É conhecer ou conectar?

Rodrigo Santiago

Por Rodrigo Santiago

24 de junho de 2020 às 18:54 - Atualizado há 5 meses

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Dei uma googada buscando a definição da palavra networking, fui direcionado para o Cambridge Dictionary, cujo significado é: “the activity of meeting people who might be useful to know, especially in your job”. Acho que muitas pessoas acreditam que “fazer network” é conhecer várias pessoas para na hora do aperto ter para onde correr ou para quem vender. Fico com muito receio sobre o “might be useful to know”.

No meu primeiro emprego no mundo corporativo, estagiário em uma empresa de consultoria na Bay Area (California/EUA), um dos sênior partners, Mr. Doug, um senhor simpático dos seus sessenta e altos anos, algumas vezes em que estávamos voltando de clientes ou almoçando, ele, com sua voz paciente e paternalista, me dizia: “Rodrigo, a maior riqueza que temos são as pessoas com as quais nos conectamos e não a quantidade de pessoas que conhecemos”.

Naquela época, com meus vinte e baixos anos, não entendia muito bem o que ele queria dizer, para mim “conectar e conhecer” era a mesma coisa, apenas talvez, uma discrepância de idiomas, inglês e português.

Com o passar do tempo fui conhecendo muitas pessoas no campo profissional: colegas das “firmas” em que trabalhei, profissionais de empresas parceiras, clientes, a turma dos cursos de pós graduação e MBA, os painelistas e participantes de eventos, conferências e incontáveis palestras às quais fui.

Sendo sincero, eu tinha muito orgulho ao ver minha gaveta repleta de pastas e envelopes com muitas centenas, talvez milhares, de cartões de visita que eu havia “adquirido” ao longo destes últimos 21 anos. Acreditava que essa era uma excelente métrica para mensurar a força da minha rede de relacionamentos.

De tempos pra cá, todos nós passamos a conhecer muito mais profissionais, arriscaria que em progressão geométrica, com a chegada das redes sociais. Mais uma vez eu vinha usando a métrica da quantidade de pessoas na minha rede, coloquei até uma meta, ter mais de 5.000 contatos.

De um ano para cá, comecei a refletir sobre as palavras do Mr. Doug e a entender a diferença entre o conhecer e o conectar.

Pimba! A ficha caiu.

Não é uma questão de idioma, é algo bem mais significativo – conectar é aquela liga de valores em comum, da vontade de fazer algo grande e de beneficiar um número maior de pessoas, é realizar algo que realmente faça a diferença, que gere impacto. O conhecer, é o conhecer, ter uma conversa, trocar cartões, mas não passa de uma relação superficial, e quem sabe gerar um business.

Comecei então a exercitar a arte de me CONECTAR. Virei uma grande esponja, a fazer um mapeamento mental de como poder ajudar as pessoas da minha rede a conhecerem outras que possam juntas gerar impactos positivos para a sociedade ou o meio em que estamos inseridos. A cada conversa que tenho fico sempre pensando: “Com quem posso conectar essa pessoa a outra da minha rede para que juntos possamos fazer algo maior? Quem sabe no futuro desenvolverei uma inteligência artificial para executar essa tarefa de forma mais precisa!

Enquanto não desenvolvo ferramentas “artificias” resolvi focar nas ferramentas interpessoais. Eu e minha parceira de cozinha e de jornada, a Silvana Balbo, talvez pelo fato de sermos “caipiras”, ela de Ribeirão Preto e eu de Goiânia, sempre adoramos receber pessoas na nossa casa, isso aliado ao fato de ambos AMAREM a gastronomia. Resolvemos conciliar dois prazeres que temos: conectar pessoas e cozinhar, reunir ao redor do fogão. Começamos aos poucos e quando vimos, todos os meses fazíamos jantares em casa para unir diferentes tribos, de uma maneira informal e descontraída, para realmente se conectarem e não simplesmente se conhecerem. Até batizamos essa nossa iniciativa: a “Conexão Gourmet”. Esperamos que em breve possamos retomar nossos jantarzinhos!

Outra forma de contribuir com minha rede foi mudar totalmente o tom dos meus posts nas social midias. Resolvi utilizá-las para dar um toque mais pessoal e humano e não somente promover feitos e reconhecimentos, ou para divulgar matérias interessantes relacionadas a minha área de atuação, Inovação.

Passei a compartilhar passagens da minha trajetória, meus erros, meus perrengues e como consegui superá-los e quais lições foram aprendidas. Taí, achei algo que esteja realmente conectado ao meu propósito que é servir!

Hoje, ao acessar o histórico do meu Whatsapp, vejo a quantidade de grupos de “Conexão … (alguma coisa)”, sempre buscando criar essa corrente do Bem, sem maiores pretensões, mas com o objetivo genuíno de gerar impacto positivo. Para exemplificar e estimular, jamais para me gabar, essa semana mesmo (pedi a permissão delas para divulgar), conseguimos fazer uma conexão de tribos totalmente distintas. A Vanessa Sandrini, foi colega da Sil no GPA e me ajudou quando montei minha empresa de alimentação saudável congelada, hoje além de uma grande amiga é CEO do Rondelli, um grupo varejista no Nordeste. A conectei com a Chef Morena Leite, com quem tive o prazer e a oportunidade de trabalhar e ensaiar uma sociedade no Restaurante Capim Santo, além de manter um carinho e uma conexão enormes.

Mais uma vez o Whatsapp ajudou – conexão feita, em menos de uma semana elas mobilizaram a região de Porto Seguro/BA para arrecadar fundos e mantimentos para ajudar a comunidade de Itacaré/BA neste momento de crise devido a baixa frequência de turistas na região. Serão várias famílias beneficiadas com cestas e alimentos produzidos pelo Instituto Capim Santo. Imagine a minha alegria e satisfação em poder ter feito esta CONEXÃO.

Quando resolvi escrever esse artigo, pensei num tema que eu pudesse inspirar os leitores a refletir, tanto nas suas relações como na forma em que estão contribuindo. Estamos passando por um momento muito especial na humanidade, estamos percebendo como a vida é fugaz, um sopro. Pense em como você poderá causar impacto positivo em quem está ao seu lado: seja um conselho, um ombro amigo ou dividindo uma experiência ou fragilidade – estamos cheios de super-heróis e profissionais impecáveis – queremos escutar o seu lado B, seus conflitos, seus percalços e erros, e como possamos juntos nos fortalecer, no verdadeiro sentido de rede.

E aí, o que está fazendo para fortalecer suas conexões? Conte para nós e vamos juntos aumentar essa corrente do bem: não precisa de grandes feitos, basta inspirar as pessoas – tenho certeza que dentro de cada um de vocês que está lendo este artigo há algo bacana para compartilhar! Vamos lá, estamos ansiosos para te conhecer e para aprender com as suas experiências. Será um prazer me conectar a você.