O apetite aparentemente infinito do Alibaba por novos negócios

O TMALL, uma de suas subsidiárias, está em busca de empresas na América Latina que queiram vender no e-commerce chinês; a missão é da executiva de novos negócios Victoria Stive

0
shares

Há 19 anos, cerca de 20 pessoas, lideradas por Jack Ma, se reuniram para começar uma revolução no setor de comércio online, e fundaram o Alibaba. No primeiro ano de vida da empresa, veio o primeiro investimento da marca: um grupo de investidores doou cerca de US$ 5 milhões. Hoje o Alibaba é uma referência - sua Oferta Pública Inicial (IPO), feita em 2014, foi a maior da história, o que deixou a empresa de capital de risco americana GGV Capital, um de seus primeiros investidores institucionais, muito satisfeitos. Quando a GGV investiu no Alibaba, em 2003, a empresa foi avaliada em cerca de US$ 180 milhões. Desde então, o valor do Alibaba aumentou mais de 2.000 vezes.

Mas quem pensa que o Alibaba é formado por apenas uma empresa se enganou. O grupo, que pretende viver além dos 100 anos, conta atualmente com mais de 25 empresas subsidiárias divididas nos mais diversos setores. De e-commerce e sistemas de pagamentos, a serviços em nuvem e Inteligência Artificial, restam poucos setores nos quais a Alibaba ainda não estabeleceu uma forte presença de mercado.

De acordo com Victoria Stive, a executiva de novos negócios do Alibaba para a América Latina, uma grande vantagem da empresa frente aos seus concorrentes é a sua sede na China, cujo mercado varejista vale cerca de US$ trilhões. Além disso, existem tantos usuários de internet na China quanto pessoas nos Estados Unidos, na Indonésia e no Brasil juntos - cerca de 802 milhões -, o que impulsiona o e-commerce de uma forma significativa.

Taobao, TMALL Global e TMALL Classic

Entre as empresas subsidiárias do Alibaba está o Taobao Global, o TMALL Global e o TMALL Classic. A primeira, de acordo com Stive, uma espécie de marketplace C2C que visava fazer pela China o que o eBay tinha feito pelo exterior, foca no comércio de marcas ainda não conhecidas na China, enquanto o TMALL Global dá preferência para empresas já consolidadas e conhecidas globalmente. O TMALL Classic é o comércio mais específico, e só aceita marcas com forte presença na China. A representante do Alibaba contou que essas empresas, principalmente o TMALL Global, foram criadas com o auxílio do governo chinês, que está buscando estimular o setor no país.

Nas três empresas subsidiárias do Alibaba, os produtos mais procurados são focados em beleza e cuidados com a pele, alimentos, suplementos de saúde e mãe-bebê - produtos que são defasados no comércio local. Durante sua palestra no China Day, Stive compartilhou com o público quais empresas brasileiras já estão apostando no comércio eletrônico chinês: Natura, Líquido, Zaxy e Tramontina estão investindo em vendas no Taobao, enquanto Havaianas, Melissa e Ipanema apostaram no TMALL Global.

Nos últimos três anos, as subsidiárias do Alibaba - principalmente o TMALL Global - viram o apetite do chinês dobrar para produtos da América Latina. Segundo Stive, frente a preferência do público, as empresas decidiram investir na América Latina como um mercado potencial estratégico. "Na América, trabalhávamos mais com os Estados Unidos, mas decidimos explorar mais o mercado do continente, como a América Latina", disse.

Negócios entre China e Brasil

Victoria Stive conta que para fazer negócios com a China, as empresas brasileiras precisam estar cientes dos custos que as transações acarretam. De acordo com ela, além de tarifas com marketing e divulgação da marca na região, as companhias precisam investir na criação de um depósito de segurança para os produtos importados, taxa anual de serviço, comissão da plataforma, custos com parceiros locais e até mesmo despesas com entrega e logística.

Atualmente, o TMALL está em busca de empresas na América Latina focadas em moda, pet, cosméticos, comida e até suplementos de saúde. Para iniciar as vendas na plataforma, as empresas precisam entrar em contato com a subsidiária do Alibaba, que por sua vez indicará um parceiro local para dar início, ou não, as negociações. Mas não é tão simples assim. De acordo com Stive, para serem selecionadas, as empresas precisam seguir alguns requisitos. "A empresa precisa ter visão nacional que reflita o Brasil, além de ter no mínimo dois anos de operação e uma base financeira estável. A marca também precisa se encaixar no que o chinês quer. Todos esses requisitos não são para tornar o TMALL exclusivo, mas para garantir que as marcas sejam bem-sucedidas e que os chineses aprovem o que está sendo vendido", explica.

Junte-se a mais de 400.000 Empresários e Profissionais Para Conhecer os Negócios Mais Disruptivos do Mundo!

switch-check
switch-x
Nova Economia
switch-check
switch-x
Empreendedores
switch-check
switch-x
Investimentos
switch-check
switch-x
Startups
switch-check
switch-x
Ecossistema

Comentários