Fintechs chinesas investem em tecnologia via reconhecimento facial

Arthur Xiaosong, presidente da 3ª maior fintech da China, explica porque o país se destaca neste segmento e quais são suas apostas para o futuro dos meios de pagamento

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Quatro das dez fintechs mais inovadoras do mundo são chinesas, de acordo com o relatório Fintechs 100 da KPMG. Essas empresas estão liderando uma revolução na forma de pagamentos da China, como o exemplo do pagamento por celular via QR Code.

Hoje, é possível sair apenas com um celular que possua o aplicativo do AliPay – da varejista Alibaba - ou WeChat – super aplicativo da Tencent – para realizar pagamentos na China. Os aplicativos são utilizados desde no pagamento de compras comuns até para taxistas, por exemplos, e permitem a transferência de dinheiro com facilidade entre os usuários, sem intermediação bancária. Entre 2013 a 2016, o número de pagamentos via celular na China aumentou de 3,8 bilhões para mais de 97 bilhões, de acordo com dados da Payment and Clearning Association of China.

Agora, com o sucesso do pagamento via celular, a China já está investindo em outro setor: o pagamento via reconhecimento facial. “No futuro na China, nós falamos sobre pagar com o reconhecimento facial. Eles sabem quem você é e tem sua conta associada ao seu rosto, todo seu histórico de crédito, e você não precisa mais do celular para isso”, explicou Arthur Xiaosong, presidente da fintech chinesa Lian Lian Pay. O Hospital Jiangxi Provincial People’s Hospital é o primeiro a utilizar essa tecnologia no pagamento de contas, enquanto o Ali Pay fez uma parceria com o KFC no ano passado para testar o “Smile to Pay”, que utilizava a mesma tecnologia.

A China não se destaca apenas por possuir 4 das 10 fintechs mais inovadoras, mas por possuir um grande mercado para essas empresas. Para Xiaosong, o motivo é simples. “Em termos de inovação e tecnologia, eu diria que Israel, Estados Unidos, Brasil e outros países têm várias ideias criativas, mas a China tem uma grande área e está encorajando as pessoas a tomar riscos”, disse o presidente da Lian Lian Pay.

“Na China, temos uma tolerância para pessoas cometerem erros – as vezes, grandes erros. Isso ajuda fintechs e indústrias financeiras a crescerem”, comentou Xiaosong, que comanda a terceira maior fintech do país – atrás apenas do Alibaba e Tencent.

Destacando-se no mercado

O chinês Arthur Xiaosong deu dicas para os participantes do China Day desta quarta-feira (24), evento da StartSe que trouxe as maiores inovações e especialistas da China para o Brasil. Para ele, o principal em um mercado tão grande quanto a China – com mais de um bilhão de pessoas -, é se diferenciar.

“Se vocês estão em um mercado com concorrentes muito fortes, o que você tem a fazer é se diferenciar. Isso é muito importante se você é empreendedor e quer ir para a China ou outro lugar. Nunca tenha medo dos ‘caras poderosos’, porque eles têm problemas maiores também”, aconselhou.

Hoje, a Lian Lian Pay é a terceira fintech da China, mas Arthur afirma ter um grande espaço entre as primeiras colocadas e a sua fintech. Hoje, para se manter nesse local, a Lian Lian Pay está apostando em trazer soluções via mobile direto para outros vendedores, não para empresas.

“Na China, não temos medo de concorrer com as outras empresas. Temos medo de perder as inovações que estão surgindo no Vale do Silício, em Israel, em Campinas, aqui em São Paulo”, comentou. Atualmente, a fintech já oferece soluções de pagamento para chineses que desejam vender produtos fora do país, e agora está começando a auxiliar vendedores de outros locais que querem vender na China, tendo aberto, inclusive, um escritório em São Paulo.

“O que estamos fazendo hoje é ir além do pagamento. Quando falamos sobre o pagamento internacional, pode ser muito desafiador para um chinês vender pelo Mercado Livre. Será que a compra será feita em português, inglês, chinês? Decidimos trabalhar junto com fornecedores qualificados para oferecer serviços e impostos e até a tradução dos formulários, ajudando no onboarding dessas novas plataformas”, explica o presidente da Lian Lian Pay.

Foto: Eduardo Viana

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