Por que o Baidu, o “Google da China”, está cada vez menos relevante

Fraudes em anúncios e crescimento de plataformas com navegadores próprios fizeram com que o Baidu iniciasse o ano com pior resultado desde 2005

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O Google liderou rankings da BrandZ e da YouGov, entre outros, das marcas mais valiosas dos EUA no ano passado. No outro lado do mundo, porém, a principal ferramenta de pesquisa da internet da China está passando pela sua maior crise. Pela primeira vez desde 2005, quando abriu capital, o Baidu reportou prejuízo no primeiro trimestre, de US$ 48 milhões. Sete executivos do alto escalão da empresa foram demitidos após o resultado.

Tudo começa por uma questão de confiança. O consumidor do mundo todo tende a utilizar mais os serviços em que confia, mas na China isto está na raiz da sociedade e do comércio. E, nos últimos anos, o Baidu optou, em alguns casos, pelo lucro em detrimento da reputação.

Em 2016, um estudante morreu de câncer por fazer um tratamento experimental em um hospital que pagou para estar no topo da pesquisa do Baidu. Diferente do Google, o buscador chinês não diferencia anúncios de pesquisas orgânicas. A repercussão negativa deste caso foi enorme e as ações da empresa caíram cerca de 14% na época.

Agora, em junho deste ano, novamente o Baidu foi criticado nas redes por anúncios inescrupulosos. Dessa vez, um site no topo do buscador prometia disponibilizar aplicações para universidades, mas na verdade estava apenas coletando dados dos usuários para vende-los, sem ligação com nenhuma instituição de ensino.

Novos canais

Na China, já se gasta mais com anúncios digitais do que na televisão. No entanto, a parcela do Baidu está diminuindo, enquanto Alibaba e Tencent capturam a maior parte dos anunciantes.

A primeira razão para isto é o contexto: quando se anuncia em uma plataforma de serviços e e-commerce, o usuário que vê o anúncio está mais próximo de concretizar a compra, sem precisar mudar de aplicativo.

A segunda é o tamanho que estes superapps atingiram. A pesquisa interna deles é tão ampla que dispensa um navegador externo, pois a maioria dos serviços e produtos de que o público precisa estão inseridos no WeChat ou no Alipay.

Esse cenário não significa necessariamente que o Baidu irá acabar e os buscadores deixarão de ser usados na China. Entretanto, reforça a necessidade de valorizar a confiança com o consumidor – o que vale para qualquer mercado – e comprova a força que os superapps têm, hoje, no país.

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