Lei Geral de Proteção de Dados: como ela impacta a sua startup?

As empresas, que têm até dezembro do ano que vem para se adequar às novas normas, deverão aumentar o investimento em jurídico e segurança

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Você certamente já ouviu falar da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A norma, que entrará em vigor no Brasil em dezembro de 2020, estabelece princípios, direitos e deveres que deverão ser cumpridos no tratamento de dados pessoais. Todas as empresas — até mesmo as menores — que tenham em sua base informações de seus clientes, deverão seguir a nova legislação.

"Essa lei trará algumas mudanças no sistema de tecnologia. Hoje, privacidade é uma coisa que está faltando na internet. Temos visto cada vez mais vazamentos de dados e isso impacta a vida de todos. Temos o direito de escolher como vamos nos apresentar para qualquer pessoa, plataforma ou instituição", ressaltou André Ferraz, CEO da startup In Loco, durante o Startup Summit 2019.

Na Europa, uma legislação semelhante entrou em vigor em maio de 2018. O Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados, ou GDPR, estipula uma série de regras para as empresas. Segundo Ferraz, isso aumentou a presença das grandes companhias, que já estavam mais preparadas para a nova lei. As startups, em muitos casos, acabaram saindo prejudicadas.

No Brasil

Por aqui, aquelas que não se adequarem às novas normas poderão ser punidas. André afirma que a LGPD reflete, principalmente, no aumento de custos. "O gasto com jurídico e segurança será maior. As startups precisarão contratar profissionais especializados e investir em certificações para provar que estão de acordo com a nova lei".

Segundo o empreendedor, a reputação de uma empresa dependerá, principalmente, do cuidado que ela tem com seus usuários. Startups que trabalham com Big Data precisarão ter atenção redobrada. "Obrigatoriamente elas precisarão de uma autorização do usuário para coleta de dados. Algumas poderão ter seus negócios inviabilizados", ressalta. 

No caso da In Loco, as informações já são usadas com cautela. A startup fundada por André ajuda empresas a se tornarem mais assertivas na comunicação com os consumidores. Para isso, cruza dados emitidos pelo smartphone do cliente, por sensores e outras ferramentas precisas de localização. Assim, consegue determinar sua localização com precisão de um a três metros. 

Dessa forma, as empresas clientes podem entregar o anúncio certo na hora certa. O diferencial, neste caso, é que a startup não coleta dados pessoais como nome, telefone, e-mail ou CPF. "Com a nossa solução, conseguimos provar que é possível gerar valor sem precisar saber a identidade das pessoas. Acreditamos que a internet nos traz muita conveniência, mas o preço que estamos pagando por isso é alto. Se perdermos a nossa privacidade, perdemos nossa liberdade", ressaltou Ferraz.

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