Reconhecimento facial na China encontra 6 mil pessoas desaparecidas em 2018

Cases de sucesso vão desde reencontro de criança sequestrada a prisão de criminoso em show no meio de 60 mil fãs

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O Ministério da Cidadania da China divulgou dados sobre o uso de tecnologia de reconhecimento facial para a localização de pessoas reportadas como desaparecidas. Em 2018, 6493 pessoas foram encontradas com auxílio de câmeras inteligentes instaladas em locais que prestam serviços para moradores de rua.

As câmeras com tecnologia de reconhecimento facial na China conseguem identificar automaticamente uma pessoa em segundos. Com algoritmos para fazer análise de dados, o sistema é capaz de cruzar informações visuais com o registro de centenas de milhões de cidadãos do país. Além do intuito de encontrar pessoas desaparecidas e fugitivos, as câmeras têm como função principal a prevenção de crimes, segundo o governo.

O Ministério também tem parceria com aplicativos de notícias numa iniciativa para localizar desaparecidos. Os apps enviam notificações a usuários que, com base na geolocalização do smartphone, estão próximos de locais onde os indivíduos teriam se perdido de seus familiares ou amigos. Desde 2016, foram enviadas notificações sobre quase 37 mil pessoas, e 7456 foram encontradas.

Cases de sucesso

Em 2009, Gui Hao, de 3 anos de idade, foi sequestrado enquanto brincava na frente da loja dos pais na província de Sichuan. Dez anos depois, o garoto foi encontrado em Guangdong, a mais de 1700 km de distância de sua terra natal, vivendo com uma família para a qual havia sido vendido.

A polícia havia prendido o sequestrador em 2014 – responsável por raptar outras 12 crianças – mas não conseguia localizar as vítimas. Em 2017, policiais usaram a tecnologia de inteligência artificial para simular a aparência da criança quase uma década depois do ocorrido. Com a ampla adoção do reconhecimento facial, foi possível unir a imagem gerada com a base de pessoas circulando no país até encontrar Gui Hao.

“Graças à polícia e à tecnologia, conseguimos nos reunir com nosso filho que foi sequestrado há dez anos”, afirmou Gui Hongzheng, pai de Hao, a um canal de televisão local. Até agora, policiais encontraram 10 das 13 vítimas com auxílio de reconhecimento facial.

Um outro case que demonstra a assertividade da tecnologia chinesa aconteceu em abril do ano passado. O show do cantor pop Jacky Cheung, de Hong Kong, levou 60 mil pessoas a um estádio da cidade de Nanchang. Entre os espectadores, estava um homem de 31 anos procurado por “crimes financeiros”, que foi identificado pela polícia apenas como Ao.

Ao foi identificado por câmeras de reconhecimento facial na entrada do show. Estas emitiram um alerta automático à polícia, que foi de encontro ao criminoso sentado em seu lugar esperando o início da apresentação. “O suspeito estava completamente surpreso quando o pegamos”, afirmou um policial a uma agência de notícias local.

No Brasil, a tecnologia de reconhecimento facial foi testada durante o carnaval deste ano, sendo importada dos chineses. Cinco homens foragidos foram presos com o auxílio das câmeras inteligentes – um em Salvador e quatro no Rio de Janeiro.

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