Carreira: Planeje-a ou deixa a vida me levar?

Felipe Lamounier

Por Felipe Lamounier

27 de setembro de 2017 às 14:15 - Atualizado há 3 anos

Logo ReStartSe

GRATUITO, 100% ONLINE E AO VIVO

Inscreva-se para o Maior Programa de Capacitação GRATUITO para empresários, gestores, empreendedores e profissionais que desejam reduzir os impactos da Crise em 2020

Por Adriano Lima, Alumni StartSe Silicon Valley Learning Experience

Eu tenho muita paixão pelo tema de gestão de carreira. Frequentemente, em palestras, em aulas, em papos, sou questionado sobre o dilema acima. Devemos planejar nossas ações de carreira ou, como canta Zeca Pagodinho, devemos ir seguindo os caminhos que a vida for nos levando ?

Essa paixão que adquiri pelo tema vem do quanto ele fez a diferença em minha carreira e em minha vida. Na escolha pela faculdade, fiquei muito em duvida pela educação física e pela psicologia. Decidi pela psicologia porque uma orientadora escolar e meu pai foram decisivos. A opinião deles era de que a opção pela educação física seria pelo amor aos esportes e ser um esportista eu poderia ser a vida inteira se assim quisesse. Já a opção pela psicologia, seria na opinião deles, atender um chamado, uma vocação. E assim foi tomada uma decisão muito importante. Muito mais por seguir a opinião de outros do que seguir a minha e qualquer planejamento. E deu muito certo. Sempre fui feliz com essa escolha. Eu já estava na faculdade, já fazia meu primeiro estágio, não tinha ainda muita noção e visão de planejar minha carreira, mas já tinha alguns sonhos. Sonhava crescer e poder construir uma família, ter condições de alugar uma casa, fazer as compras do mês e colocar meus filhos numa escola particular. Esses sonhos me moviam muito e me faziam buscar ser melhor a cada dia. Lia livros e revistas Exame emprestados no trajeto diário e longo de ônibus da baixada fluminense onde morava até ao centro do Rio de Janeiro onde eu trabalhava.

Tive a oportunidade de iniciar minha carreira no Grupo Amil. Com os sonhos sempre me incentivando, procurava aprender sempre e entregar bons trabalhos. Fui me destacando e crescendo até que fui indicado para um curso interno nos moldes de um MBA em parceria com a Coppead. No módulo dado pelo saudoso e querido fundador da Amil Edson Bueno, ele nos apresentou, desafiou, incentivou e nos orientou para que fizéssemos o nosso primeiro plano de carreira. Era o ano de 1991 e muito antes desse conceito aparecer no mercado, na academia, nas literaturas, estava ali o Edson Bueno trazendo inspiração e desafios. Tive a gratificação de ter sido escolhido por ele como um dos três melhores planos da turma toda e esse incentivo foi determinante. Eu fiz o meu primeiro projeto, meu primeiro planejamento de ações para minha carreira e nunca mais parei. O plano está em uma das fotos aqui anexadas.

Aprendi na prática que estar no comando de sua carreira e vida lhe dá mais possibilidades de você fazer escolhas do que ser parte das escolhas de terceiros. Que o plano de carreira é parte integrante de sua vida e que deve estar equilibrado com seu momento de vida, sonhos, e principalmente, seus valores. Fui cada dia mais aprimorando meu planejamento e posso afirmar que cerca de 70% das ações que eu colocava como objetivos, iam acontecendo ao passo que eu me preparava com competências, estabelecia relacionamentos novos que me permitiam conhecer dimensões novas e sócios para alguns objetivos. Outros reconhecimentos foram surgindo, aos quais destaco ter tido parte dessa história como matéria-prima para dois livros de duas líderes das mais influentes de nosso país no tema de gestão de pessoas e que sempre foram exemplo e inspiração para mim. Tive a grande oportunidade de ter tido parte dessa história contada no livro “Carreiras, você está cuidando da sua?” da Sofia Esteves e de ter outra parte de minha história sobre carreira num capítulo do livro de “Coaching Executivo” da Vicky Bloch.

Nesse novo e desafiador mundo do trabalho em que teremos menos empregos formais e muito mais geração de oportunidades para oferecermos nossas competências e conhecimentos através de produtos, serviços, consultorias, o empreendedorismo aparece como uma solução de carreira cada vez mais promissora. Estive recentemente no Vale do Silício em uma maravilhosa missão de aprendizado com a empresa StartSe. Dentre tantos aprendizados, um me marcou bastante. Eles se referem a uma numerologia para expressar o sucesso. A de que 1% do sucesso é a ideia e 99% do sucesso é a execução. Um planejamento muito bem feito é chave para excelência nessa execução.

Devo confessar que em alguns momentos deixei a vida me levar e ao ritmo e balanço da música do Zeca Pagodinho, me permiti estar mais livre, leve e solto. “Se a coisa não sai do jeito que eu quero, também não me desespero, o negócio é deixar rolar”, diz ele também. E nem tudo dá certo. Em algumas ocasiões, errei ao implementar algumas ações e fui infeliz com algumas escolhas. Errei também em outros momentos ao não fazer as decisões corretas ou não ter tido as melhores atitudes nesses momentos. E oportunidades também foram perdidas. Mas, nessas ocasiões, sai com o reconhecimento de acionistas, conselheiros e de que, acima de tudo, ficavam na lembrança a ética, a integridade, os meus valores. Assim como me escreveu em mail um dos acionistas de uma das maiores empresas do Brasil quando sai. Como dizia meu pai lá atrás quando eu não tinha a menor noção sobre carreiras. “Percamos até o emprego, mas nunca percamos de mão os nossos valores”. Então Zeca, me uno a você para cantar mais um verso de sua música: “confesso que sou de origem pobre, mas meu coração é nobre, foi assim que Deus me fez”.