Em áudio vazado, Mark Zuckerberg revela estratégia para competir com TikTok

Fundador do Facebook quer ampliar presença do Lasso, app de vídeos curtos, em países onde o rival da China ainda não dominou o mercado

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Mark Zuckerberg está preocupado com o crescimento do chinês TikTok entre o público jovem. O portal The Verge obteve áudios de reuniões entre o CEO do Facebook e seus funcionários em julho deste ano, em que respondeu francamente perguntas sobre diversos temas – entre eles, o aplicativo de vídeos curtos da startup ByteDance.

Zuckerberg reconheceu o sucesso do TikTok entre o público mais jovem, especialmente em países emergentes. Então, o executivo afirmou que o app Lasso, do Facebook, ainda faz parte da estratégia para rivalizar com o chinês em países como o México, cujo mercado não foi dominado por nenhum player. “Primeiro vamos ver se conseguimos que isso funcione em países onde o TikTok não é tão grande para depois competir com eles em países onde são grandes”, disse.

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Como o TikTok, o Lasso tem foco na produção de vídeos curtos e criativos, com diversas ferramentas de edição. Ele permite compartilhar as produções direto no Facebook e no Instagram, ou salvar como mídia no dispositivo.

No entanto, apesar de reconhecer que a plataforma da China está crescendo globalmente, Mark Zuckerberg acredita que parte do motivo está nos altos valores gastos pela ByteDance em propaganda. “Descobrimos que a retenção deles não é tão forte quando param de anunciar”, afirma no áudio vazado.

Veja a reposta de Mark Zuckerberg na íntegra:

Pergunta: "Estamos preocupados com a crescente influência cultural do TikTok entre adolescentes e a geração Z, e qual é o nosso plano de ataque?"

Mark Zuckerberg: “Então, sim. Quero dizer, o TikTok está indo bem. Uma das coisas que é especialmente notável no TikTok é que, por um tempo, o cenário da internet era uma espécie de grupo de empresas que eram principalmente americanas. E havia esse universo paralelo de empresas chinesas que praticamente só ofereciam seus serviços na China. E tivemos a Tencent, que estava tentando espalhar alguns de seus serviços no sudeste da Ásia. O Alibaba espalhou vários serviços de pagamento para o Sudeste Asiático. Em termos gerais, a expansão global havia sido bastante limitada. O TikTok, construído pela empresa ByteDance, é realmente o primeiro produto de Internet para consumidor construído por um dos gigantes da tecnologia chineses que está se saindo muito bem em todo o mundo. Está começando a se sair bem nos EUA, principalmente com jovens. Está crescendo muito rapidamente na Índia. Eu acho que já passou do Instagram agora na Índia em termos de escala. Então, sim, é um fenômeno muito interessante.

O que pensamos sobre isso: é uma plataforma de vídeos imersivos e curtos, casados com navegação. Portanto, é quase como a guia Explore que temos no Instagram, que hoje é principalmente sobre postagens de feed e destacando diferentes postagens de feed. Eu meio que penso no TikTok como se fosse o Explore para stories, e esse é o aplicativo inteiro. Então, você tem criadores que estão trabalhando especificamente na criação dessas coisas. Portanto, temos várias abordagens que vamos adotar para isso, e temos um produto chamado Lasso que é um aplicativo independente no qual estamos trabalhando, tentando nos adaptar ao mercado em países como o México. Estamos tentando primeiro ver se conseguimos fazê-lo funcionar em países onde o TikTok ainda não é grande antes de competirmos com o TikTok em países onde são grandes.

Estamos adotando várias abordagens com o Instagram, inclusive para que o Explore seja mais focado nos stories, que está se tornando cada vez mais a principal maneira de as pessoas consumirem conteúdo no Instagram, além de algumas outras coisas. Mas acho que não é o único dos novos fenômenos e produtos mais interessantes que estão crescendo. Mas em termos das implicações geopolíticas do que eles estão fazendo, acho que é bastante interessante. Acho que temos tempo para aprender, entender e avançar na tendência. Está crescendo, mas eles estão gastando uma quantia enorme de dinheiro para promovê-lo. O que descobrimos é que a retenção deles não é tão forte depois que eles param de anunciar. Portanto, o espaço ainda é bastante incipiente, e ainda há tempo para descobrirmos o que queremos fazer aqui. Mas acho que ele é real. É bom”.

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