Startups de blockchain desembarcam no habitat

Da Redação

Por Da Redação

18 de Maio de 2018 às 09:28 - Atualizado há 2 anos

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Lá se vão os primeiros meses de atividade do inovaBra habitat, o espaço de coinovação do Bradesco. Desde fevereiro, seus ocupantes puderam se instalar e experimentar as comodidades do ambiente. Pessoas de diferentes idades, regiões do país e áreas de atuação se cruzam ao longo do dia em escritórios abertos, auditórios ou na área de coffee break – que estimula rodas de conversas entre startups e grandes corporações no final do dia.

Aos poucos, os empreendedores conhecem os colegas das mesas ao lado e descobrem o verdadeiro valor de estar em um espaço de coinovação – o maior do país, com 22 mil m² -, sobretudo se o “vizinho” for de uma área de interesse capaz de gerar sinergias. Uma das tecnologias prioritárias para o inovaBra habitat é blockchain (as demais são Inteligência Artificial, Big data e Algoritmos, Internet das coisas, API e Plataformas digitais, Computação Imersiva). Um dos destaques do habitat na área é o R3, consórcio de instituições financeiras que atua no desenvolvimento de um sistema de transações usando blockchain.

A presença do R3 no espaço permite que os “habitantes” tenham um contato muito próximo com os avanços neste segmento. De acordo com Keiji Sakai, que está no comando do consórcio no Brasil, o Bradesco tem se posicionado de forma favorável aos avanços dessa área desde 2016, de forma que a criação de um espaço físico onde fosse possível a convivência entre as startups, o Bradesco, outras grandes empresas e o próprio R3 fazia todo sentido. “Esse contato pode trazer maior eficiência e redução de custo para todos”, diz Sakai.

Sobre a atuação do R3 no espaço, Sakai diz que o consórcio ainda está se instalando (o anúncio sobre a subsidiária brasileira foi feito em março), mas que já pode auxiliar as startups de diversas formas. “Seremos facilitadores. Estamos lá para localizar as empresas com potencial de crescimento e ajudá-las a alavancar o seu negócio, o que pode ser feito inclusive com a plataforma do próprio Bradesco, já que esta pode facilitar parcerias”, comenta Sakai.

Os habitantes

Um dos recém-chegados é Laércio Bardotti, 49, de Laranjeiras do Sul, cidade a 400 Km de Curitiba (PR). Ele se mudou no início de abril cheio de planos para a PayPlug, um negócio de desenvolvimento socioeconômico que transforma ativos de comunidades em moedas alternativas por meio de blockchain. “Estar próximo de corporações como Algar, Oracle e Claro nos abriu um novo horizonte”, afirma Bardotti, citando algumas das companhias com quem divide espaço no habitat.

A startup fez um piloto em uma comunidade de catadores de produtos recicláveis em Curitiba, depois testou a tecnologia em Campo Mourão, no interior paranaense. Nos dois casos, criou “contratos futuros” com os ativos de um grupo (x toneladas de produtos recicláveis, por exemplo) e uma rede comunitária na qual isso tivesse um valor. Assim, o vendedor desses produtos ganhou fluxo de caixa e poder de negociação com a rede de negócios locais, onde esses contratos (ou moedas) eram aceitos. “Com isso, ajudamos nossos clientes a elevar as receitas em até 15%”, diz Bardotti. A receita da PayPlug virá de uma taxa cobrada das operações.

Nas contas de Bardotti, a startup irá dar um salto quando tiver 7 mil usuários e, no habitat, existem corporações com milhares de funcionários. “Em 24 dias, fiz contatos que só seriam possíveis ao longo de um ano se eu estivesse em Campo Mourão”, afirma Bardotti. “Vejo que o nosso serviço tem força para se expandir globalmente”. Os encontros podem acontecer a qualquer hora e lugar. O mais recente deles foi com um pessoal da Algar que ele conheceu após uma palestra sobre meditação.

Outro recém-chegado que atua no segmento de blockchain é Anauê Pereira da Costa, 32, sócio da Eureciclo. A startup oferece uma certificação da cadeia de rastreamento de dados no mercado de reciclagem. Sua solução cruza dados entre quem compra e quem vende resíduos e aproveitou a entrada em vigor, em 2014, da PNRS (Política Nacional de Resíduos Sólidos). A nova regulamentação exige que empresas façam a gestão de seus resíduos — e assim criou um mercado.

Grandes empresas têm um enorme passivo nesse segmento e necessitam de um contato próximo com cooperativas que recolhem suas embalagens de vidro, plástico, papel e metal. A gestão eficiente de seus resíduos e, consequentemente, a publicação de um belo cenário no seu balanço de responsabilidade socioambiental dependem de dados confiáveis sobre esses parceiros que fazem a coleta. É aí que entra a Eureciclo. A startup compra a informação da cooperativa, consulta suas notas fiscais, certifica-se da seriedade do seu trabalho e disso gera uma certificação.

A melhor coisa do habitat? Para Costa, o networking e os eventos. “Muitas vezes, a dificuldade para fazer um contato se resume em subir as escadas e encontrar as pessoas no coffee break”, afirma. As 18 pessoas da Eureciclo ficam a poucos metros de distância da sala do time da IBM. “Os eventos fora são muito voltados a investimentos. Aqui, eles são bem técnicos, focados em tecnologia, e estão disponíveis de graça. No mercado, custam cerca de R$ 800”, afirma o empreendedor. Após um primeiro aporte de recursos feito pela Positivo Ventures, a startup se prepara para um segundo round de investimentos.