Inovação: Dos laboratórios para o dia a dia das cidades

Felipe Lamounier

Por Felipe Lamounier

22 de março de 2018 às 19:48 - Atualizado há 3 anos

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Por Rodrigo Barros, Empreendedor, comunicador, escritor, palestrante e atual secretário de desenvolvimento econômico e inovação em Guarulhos

No Brasil boa parte da população tem a visão de que inovação seria algo distante do seu dia a dia, algo que acontece em laboratórios de ponta cheios de equipamentos caros. Não é muito comum associarmos a inovação ao nosso cotidiano, mas temos percebido cada vez mais que ela vai se inserindo nas nossas vidas independentemente da nossa opinião sobre o tema.

Inovação é um conceito vinculado à temática do empreendedorismo, e nem sempre envolve o desenvolvimento de novas tecnologias, mas sim de novos modelos de negócio. É comum que as inovações que chamamos de disruptivas – que trazem uma mudança radical no contexto dos mercados existentes – incorporem alguma novidade tecnológica, mas nem sempre se trata de algo totalmente novo, podendo ser simplesmente uma nova abordagem sobre tecnologias que já utilizamos. Algumas das principais inovações do nosso cotidiano apenas aproveitam o potencial latente de tecnologias que já temos em mãos para o desenvolvimento de um modelo de negócio que sai do lugar comum para reconfigurar a forma como compramos produtos e contratamos serviços.

Vamos pegar um exemplo de fácil acesso: os aplicativos de transporte como Uber, 99 e Cabify. Essas empresas não criaram uma tecnologia radicalmente nova, mas usaram o potencial de tecnologias existentes e perceberam a oportunidade de estruturar e explorar um novo modelo de negócio aproveitando o aumento de proprietários de “smartphones” com função de GPS. Esse modelo de negócio não seria viável a pouco tempo atrás, antes da consolidação do mercado de internet móvel.

Cada usuário de smartphone é um cliente em potencial, e os aplicativos estruturam uma forma rápida e confiável de comunicação de demanda e oferta entre usuários de serviço de transporte e os motoristas profissionais. Este modelo de negócio traz um ganho de eficiência brutal em relação aos modelos que existiam antes, além de trazer facilidade aos usuários, que podem achar um motorista com um comando no App e efetuar o pagamento da corrida de forma eletrônica, reduzindo a necessidade de se andar por aí com dinheiro vivo.

Esse foi um exemplo do dia a dia, mas essa equação de eficiência do processo e de facilidade para o usuário é a ótica que tem direcionado os modelos de negócio inovadores que vêm ganhando força. É possível inovar de formas mais singelas no nosso dia a dia, mantendo uma mente inquieta e buscando aparar as arestas nos nossos processos, reduzindo os sacrifícios que os clientes precisam fazer para ter acesso aos nossos produtos e serviços. Trazer essa mentalidade para os pequenos empreendedores é essencial, já que este é um dos segmentos da nossa economia que mais emprega e também com maior índice de mortalidade.

Com a crise econômica pudemos observar o aumento no número de pequenas empresas e microempreendedores individuais, mas sem ter no horizonte essa demanda da sociedade por inovação, e um planejamento para atendê-la, não é possível a essas empresas de ganhar escala – muitas acabam gerando resultados suficientes apenas para sobreviver, enquanto muitas não conseguem chegar ao segundo ano de vida. O IBGE divulgou em outubro do ano passado a pesquisa Demografia das Empresas, apontando que das empresas que nasceram em 2010, só 37,8% do total sobreviveu até 2015, e quando falamos de empresas sem empregados assalariados, como é o caso de muitas microempresas, esse índice é ainda pior: só 31,3% sobrevivem. Para se sustentar e ter sucesso no mercado de hoje não é possível ignorar as mudanças ocasionadas por inovações disruptivas nem a necessidade de observar as oportunidades de inovação dentro de cada área de atividade.

As inovações em tecnologia da informação também vão mudar a forma como as pessoas se relacionam com as cidades. O debate sobre soluções de “cidade inteligente” vem crescendo e, quando o governo demora a reagir, temos instituições privadas entrando neste vácuo para fornecer ferramentas de controle social e e-government à população. Um exemplo disso é a plataforma de engajamento do cidadão Colab.re, que disponibiliza um aplicativo e uma rede social de engajamento, mobilização e participação da população relativamente aos problemas da cidade. Essa plataforma vem se expandindo nas cidades brasileiras independentemente da ação do governo, e fornece ferramentas para potencializar um fenômeno que já vem ocorrendo organicamente: o engajamento da população via redes sociais, como o Facebook.