Centenas de vezes Baidu: a história de persistência do 2º maior mecanismo de busca do mundo

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Por Lucas Bicudo

16 de agosto de 2018 às 19:38 - Atualizado há 2 anos

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Baidu, cujo significado literal pode ser traduzido como “centenas de vezes”, representa uma busca persistente pelo ideal. Quando algumas ideias são eclipsadas por conceitos novos ou mais populares, muitas pessoas as abandonam e começam a trabalhar em algo novo. A história do Baidu é diferente. A história do Baidu remonta a uma época em que o Google ainda estava em desenvolvimento.

Em 1994, Robin Li, trabalhando para a Down Jones and Company, começou a pesquisar algoritmos para mecanismos de busca. Ele desenvolveu o RankDex em 1996, um algoritmo que classificava páginas da web. Na mesma época, Sergey Brin e Larry Page começaram a desenvolver um tipo semelhante de algoritmo chamado PageRank, que seria usado posteriormente no Google.

Depois de trabalhar para a Infoseek por alguns anos, Robin Li se mudou para a China em 1999 para lançar o Baidu. Naquela época, o uso da Internet estava apenas começando e era uma terra de enormes possibilidades. O Baidu começou como um serviço de pesquisa paga para grandes corporações. Depois de um ano, Robin Li descartou essa ideia e lançou o Baidu como um serviço independente.

Foi durante esse tempo que Li e sua equipe trabalharam duro para melhorar o Baidu. Inúmeras horas extras e, em um período de apenas um ano, o índice de páginas pesquisáveis atingia quase o dobro do tamanho de seu concorrente mais próximo na China.

O Baidu continuou a dominar e até hoje continua sendo o portal de busca número um da China. Quando deu entrada em seu IPO, em 2005, as ações encerraram o dia de abertura com um retorno de 354%. A empresa oferece vários serviços de Internet, desde pesquisa, até armazenamento em nuvem, navegadores da Web, marketing e publicidade online. Incipientemente famoso, aqui no Ocidente, pela alcunha de “Google da China”, o Baidu é o segundo maior mecanismo de pesquisa independente do mundo.

O crescimento do Baidu pode ser atribuído à visão e dedicação do seu fundador Robin Li. Quando seu algoritmo RankDex foi ofuscado pelo Google, ele não observou silenciosamente suas ideias caírem no esquecimento. Em vez disso, ele seguiu em frente e lançou seu próprio negócio na China – hoje o sucesso do Baidu é esmagador.

Robin Li

A empresa tem sua parcela de críticas, no entanto. O Baidu foi acusado de censura e de promover downloads ilegais de música. Sua imagem pública sempre sofreu porque os resultados da pesquisa seriam inundados com anúncios patrocinados, dificultando a identificação de resultados de pesquisa orgânica pelos usuários.

O Baidu está tomando medidas para tornar a experiência mais centrada no usuário – uma maneira melhor de exibir anúncios, semelhante à forma como o Google exibe seus anúncios patrocinados. Como Baidu começa a reformular suas estratégias para melhorar a sua imagem, a história de sucesso diz que o primeiro passo para alcançar seus sonhos é nunca desistir deles.

Basicamente, estamos falando de um mecanismo de pesquisa que vasculha a web em busca de conteúdo. No entanto, o Baidu é extremamente popular por suas capacidades de pesquisa em MP3, bem como por filmes e pesquisas em dispositivos móveis (é o primeiro mecanismo de busca na China a oferecer busca móvel). Além disso, o Baidu oferece uma ampla gama de produtos relacionados a pesquisa, como mapas, busca de livros, pesquisa de blogs, pesquisa de patentes, uma enciclopédia, entretenimento móvel, dicionário Baidu, uma plataforma antivírus e muito mais.

Passado e Online Marketing

Dos US$ 7,906 bilhões em receitas no ano de 2014, US$ 7,816 bilhões podem ser atribuídos aos serviços de marketing online do Baidu, enquanto outras receitas abrangem apenas US$ 89,8 milhões. Isso é 98,9% das receitas provenientes de serviços de marketing online. A forma como ganha dinheiro com esses serviços é por meio da plataforma de pagamento por desempenho (P4P), que utiliza a tecnologia PPC (pagamento por clique).

P4P

O sistema P4P do Baidu é um sistema de leilões que permite que seus clientes façam lances para o posicionamento prioritário de links de anúncios, em busca de palavras-chave específicas dos usuários da plataforma. O Baidu usa um Índice de classificação abrangente (CRI), que dá prioridade ao posicionamento de links com base nos preços de lance dos clientes e nas pontuações de qualidade de seus links.

Para determinar o índice de qualidade de um link, o sistema começa ponderando a relevância do link em relação à consulta de pesquisa de um usuário. A relevância de um link específico é determinada pela pesquisa anterior e pelas taxas de cliques. A taxa de cliques é o número de vezes que um link patrocinado foi clicado. Dado que o CRI é calculado como o preço de oferta multiplicado pelo índice de qualidade, quanto maior a pontuação de lance ou qualidade, maior a classificação alcançada para um link específico. Um ranking mais alto resulta em melhor posicionamento para um link a um custo menor.

PPC

O preço de licitação não é necessariamente o preço real que será cobrado pela colocação prioritária e, como um sistema de PPC, uma taxa só será aplicada quando um link for clicado. Em outras palavras, um cliente só paga ao Baidu pela veiculação de seu anúncio quando ele é clicado pelos usuários do mecanismo de pesquisa. O total de cobranças será calculado como o custo por clique multiplicado pelo número de cliques.

Embora tenha o potencial de resultar em cobranças altas devido a cliques fraudulentos, o Baidu emprega uma proteção que monitora padrões de cliques e de data e hora para detectar esse comportamento e reter cobranças relacionadas. Assim, somente os cliques de usuários legítimos de mecanismos de pesquisa serão cobrados de uma conta de cliente.

Como os serviços de marketing online eram a principal fonte de receita do Baidu, é importante entender os principais fatores que impulsionam essas receitas, como quantidade total de usuários e clientes, a quantidade total de consultas de pesquisa iniciadas nas propriedades da web do Baidu e de seus membros, a taxa de cliques nos links patrocinados, a competitividade dos lances de palavra-chave, os orçamentos de marketing online dos clientes, número total de links e anúncios patrocinados e o preço de lance associado a cada clique. Concentrar-se nesses fatores ajudaram o Baidu a continuar aumentando seu fluxo de receita.

Mas a Nova Economia demanda por mais. E o Baidu continuou atento ao movimento:

Futuro e Inteligência Artificial

No início de 2017, o Baidu comprometeu-se com setores emergentes como Inteligência Artificial e Machine Learning. Como a China tem 731 milhões de usuários de internet, quase o dobro da população dos EUA, o conjunto de dados da empresa é capaz de alimentar algoritmos de IA para torná-los ainda melhores. Aqui estão algumas maneiras como o Baidu usa Inteligência Artificial e Machine Learning para prover soluções.

DuerOS

Como o Baidu pode usufruir de um extenso conjunto de dados, seu assistente de voz, chamado DuerOS, acumulou mais conjuntos de habilidades baseadas em conversas do que a Alexa, a Siri ou a Cortana. A parceria com outras empresas de tecnologia é uma das maneiras pelas quais o Baidu espera acelerar a inovação. Eles se juntaram a mais de 130 parceiros DuerOS e o assistente de voz está em mais de 100 marcas de aparelhos inteligentes, como geladeiras e TVs.

Como as casas na Índia, Japão, Europa e Brasil são mais parecidas com casas na China, pode haver melhores oportunidades para a DuerOS se globalizar, já que Alexa, Cortana e Echo são otimizadas para as residências norte-americanas. Na CES 2018, o Baidu estreou sua tela inteligente baseada no DuerOS chamada Little Fish VS1. Uma câmera embutida no painel acima da parte superior da tela é capaz de reconhecer usuários individualmente e adaptar a maneira como ela responde às pessoas.

Mobile

Ao contrário de seus concorrentes, o Baidu continuou firme em seu compromisso com os desktops e acabou perdendo a mudança para o mobile. Essa é uma das razões pelas quais o Baidu se comprometeu tão agressivamente com o investimento em IA. Hoje, os produtos e serviços de IA são prioridades para torná-los o núcleo do futuro da empresa. Agora, a companhia firmou parcerias com a Huawei, para desenvolver uma plataforma aberta e móvel de IA, capaz de apoiar o desenvolvimento de smartphones com essa tecnologia; e com a Qualcomm, para otimizar seu DuerOS para dispositivos IoT e smartphones usando a plataforma Snapdragon.

Carros autônomos

O Baidu, no começo de 2018, recebeu a luz verde de aprovação para começar a realizar testes de carros autônomos nas ruas de Pequim, na China. A cidade deu permissão à empresa chinesa de testar os carros autônomos em 33 estradas da cidade, disponibilizando, no total, uma área urbana de 105 km para testes.

“Com políticas de suporte, acreditamos que Pequim se tornará um hub promissor para carros autônomos na indústria”, disse Zhao Cheng, vice-presidente do Baidu, em um comunicado para imprensa.

Por meio do programa Apollo, as tecnologias de Inteligência Artificial do Baidu são disponibilizadas gratuitamente às montadoras como um cérebro para seus veículos. Em troca, o Baidu obtém acesso aos dados para tornar seus algoritmos mais inteligentes. Espera-se que o Apollo ofereça a qualquer fabricante uma chance justa de criar um produto viável, assim como o Android fez para os fabricantes de smartphones. No Apollo, a empresa chinesa já contou com o apoio da Microsoft, NVIDIA e Intel, por exemplo. O objetivo do projeto é trazer uma plataforma aberta, segura e confiável para carros autônomos para que seus parceiros desenvolvam os carros, acelerando o desenvolvimento dessa tecnologia.

Um outro exemplo: o Baidu realizou uma parceria com a canadense BlackBerry. O software QNX da Blackberry foi desenvolvido para executar sistemas complexos em veículos. No software da Blackberry estarão integrados o já conhecido software para smartphone em carros, Baidu CarLife, mapas em HD e o assistente DuerOS AI. A indústria automotiva chinesa é uma das maiores do mundo e, com a parceria, a Blackberry torna-se uma importante fornecedora de ferramentas para esse mercado.

Deep Learning e healthtechs

Para encontrar tumores e sinais precoces de câncer, os patologistas examinam – com uma ampliação de imagem de 40 vezes – os tecidos biopsiados. Agora, estão pesquisando micrometástases que podem ter até 1 mil pixels de diâmetro. Algoritmos baseados em Deep Learning podem ser usados ​​para processar as imagens e localizar possíveis micrometástases. O Baidu desenvolveu uma solução para prever se as células são normais ou cancerígenas. Os resultados de usar os algoritmos dessa maneira são promissores – um número menor de falsos positivos, por exemplo. A visão computacional, que resulta em uma melhor detecção de doenças (ou pelo menos igual a profissionais) é uma forma muito atraente de Inteligência Artificial que o Baidu está trabalhando.

Fintechs

O Baidu, a Tencent e outros gigantes da tecnologia chinesa estão investindo pesadamente no mercado de fintechs. O Baidu lançou o Financial Services Group (FSG), o qual vende produtos de gestão de patrimônio, empréstimos, além de um serviço bancário online. Esses estão integrados em sua plataforma de pagamento móvel Baidu Wallet. Para expandir esse negócio, o Baidu investiu na ZestFinance, uma fitnech dos EUA, que usa Big Data para pontuação de crédito em duas rodadas de investimento. No último trimestre, o Baidu disse que a unidade FSG estava “fazendo progressos impressionantes, através de Inteligência Artificial e Big Data, para avaliar os riscos de crédito e personalizar produtos financeiros para os usuários”.

O futuro do iQiyi

O Baidu possui a iQiyi, a maior plataforma de streaming de vídeo na China. Ela atinge 78 milhões de usuários ativos diários em PCs e 160 milhões em dispositivos móveis, de acordo com a iResearch. Acontece que ela ainda não é rentável. No entanto, o JP Morgan acredita que todo o setor de vídeo online da China poderia finalmente atingir o break even até 2019, já que os usuários pagam pelo conteúdo original.

É por isso que o Baidu realizou um IPO no valor de US$ 1,5 bilhão, já registrado na U.S Securities and Exchange Comission. A empresa pretende ser listada na Nasdaq, bolsa de valores norte-americana, com o símbolo “IQ”. Segundo informações da iQiyi, o Baidu continuará a ser a empresa majoritária em ações do serviço de streaming mesmo após o IPO.

Por mais que a Netflix e a iQiyi sejam concorrentes, os dois serviços de streaming já realizaram parcerias e trabalharam juntos. Em abril de 2017, as empresas entraram em um acordo para que conteúdos produzidos pela Netflix (como as séries Stranger Things e Black Mirror, por exemplo) entrassem no catálogo da IQiyi.

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