Saiba tudo que rolou no hackathon do Hacking Rio, o maior da América Latina

O grande vencedor foi o grupo FocaAí, solução de machine learning que planeja aumentar o engajamento de alunos em cursos online

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Por Isabela Borrelli

30 de julho de 2018 às 19:04 - Atualizado há 2 anos

Na sexta-feira, por volta das 18h, era possível ver uma verdadeira caravana de jovens chegando ao Aqwa Corporate, complexo corporativo localizado no Porto Maravilha, no Rio de Janeiro. Eles carregavam mochilas e sacos de dormir, alguns vinham rindo com amigos, outros sozinhos e determinados. Todos sabiam o que os esperava: nas próximas 42 horas, os mais de 700 jovens enfrentariam uma maratona de desafios para gerarem soluções de alto impacto para vencer o hackathon do Hacking Rio 2018.

Enquanto o Rio Summit e o Fórum Rio de Internacionalização aconteciam no 21º andar e 1º andar, respectivamente, o 18º estava repleto de mesas, separadas por temas. Foram 12 clusters no total, abordando temas como segurança, finanças, educação, saúde, turismo, etc., sendo que cada um teve seu próprio hackathon com até 100 participantes, que contarão com o suporte de dez mentores técnicos e cinco especialistas do respectivo segmento.

Os jovens que participaram do evento, registrado como o maior da América Latina, receberam o problema que eles deveriam resolver na sexta-feira à noite e nos próximos quase dois dias tiveram que passar por diversos desafios. Neles, suas soluções eram testadas, questionadas e melhoradas com a ajuda de mentores, que também viveram intensamente a experiência.

A dedicação dos hackers não era à toa: o time vencedor, que apresentasse o projeto mais bem avaliado pela banca de especialistas, receberia a premiação de R$ 15 mil e o direito às patentes dos protótipos desenvolvidos durante o evento. Além disso, a equipe também ganharia da MIT HARVARD o Passe Hacker, que dá direito ao grupo de participar da Fase Maker (aceleração online com mentoria, workshops e atividades) por cerca de três meses.

Mas no final foi bem mais que isso: a StartSe premiou os vencedores com os cursos online Nova Economia, Seja Extraordinário e Conecte-Se, além de três ingressos por participante para qualquer evento presencial no segundo semestre, a Founders Institute deu três bolsas para o próximo ciclo do Programa de Capacitação Empreendedora, a Sebrae presenteou-os, caso depois do Hacking Rio registrassem a startup e a transformassem em CNPJ, com seu programa para startups e 2 ingressos para o Disrupt, do Techcrunch.

Na noite de domingo, 29, os grupos finalistas de cada cluster se apresentaram no palco do Rio Summit 2018. As soluções foram variadas: desde aplicativos que educassem jovens financeiramente, até realidade aumentada que educasse e engajasse mais o público do Aqua Rio, e por aí vai.

O grande vencedor foi o grupo FocaAí, solução de machine learning que planeja aumentar o engajamento de alunos em cursos online, analisando as expressões deles e gerando relatórios para professores melhorarem as aulas. Formado por Pâmela Peixinho, 21, Felipe Moreira, 27, Laurence Alves, 23, Daniela Leite, 21, Letícia Moreira, 26.

A solução trazida pelo grupo chamou atenção dos jurados pela complexidade. “Para ler as emoções, a gente usou uma biblioteca de machine learning, que pega as expressões faciais, traça e vê qual a similaridade da emoção. Baseado nisso, a Dani, nossa física, montou uma rede complexa neural”, explica Pâmela.

Além do apoio entre os integrantes, que trabalharam muito e passaram a noite em claro desenvolvendo a ideia, o grupo também chama a atenção para a ajuda dos mentores: “O papel dos mentores foi fundamental, porque em vários momentos eles chegavam com perguntas que faziam com que a gente quase desacreditasse na ideia, mas naquele momento a gente acreditava ainda mais”, revela Daniela.

O grupo também chamou atenção pela maioria feminina, apoiada 100% pelo único homem Felipe Moreira, que vestia com orgulho uma camiseta escrito Code Like a Girl (em tradução livre: programe como uma menina). “Eu já soube menos sobre o assunto, mas hoje eu tenho orgulho de saber que não tem diferença nenhuma. Eu vou apoiar sim quem quer que seja, porque qualquer um é capaz de fazer qualquer coisa!”, defende o programador.

“É muito gratificante como mulher ver que a gente está começando a ganhar espaço nesse mercado, que era dominado por homens. E o nosso sucesso não é por sermos mulheres, mas nós como grupo temos uma energia muito boa e cada um tinha um pensamento muito conexo de onde a gente queria chegar”, completa Alves.

Ao final da entrevista, quando foram questionados se a ideia virava uma startup ou não, eles se olharam e com empolgação gritaram mais para si mesmos do que para o gravador: “VIRA!”.

Fotos: @spotimagens