Entenda como o mandarim ajudou a China a se tornar líder em pagamentos mobile

Cerca de US$ 10 trilhões circularam em pagamentos digitais no país asiático em 2018, quase dez vezes mais que nos EUA

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Por Danilo Augusto Correia da Silva

As fintechs estão revolucionando o setor financeiro na China, e os novos meios de pagamentos lideram esta transformação. Em 2018, mais de US$ 10 trilhões circularam através de pagamentos mobile no país asiático - cerca de dez vezes mais do que nos EUA. Entre os motivos por trás da rápida adoção das novas tecnologias estão: a impopularidade dos cartões de crédito/débito físicos, a disponibilidade de smartphones de custo baixo e as suas especificidades culturais.

Atualmente, a maioria dos mobile payments na China são feitos por QR Codes de duas principais maneiras. O comprador pode possuir seu próprio QR Code, que é escaneado pelo lojista e uma solicitação de débito é gerada para o cliente. Ou o lojista pode ser escaneado pelo comprador. A segunda maneira é mais digital, pois não requer a “maquininha” ou qualquer hardware além do smartphone.

QR Code: a solução

A popularidade do QR Code na China não é por acaso ou por conta de sua praticidade apenas, mas também por razões culturais.

Por mais avançada que a web esteja, ela ainda não está completamente moldada para o mercado asiático devido à impossibilidade de ter URLs com os caracteres do mandarim. Dessa forma, ao invés de adotarem os caracteres ocidentais, as empresas chinesas passaram a usar números cuja fonética fosse similar a seus nomes. O Alibaba, por exemplo, ficou com a URL 1688.com, na qual a pronúncia em chinês é Yīliùbābā, próximo ao nome da companhia.

Apesar do relativo sucesso dos URLs com numerais, eles não são práticos o suficiente para o dia a dia do chinês. Surgiu então o QR Code, que começou a ser amplamente usado em campanhas publicitárias que divulgavam o site do produto anunciado. O seu boom, no entanto, aconteceu quando o WeChat o integrou como um de seus recursos em 2012. No principal aplicativo de mensagens, a ferramenta se popularizou por todo o país, se tornando parte da rotina chinesa.

Portanto, as "barreiras culturais" da língua chinesa foram, de certa forma, decisivas para o desenvolvimento da revolução financeira tecnológica no país. Por conta delas, a popularização dos QR Codes concretizou-se, e, por consequência, preparou o país para essa vasta mudança na forma de pagamento. Hoje, para um cidadão chinês, utilizar um QR Code para pagar por suas compras é tão natural quando o cartão físico para um ocidental – e muito mais prático.

Danilo Augusto Correia da Silva é especialista em Ciência da Computação e estudante do  Worcester Polytechnic Institute em Massachusetts, nos EUA.

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