Nova profissão: Eterno Aprendiz!

Rodrigo Santiago

Por Rodrigo Santiago

4 de novembro de 2020 às 13:30 - Atualizado há 4 semanas

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Tenho dois filhos, a Rafaela, de oito anos e o Felipe, de seis. A quarentena tem dado a oportunidade ímpar de acompanhá-los nas aulas à distância e no processo de aprendizagem, entender melhor o modelo mental desta geração ultra digital e hiper conectada, mas impaciente!

Fico curioso, diria apavorado, pensando no impacto quando eles chegarem ao mercado de trabalho nos modelos que temos hoje de aprendizado. Como podemos nos preparar e ajudar as empresas a se prepararem para receber esta turma?

Comecei a trabalhar com Cultura de Inovação em grandes corporações em meados de 2017. No início, minha principal função era entender a revolução que estava acontecendo no ecossistema de inovação, ajuda fundamental da StartSe, e “disseminar positivamente” aos funcionários. Alertá-los para a importância em reaprender, como fazer um update da sua “caixa de ferramentas” e adquirir novos conhecimentos e habilidades – o que nos trouxe até aqui não nos levará à novos caminhos – para enfrentar esta revolução.

Percebo principalmente que o middle management está sendo mais desafiado nesse momento:

– “Como assim? Lutei tanto para chegar onde estou e estão me dizendo que o que eu aprendi, agora não serve mais? Tenho que reaprender tudo novamente?”

A resposta é “siiim”! Teremos todos que reaprender – será o diferencial para os próximos anos – a habilidade em tornar-nos eternos aprendizes – parafraseando o Ricardo Geromel, que tive o imenso prazer em conhecer numa missão à China.

Outros colunistas da StartSe, caras que admiro como o Cristiano Kruel e o Adriano Lima, também falam bastante (recomendo darem uma pesquisada), sobre o lifelong learning e empresas que são “Best Place to Learn”.

Quero dividir com vocês experiências que estou tendo ao longo dos últimos 3 anos.

A educação corporativa e a forma das pessoas “se educarem” estão mudando – mais do que isso, elas precisam mudar. Aquele sonho do MBA com aulas intermináveis ao longo de 18 meses, oras… Vocês se lembram como era o mundo há 18 meses atrás?! Por mais dinâmicas que sejam as instituições de ensino, é praticamente impossível acompanhar a velocidade das mudanças. Se os cursos clássicos não estão funcionando, o que está?

Acredito que o aprendizado está mais próximo, mais independente. Temos hoje, impulsionado ainda mais no período de pandemia, incontáveis conteúdos a nossa disposição na internet. O grande desafio é como fazer a curadoria e decidir o que realmente é valioso. Precisamos de um diploma para pendurar na parede ou precisamos de conteúdo que realmente nos motive e nos ajude no crescimento profissional? Outra forma de aprendizado está ainda mais próxima, nas pessoas que nos cercam, seja fisicamente ou nas redes sociais.

Uma ferramenta que aprendi com outro profissional que sou fã, o Romeo Deon Buzarello, são “As Horas Bar”. Tive a oportunidade de tê-lo como palestrante em um dos eventos “talks” que organizei no início de 2019 e achei muito prático esse exercício. Ele sempre reforça que não é um incentivo ao consumo de bebida alcoólica, na verdade é uma forma de criar uma disciplina para APRENDER. Coloque metas de horas que você se dedica para o seu aprendizado: lendo um livro, participando de eventos, cursos e seminários, convidando alguém da sua rede de contatos ou fora dela para um café ou almoço, buscando informação em diversas fontes. Confesso que é um exercício que demanda disciplina, mas é muito recompensador.

Vale aqui um parêntese interessante: no ano passado fiz um post no LinkedIn falando sobre as minhas “Horas Bar”, como consegui alcançar minha meta e como me ajudou no meu desenvolvimento, um incentivo ao aprendizado. Levei um “puxão de orelhas” da minha antiga empresa, acredito que não entenderam o conceito, e por outro lado, esse mesmo post despertou atenção e tive uma nova oportunidade de trabalho.

As empresas estão cada vez mais pressionadas por custos, infelizmente o budget de treinamento e formação está mais restrito. Muitas vezes, quando a empresa investe na formação, os funcionários não são atraídos ou não comparecem integralmente. Acredito que o “one size fits all” acaba desestimulando a educação corporativa – personalização é a palavra.

Precisamos sair de um aprendizado passivo para um protagonista, experiências customizáveis e adaptadas à realidade das pessoas, o colaborador no controle do seu próprio desenvolvimento. Aprender a pensar e a reinventar o futuro, trabalhar os soft skills, cursos de menor duração, porém o aprendizado como um processo contínuo, o lifelong learning. Acredito que as edtechs (startups focadas em educação) serão os grandes catalisadores desta mudança, entendendo esse modelo mental e ajudando no acolhimento das “Rafaelas e Felipes”, no ingresso e contínuo estímulo no mercado de trabalho.

Nos últimos 20 anos fiz alguns cursos – graduação, pós-graduação, MBA. Na minha mudança de carreira fui estudar gastronomia. Mas para ser bem sincero, hoje repassando o filme da minha vida, as experiências mais bacanas não foram nos cursos, mas com as pessoas que aprendi, pessoas inteligentes e com conteúdo – viagens, missões e palestras nas quais a troca, a comunicação em duas vias, foi praticada.

E vocês, com toda essa enxurrada de informações, como estão conseguindo selecionar o que realmente tem valor? Quais ferramentas estão utilizando para a SEU APRENDIZADO? Compartilhe conosco se está conseguindo tornar-se um eterno aprendiz.