Crise na Didi cresce e antigo player ressurge com solução de blockchain

Enquanto a Didi luta para conter as consequências de um segundo passageiro morto em um intervalo de três meses, Andy Chen está de volta com um novo aplicativo baseado em blockchain, chamado VV Go

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O fundador da Kuaidi Dache, Andy Chen Weixing, foi forçado a sair da indústria de ride-hailing chinesa em 2015 depois que sua empresa se fundiu com a concorrente Didi Dache para acabar com uma ruinosa guerra de preços e formar um maior provedor de serviços, Didi Chuxing.

Enquanto a Didi luta para conter as consequências de um segundo passageiro morto em um intervalo de três meses, o empreendedor de 35 anos está de volta com um novo aplicativo baseado em blockchain, chamado VV Go, e que busca melhorar a segurança dos passageiros e aumentar a renda dos motoristas.

A antiga concorrente de Chen emitiu um "mea culpa" nessa terça-feira (28), pelo papel da empresa na morte, dizendo que "a expansão sem fôlego" fez a empresa perder de vista seu objetivo original de melhorar a situação do transporte na China.

"Eu acho que um bom projeto de regras pode definitivamente ajudar a melhorar a segurança, e blockchain é o fator ideal para criar regras melhores", disse Chen em uma entrevista.

Uma plataforma de ride-hailing funcional com blockchain será capaz de compartilhar informações sobre motoristas e passeios entre todos os usuários, de maneira oportuna e transparente. Se um passageiro, por exemplo, enviar uma chamada de emergência, a rede compartilhada permitiria que outros motoristas e até mesmo a polícia respondesse rapidamente.

No caso da segunda morte, a vítima enviou uma mensagem de socorro a um amigo depois de embarcar, mas a Didi não compartilhou detalhes da viagem por causa de preocupações com a privacidade. A startup agora diz que vai trabalhar em uma conexão de três vias com a linha direta da polícia e com o departamento de reclamações de usuários envolvendo segurança pessoal.

Blockchain foi projetado para fornecer maior transparência a seus usuários. A tecnologia permite a criação de uma rede de banco de dados online em que vários participantes compartilham e armazenam registros de transações de maneira segura e eficiente. Essa rede online cria uma trilha de auditoria completa do histórico de transações constantemente disponível para exame.

Chen segue esse objetivo por meio de uma empresa sem fins lucrativos chamada VV Share, que ele estabeleceu com Yang Jun, co-fundador do grupo Meituan, que agora faz parte do gigante de serviços locais Meituan-Dianping. A VV Share, que administra sua rede pública de blockchain, atualmente conta com uma equipe de cerca de 100 pessoas.

O aplicativo VV Go representa o primeiro projeto da VV Share na construção de uma economia compartilhada. A experiência do usuário do VV Go é similar àquela oferecida por empresas como a Uber e a Didi, disse Chen. O VV Go emprega algoritmos para despachar pedidos de uma maneira que faz o melhor sentido para motoristas e passageiros.

A VV Share planeja emitir seus tokens VVS para uso no VV Go e outros serviços sob demanda baseados em blockchain. Sua economia de compartilhamento envolverá a criação de 100 bilhões de tokens VVS, dos quais cerca de 80% serão distribuídos aos usuários e o restante como recompensa à equipe principal e aos consultores da VV Share.

Chen disse que os motoristas, como usuários, possuem essencialmente a plataforma através de tokens que “protegem os passageiros e mantêm a segurança da plataforma e se tornam seus próprios negócios. Isso é mais eficaz do que deixar apenas uma empresa assumir a responsabilidade [por quaisquer problemas]", disse ele.

Ainda não está claro como a VV Share irá distribuir os tokens VVS para os motoristas e outros participantes da operação VV Go. O modelo de distribuição de receita do VV Go também permanece desconhecido. Chen disse que o fornecimento e distribuição de tokens não está finalizado, e que ele divulgará mais informações nos próximos meses.

Embora o VV Go tenha como objetivo abordar as preocupações de segurança dos passageiros no mercado chinês, ele também ocorre em um momento em que o governo passou a reforçar os controles sobre o nascente setor de blockchain do país.

Embora o governo chinês esteja buscando adotar blockchain em áreas de gerenciamento de registros para segurança cibernética, Beijing deixou claro que não quer que investidores de varejo se envolvam com trocas de criptomoedas e esquemas iniciais de arrecadação de fundos, por causa dessas preocupações que causariam instabilidade financeira. Chen disse que estava em negociações com vários governos locais, incluindo o de sua cidade natal, Hangzhou, na província de Zhejiang. Mas ele espera que o lançamento inicial fosse realizado no final deste ano em Cingapura, São Francisco, Toronto ou Hong Kong.

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(via South China Morning Post)

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