Como o novo CEO da Alibaba comandará a gigante em tempos difíceis 

Daniel Zhang, que substituirá Jack Ma, deve convencer investidores que uma expansão arriscada pode valer a pena no longo prazo 

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Enquanto Jack Ma é considerado o bilionário mais famoso da China, Daniel Zhang, ex-contador que substituirá Ma em setembro de 2019 como presidente executivo da Alibaba, é praticamente anônimo. Pelo menos por enquanto.

Zhang assumirá o cargo ao mesmo tempo em que a economia chinesa está esfriando, ameaçando o crescimento da Alibaba. No começo do mês, a gigante diminuiu as previsões de receita em 6% para esse ano fiscal e executivos citaram um clima econômico mais severo que pode afetar os comerciantes que usam os mercados da Alibaba. O preço das ações da empresa caiu 30% em relação à alta de junho. No geral, ações de tecnologia caíram ao redor do globo nas últimas semanas, conta a The Information.

Em uma entrevista, Zhang discutiu uma ampla gama de tópicos, incluindo a economia e potenciais desafios para os negócios de e-commerce da Alibaba, sua estratégia de expansão global e a guerra comercial entre a China e os EUA. Dando ênfase na necessidade da Alibaba apostar na diversificação, ele disse: "Se daqui a cinco anos a Alibaba não tiver um novo negócio principal, teremos cometido um grande erro".

Zhang já começou a abrir o caminho da companhia para negócios diferentes e mais intensivos em termos de capital. Ele determinou a decisão da Alibaba de superar a arquirrival Tencent para assumir o controle da Ele.me, plataforma de delivery de comida, no início deste ano com uma valorização de US$ 9,5 bilhões. Também foi Zhang que liderou os investimentos do Alibaba em supermercados e cadeias de lojas de móveis.

Mas a expansão dos negócios não basta por si só: ele precisa convencer os investidores da Alibaba de que o alto gasto com negócios não lucrativos irá compensar no longo prazo com receitas e lucros sustentáveis. "Quando as pessoas enfrentam um momento difícil, elas querem mudar, porque precisam sobreviver", disse Zhang. “Como presidente da empresa, você não está pensando apenas na estratégia de hoje e na de amanhã. Você tem que pensar no dia depois de amanhã”, disse Zhang.

O executivo entrou na Alibaba em 2007 e, como chefe do shopping on-line, cimentou a posição do e-commerce como o maior mercado da China para os consumidores. Uma década atrás, Zhang inventou o Dia dos Solteiros da Alibaba no dia 11 de novembro, que é hoje um dos eventos mais rentáveis do mundo – mais lucrativo que a Black Friday e a Cyber Monday juntos nos EUA.

Não é igual à Amazon

A Alibaba se assemelha à Amazon em alguns aspectos, mas ao contrário da gigante do comércio eletrônico dos EUA, ela não é uma varejista - e sim um mercado onde mais de 10 milhões de comerciantes - de pequenos comerciantes chineses a grandes marcas globais - vendem seus produtos. A Alibaba gera receita através da cobrança de vendedores on-line para publicidade e outros serviços.

Como o sucesso da Alibaba depende de sua capacidade de conectar mais empresas com mais consumidores, ela também precisa descobrir maneiras de atrair e engajar os clientes. Com base nesse raciocínio, a gigante redesenhou recentemente seu principal aplicativo de mercado Taobao para adicionar mais recomendações personalizadas para cada um.

Outra aposta da Alibaba foi a Ele.me, o negócio de entrega de alimentos da companhia. Segundo Zhang, a startup, que emprega milhões de entregadores de motocicletas em toda a China, também é um componente-chave da infraestrutura de logística da Alibaba.

Expansão global

Outro grande desafio para a Alibaba é a expansão global. Nos últimos anos, ela aumentou seus investimentos no sudeste da Ásia, onde adquiriu uma empresa local de comércio eletrônico chamada Lazada. Além disso, a Alibaba e a Ant Financial também expandiram para a Índia, investindo na startup de pagamento local Paytm. Ainda assim, disse Zhang, a companhia não se apressará em entrar em novos mercados no exterior.

"Somos muito cuidadosos ao explorar novos mercados", disse ele. "Acho que ainda temos que nos concentrar na China, manter sempre uma perna lá". Para as empresas chinesas com operações globais, as tensões políticas entre os Estados Unidos e a China podem criar mais incertezas. O presidente Donald Trump vem travando uma guerra comercial na China, criando desafios potenciais para as plataformas de comércio internacional.

No passado, o Alibaba fez alguns negócios importantes nos EUA, como o investimento na startup de realidade aumentada Magic Leap. Porém, os reguladores do país bloquearam algumas aquisições importantes dos EUA por empresas chinesas por motivos de segurança nacional. Os negócios fracassados incluem a tentativa da Ant Financial, afiliada da Alibaba, de comprar a empresa de transferência de dinheiro norte-americana MoneyGram.

“Especialmente os investimentos em tecnologia (nos EUA) são agora muito sensíveis. Mas o mundo é grande”, disse Zhang. Se os EUA tiverem uma barreira de entrada maior, o Alibaba poderia trabalhar com parceiros de negócios em outras partes do mundo, disse ele.

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