O início de uma jornada empreendedora é no começo da sua vida

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Por Tito Gusmão

7 de março de 2017 às 11:48 - Atualizado há 4 anos

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Fui entregador de jornal quando era criança. Era divertido, bem, a verdade é que em dias de frio não era tão divertido assim. Quem mora no sul do Brasil sabe o quão difícil é sair da cama às 5 da manhã com zero graus logo ali fora do seu cobertor. Mas eu não tinha escolha. Então pegava a minha bicicleta e ia até o distribuidor dos jornais, que ficava a algumas casas na mesma rua.

O distribuidor era quem recebia, ainda mais cedo, os jornais quentinhos vindos diretos das prensas. Lembro até hoje do cheiro do jornal novo. Cheiro bom de papel e de tinta forte. Forte, mas também agradável.

Os entregadores todos chegavam no distribuidor para pegar as suas quantidades de jornais e cada um se preparava da sua forma. Eu estacionava a bike e enchia as bolsas laterais que ficavam no bagageiro em cima da roda traseira. Tinha uma quantidade certa que levava de jornais abertos e outra quantidade prendia com uma borrachinha para deixar em formato de bastão. Esses eram os jornais preparados para serem arremessados a grandes distâncias (os mais legais). Se fosse dia de chuva, aí ferrava tudo. Cada jornal tinha que ter um saco plástico e isso dava um puta trabalho.

Bike carregada, lá ia eu pelas ruas ainda escuras. Não lembro ao certo em quantas casas eu entregava, mas lembro direitinho da sensação de ver a cidade acordando. Era como ver uma engrenagem complexa começando a se movimentar em câmera lenta. Você entende e admira como tudo funciona.

As pessoas começando a se preparar para um dia de trabalho, algumas delas esperando ansiosas a chegada do jornal. A padaria, que ainda estava com as portas fechadas, mas já cheia de movimentação interna na preparação da primeira fornada. O movimento dos carros começando a surgir nas ruas e logo as crianças se aprontando para a escola.

Falando em crianças, eu era uma delas. Pouco mais de uma hora depois a bike estava vazia e agora era a hora de eu me preparar para a escola.

Por  estou contando tudo isso? Para mostrar que eu tinha uma vida difícil e que tinha que trabalhar para sustentar minha família? Não, para minha sorte e pela dedicação dos meus pais, eu tinha uma vida confortável. De fato, o curioso mesmo é que eu era um jornaleiro como qualquer outro, mas quem era o dono do jornal era o meu pai e isso foi uma das duas coisas mais importantes que moldaram meu caráter empreendedor.

Por mais que tivesse uma vida confortável, nada era de mão beijada. Meu pai mostrava que se eu quisesse qualquer coisa eu precisaria fazer por merecer.

“Quer dinheiro para comprar um chocolate? Pede para lavar o carro do vizinho.”

“Mesada? Sem chance, vai entregar jornais que você ganha um salário.”

A segunda coisa mais importante vinha da minha mãe que me incentivava o tempo todo dizendo que tudo era possível.

“Hum… então você quer construir um carro elétrico? Ok, acho que você consegue.”

Os dois exemplos são reais. Sempre fui viciado em chocolate e, mesmo longe de ser um Elon Musk, lá pelos meus 12 anos eu queria mesmo construir um carro elétrico.

Com esses dois ensinamentos em mente (nada vem de graça e tudo é possível) entrei em algumas aventuras.

Tive, por exemplo, aos 14 anos uma grande empresa de importação e exportação. Mentira, eu comprava produtos no Paraguai e entregava de porta em porta. Ah, e tive também uma empresa de jogos de computador. Mentira, eu gravava jogos e vendia para meus amigos na escola 🙂

Eu quero falar mais desses dois “grandes” empreendimentos, pois aprendi muito com ambos (de verdade) assim como outros negócios que tive, como: restaurantes, estúdio de música, empresa de marketing, um café, hotel entre outros.

Por saber que nada é de graça e tudo é possível, tive “sorte” em todas essas empreitadas, até que um dia a paixão pelo mundo do mercado financeiro foi mais forte. Aliás, cheguei a entrar na faculdade de economia por causa dessa paixão.

Eu gostava tanto e só falava disso que virei o “conselheiro” de investimentos para meus amigos e mantinha um clube de investimentos com a turma. Até que um dia fui convidado para entrar em uma empresa de investimentos ainda pequena, que tive o prazer de ajudar até que ela se tornasse a maior corretora do Brasil, avaliada em alguns bilhões de reais.

Essa guinada de empreendedor para intra-empreendedor foi a melhor experiência que eu pude ter, principalmente porque me vi cercado de gente muito foda. Quando isso acontece, você saca melhor, você corre mais e você pula mais alto. Claro que, como contraponto, você não está 100% livre para tomar as decisões como quiser e você também precisa aprender a lidar com a parcela dos babacas que estão sempre por aí. Mas, faz parte.

O mais importante é que empreender dentro de uma empresa que dê espaço é fantástico. Se um dia você tiver essa oportunidade, agarre, vai aprender muito para quando, inclusive, quiser alçar voo sozinho.

Vamos aos finalmentes…

Então, tive a oportunidade de criar diversos negócios e participar da construção de uma empresa bilionária. Montar times, planejar ações, desenvolver produtos, cuidar o fluxo de caixa, cuidar do marketing, vencer a concorrência, lidar com fornecedores, fechar parcerias, vender, atender, pintar, lavar, bordar, sambar, cozinhar. Foi tudo muito bacana, mas agora chegou a principal missão de todas. Criar uma empresa de investimentos 100 vezes melhor que qualquer outra.

O motivo de todo esse texto?

É que vou contar aqui, no StartSe, em capítulos semanais (no pior dos casos quinzenais), o passo a passo dessa jornada.

Essa empresa se chama Warren, uma plataforma de investimentos com o propósito de criar uma nova geração de investidores. Para conseguir isso, vamos entregar a melhor experiência de investir e sem o conflito de interesse que existe na indústria de investimentos atual.

Quero compartilhar os bastidores, as conquistas (espero que venham muitas) e todos os desafios (esses surgem todos os dias).

Minha expectativa é poder ajudar, com relatos reais vindos do campo de batalha, os atuais e os futuros empreendedores e também contar com ajuda e feedbacks de quem curtir essa jornada.

Empreender é sensacional! Construir algo que ajude as outras pessoas e ao mesmo tempo se transforme em um negócio que gere empregos, oportunidades e faça a economia crescer é recompensador, mas não é fácil.

Então, quem sabe possamos nos ajudar 🙂

O próximo capítulo, que será disponibilizado na próxima terça-feira, vai se chamar “É preciso construir – Quando as idéias não saem da cabeça.” Vou falar sobre o início do Warren e de quando chega a hora em que você tem que arriscar e buscar fazer o que precisa fazer.

Um abraço e até lá.

Tito Gusmão

www.oiwarren.com

tito@oiwarren.com

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