Eleições 2018: o que acontecerá com os investimentos estrangeiros em startups?

Mesmo com o cenário instável, a Diretora da LAVCA afirma que a tendência geral é que os investimentos estrangeiros em startups brasileiras continuem crescendo

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No ano passado, o Brasil atingiu o recorde de captação de investimentos em startups. De acordo com um estudo da Latin American Private Equity & Venture Capital Association (LAVCA), o valor investido em startups brasileiras por fundos de venture capital cresceu aproximadamente 207% em 2017, atingindo o maior montante da história do país, cerca de US$ 860 milhões. Em 2016, os investimentos arrecadavam somente US$ 279 milhões.

Observando os dois anos anteriores, nos quais cerca de 113 companhias brasileiras foram investidas, em 2017, por fundos estrangeiros contra apenas 64 em 2016, Julie Ruvolo, Diretora de Venture Capital da LAVCA, aponta uma grande tendência no mercado brasileiro. Segundo ela, cada vez mais investidores internacionais estão fazendo seus primeiros investimentos em startups brasileiras e a perspectiva é que isso se torne ainda mais comum.

Mesmo com o cenário político e econômico instável, Ruvolo afirma que a tendência geral é que os investimentos estrangeiros em startups brasileiras continue crescendo. “O Brasil está em um período turbulento faz uns cinco anos, e nesse anos, a gente só vê crescimento em termos de investimento. A tendência geral é de crescimento, mesmo que o país esteja passando por um período de vários desafios”, diz.

De acordo com Felipe Andrade, sócio da DOMO Invest, os investimentos nos estágios iniciais de maturação de startups - como investimento-anjo e investimentos do nível que a DOMO realiza -, são pouquíssimos afetados pela crise e pelo cenário de eleição. “Nesse tipo de investimento o timing eleitoral não atrapalha”, defende. Porém, ao contrário de Julie, o especialista faz algumas observações, principalmente em relação a investimentos de Série A e B.

Andrade afirma que esses dois tipos de investimento estão sendo muito afetados pela volatilidade e incerteza que as eleições trazem ao Brasil. “Há um hiato que atrapalha a startup. Desde a crise dos caminhoneiros, sentimentos que os fundos estrangeiros começaram a andar mais devagar dado que o Brasil entrava em um cenário pré-eleitoral”, diz. Mas apesar do cenário negativo, o especialista garante que é normal que isso aconteça em países emergentes. De acordo com ele, passando a volatilidade que as eleições trazem, os investimentos voltarão aos poucos.

Segundo Philipp Schiemer, Presidente da Mercedes-Benz no Brasil, o Brasil está se recuperando dos impactos e da insegurança que o impeachment trouxe. “Hoje a situação se estabilizou e vemos o futuro com mais esperança. Os investidores já estão olhando o Brasil com mais vontade. Falta pouco para a economia deslanchar”, disse ele para a Folha de S. Paulo.

O pós-eleição

Em relação ao que está sendo discutindo sobre o Brasil lá fora, Julie Ruvolo garante que “o assunto de quem vai ganhar em outubro, ou como isso afetará o investimentos, não tem entrado nas listas de preocupações dos fundos”. De acordo com ela, o foco dos investidores no futuro será mais na própria tecnologia, na maturidade das startups, nos problemas de mercado e nas oportunidades. “Independente do macro, a área de investimentos em startups vai crescer”, diz.

Felipe Andrade, da DOMO, também acredita que, apesar das dificuldades enfrentados pelo ecossistema brasileiro, a onda de tecnologia será mais forte do que a crise. “Em todo o setor público, o empreendedorismo é algo muito importante e nos programas de governos dos candidatos todos levantam essa bandeira”, diz. Segundo Andrade, ainda é muito difícil mensurar  quais são os melhores e piores candidatos para o país, mas garante que, independente da cadeira a ser preenchida, seja com um candidato liberal, centro-esquerda ou centro-direita, o ecossistema de startups está em um momento muito próspero.

Apesar da previsão ainda ser algo difícil no cenário brasileiro, o especialista alerta que quem preservar os relacionamentos com o mercado internacional e o cumprimento de contratos tem a tendência de agradar mais o mercado de investidores. “O mercado não gosta de quebra de acordos, mudança das regras e volatilidade na moeda. Mas independente do crescimento do Brasil, o setor de startups e empreendedorismo continuará crescendo”, defende.

Por outro lado, de acordo com Schiemer, o futuro dos investimentos no Brasil depende das reformas do ajuste fiscal, da Previdência, tributária e política. “Precisamos das reformas para o investidor ter uma garantia de que o Brasil vai crescer pelos próximos cinco a seis anos. As empresas só investem quando têm uma previsão. Se isso não existe, é muito difícil tomar essa decisão”.

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