e logística para melhorar suas operações comerciais.

“Nosso foco é cuidar de todo o restante, começando com a ferramenta de gestão do lado do lojista, para que ele se relacione melhor com seus clientes. Esse é o nosso principal negócio atualmente”, diz.

Para fortalecer o ecossistema, a Nextar foca no desenvolvimento em 3 frentes:

  • Gestão: o Kyte será um sistema de gestão completo, funcionando on e offline, com todos os recursos básicos para a gestão de um comércio no mundo atual, colocando o smartphone no centro de tudo.
  • Catálogo, Pedido e Pagamento online: a startup está começando com o catálogo online, que será lançando no próximo mês e dará a possibilidade dos clientes do Kyte compartilharem um catálogo com seus clientes através de um link, que pode ser enviado pelo WhatsApp, SMS ou e-mail. O próximo passo é permitir a finalização da compra, através de um pedido e pagamento online. Isso abre um novo canal de vendas para os clientes Kyte.
  • Relacionamento e Marketing direto: com ferramentas de feedback, cupons e cashback, a Nextar acredita que entrega muito mais poder aos clientes do Kyte.

“Nós atendemos o pequeno varejista há mais de 17 anos. O Programa NEX, nosso principal produto atualmente, é utilizado por mais de 50 mil pequenas lojas no Brasil (e algumas no mundo). Nós conhecemos profundamente este público. Sabemos criar um sistema que seja ao mesmo tempo completo o suficiente para atender as principais necessidades deles, mas fácil de implantar e usar, adequado a realidade de uma pequena loja. Sabemos também chegar até eles, vender nosso produto e prestar um excelente atendimento. Tudo isso remotamente, online, o que possibilita cobrarmos um preço baixo para nossas soluções e ganhar na escala”, comenta.

Questionado sobre como atender com eficiência o pequeno varejista, Guilherme afirma: “Oferecendo vantagens, através das próprias lojas. Nosso foco é resolver as dores do que chamamos de “a loja da esquina”, ou seja, qualquer lojinha de bairro que todos nós conhecemos. Essas lojas desejam se aproximar dos seus clientes. Eles querem oferecer descontos, contar as novidades e facilitar o processo de compra. Nós acreditamos que com o Kyte na mão destas lojas, conseguiremos ser uma ferramenta poderosa para elas se aproximarem de seus clientes, enviando cupons de desconto para a próxima compra, por exemplo. Os consumidores não precisarão baixar um aplicativo e nem mesmo conhecer o Kyte para o utilizarem e receberem os benefícios. Eles estarão no Novo Varejo conforme os estabelecimentos que eles frequentam no dia-a-dia oferecerem vantagens e facilidades”.

Por fim, ele conclui que não é necessária uma mudança de comportamento do consumidor final. Na verdade, é proporcionar o comportamento que ele já está acostumado em tantas outras áreas da sua vida, para a realidade de consumo em lojas físicas. O consumidor já está acostumado a fazer tudo pelo celular. “Acreditamos que se criarmos as ferramentas certas da forma certa, será um processo absolutamente natural”, finaliza.

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