Teremos que reaprender (e desaprender)

Cassio Grimberg

Por Cassio Grimberg

17 de junho de 2020 às 15:17 - Atualizado há 5 meses

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O Coronavírus mexeu com nossas vidas, nossos hábitos e, claro, nossas empresas e clientes. E não importa a nossa idade, tampouco importa o estágio em que nos encontramos em nossas áreas de atuação: o contexto atual está fazendo com que tenhamos que reaprender. Só que, para isso, teremos primeiro que desaprender:

1) Desaprender a termos certeza

Existe um jeito produtivo de encarar a incerteza, que é não lutar contra ela. Aceitar que ela existe. Do ponto de vista atual, dizer que o mundo é VUCA (volátil, incerto, complexo e ambíguo) é “chover no molhado”: o que está acontecendo nos mostra que, quanto mais nos dispusermos a aceitar as incertezas, mais rapidamente nos reposicionaremos quando elas nos derem seus sinais.

Mas temos, no conjunto, um modo improdutivo de encarar a incerteza. Ignoramos que ela nos faz um favor, e adiamos decisões na esperança de obtermos mais dados, o que nos atrapalha tanto do ponto de vista comportamental quanto econômico. No comportamental, a incerteza prepara a realização pessoal: não ter certeza das coisas é a única maneira de sermos surpreendidos ou, de um dia, surpreendermos alguém. Na visão da economia, convém não nos esquecermos de uma das principais leis do risco — que Nassim Taleb nos lembra no livro Antifrágil: quanto mais baixo ele é, mais temos que pagar por ele.

2) Desaprender o conceito Time is Money (pelo menos por enquanto)

A situação que estamos vivendo agora também nos ensina uma novo significado para a expressão time is money. Estamos agora aprendendo que, na verdade, tempo é mais que dinheiro: dinheiro vai e vem. Tempo só vai. Mais do que perda financeira, a situação alterou nosso patamar de tempo: nos vimos de repente “presos”, e muito daquilo que planejamos, terá que esperar. Nos vemos novamente finitos, assustados, temendo perder o que temos de mais precioso. Precisamos no entanto entender que na verdade não estamos perdendo, e sim ganhando tempo agora. Até para não ter que perder mais tempo depois.

3) Desaprender que o importante é competir

Fomos sempre ensinados que o importante era competir. Mas, e se fosse o contrário? E se o importante fosse não competir? O romance Anna Karenina, de Leon Tolstói, inicia-se com a célebre frase: “Toda família feliz é igual, enquanto que, cada família triste, é triste à sua própria maneira”. Valendo-se de uma releitura inversa, Peter Thiel, um dos fundadores do PayPal, sugere, em seu livro “De Zero a Um”, que toda empresa que fracassa é igual; mas que cada empresa de sucesso é única.

Hoje é muito difícil falar de sucesso separando competição de cooperação. Apple e Google, dois tradicionais concorrentes, entenderam por exemplo que a soma de suas forças pode agir em direção à solução do Coronavírus: sem violar privacidade, estão criando uma ferramenta ativada por Bluetooth que mostra se uma pessoa esteve perto de alguém com Covid, fundamental para o direcionamento de testes.

O mundo empresarial, que está acostumado a encarar reviravoltas de cenário, está inclusive ensinando a gestores públicos — que aos poucos parecem entender que estamos diante de um daqueles dilemas que somente podem ser solucionados em conjunto: em recente artigo no Financial Times, Yuval Harari brilhantemente diz: “um coronavírus na China e um coronavírus nos EUA não podem trocar dicas sobre como infectar humanos.” Um coronavírus não conversa com outro, mas os países bem poderiam conversar.

4) Desaprender a perguntar tudo para o Google

O Coronavírus está nos ensinando que Donald Trump não tem respostas. Que a OMS não tem respostas. E que nem o Google tem respostas. O que nos relembra da importância de conversar mais com pessoas: com médicos e cientistas, avós e clientes, para juntos encontrarmos soluções para um dilema completamente novo. Todos nós gostaríamos de ter um aplicativo mágico que nos orientasse o que fazer quando a encruzilhada batesse na porta. Digitaríamos nosso dilema, e ele nos responderia: faça isso, vá por aqui. Mas será que nossa intuição já não é esse Waze de Cabeceira — que, claro, precisamos lembrar de deixar ligado?

5) Desaprender o estado sólido (e aprendermos o estado líquido)

Vivemos um dos períodos de mais necessidade de adaptação que já vimos até então, e para isso devemos desaprender. Em uma situação como esta, por exemplo, será que o mais interessante não é deixar fluir? Impossível aí não lembrar do Be Water, my Friend, de Bruce Lee: a água não tem formatos e nem contornos definidos. Quando a água entra em um copo, ela se torna o copo. Quando entra em uma chaleira, se torna a chaleira. Quando entra em uma garrafa, se torna a garrafa. Ou seja, a água tem esta maravilhosa capacidade de adaptação. E como estamos precisando disso agora: é justamente isso que vai nos mover entre os estágios de aceitação e transformação.