China cria primeiro âncora robô do mundo

A novidade levanta dúvidas sobre as profissões com mais risco de serem substituídas

Tainá Freitas

Por Tainá Freitas

9 de novembro de 2018 às 18:30 - Atualizado há 1 ano

A Xinhua, agência oficial de notícias do governo chinês, lançou uma novidade que passará a atuar em seus telejornais: dois âncoras robôs dotados de inteligência artificial. Com a aparência de apresentadores que realmente existem, uma voz robótica enuncia as notícias em inglês e outro em chinês.

A inteligência artificial permitirá que as notícias sejam divulgadas mais rapidamente, à medida que são inseridas no sistema. O robô “aprende” a enunciar as notícias ao “assistir” vídeos de profissionais da área. A iniciativa é fruto de uma parceria entre a agência Xinhua e o buscador chinês Sogou.com – o segundo maior do país, atrás apenas do Baidu.

No anúncio, a agência afirmou que o novo membro do time poderá trabalhar 24 horas por dia no site de notícias e em plataformas de mídias sociais, “reduzindo os custos da produção de notícias e aumentando a eficiência”.

O desempenho dos âncoras pode ser visto em vídeo – suas vozes são robóticas e é perceptível a falta de expressões em suas feições. A produção de notícias não é totalmente automatizada – apesar de serem enunciadas pela inteligência artificial, os textos continuam sendo escritos por humanos. No vídeo do âncora em inglês, ele afirma que sua aparência é a do jornalista Zhang Zhao da Xinhua e que está “ansioso para trazer as novidades e experiências em notícias”.

A robotização dos empregos

Desde a Revolução Industrial existem boatos se a tecnologia substituiria empregos. De fato, isso aconteceu com alguns – como os quebradores de gelo, arrumadores de pinos de boliche e acendedores de lâmpadas em postes – e há riscos que o mesmo aconteça com outras profissões.

No ranking do site “Will Robots Take My Job?”, os empregos mais propensos a serem substituídos pela tecnologia são os profissionais que realizam cadastros – a chance é de 99%. Em segundo lugar estão os agentes que coordenam cargas e fretes – hoje já existem startups, como a CargoX, que possuem a coordenação de rotas automatizada, por exemplo. Já em terceiro lugar estão os reparadores de relógios. No último caso, a expectativa é que a profissão não cresça mais, com a expectativa de -26% de crescimento projetado até 2024.

Você poderá avaliar a chance da sua profissão ser substituída pela automação aqui. O ranking é baseado no estudo “The Future of Employment: How susceptible are Jobs to computerisation?”, de Carl Benedikt Frey e Michael A. Osborne, publicado em 2013.

Em contrapartida, a automatização não significa que todos os empregos acabarão. Na verdade, enquanto alguns serão encerrados, outros serão criados – e isso já está acontecendo. Citando um exemplo também do setor de comunicação, o “social media” – gestor de redes sociais – era uma profissão inexistente há algumas décadas, porque as próprias redes não existiam e foram se tornando também um produto ao longo do tempo.

A questão aqui é ainda mais complexa: mesmo a profissão menos ameaçada pela automação – supervisores de bombeiros que atuam no combate e prevenção de incêndios, com 0,36% de chance – também será impactada pela tecnologia, ainda que seja para torná-la mais eficiente, por exemplo. Por esse motivo, a saída que parece mais promissora – para quem procura por uma -, é apostar no life long learning – uma forma de continuar aprendendo e de se manter atualizado, consequentemente se preparando para qualquer mudança que possa surgir.