Em busca do 1º sócio: em uma empresa de tecnologia não se terceiriza tecnologia

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Por Tito Gusmão

4 de abril de 2017 às 13:49 - Atualizado há 3 anos

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Eu ainda estava na tal empresa que eu não aguentava mais e tinha acabado de validar minha ideia, mas minha esposa estava grávida do nosso primeiro filho, então o desejo de construir o Warren estava conflitando com a dúvida sobre o futuro. E por já ter empreendido diversas outras vezes eu sabia que nada seria fácil. Deixe-me inclusive fazer um parênteses grande para falar sobre empreender, antes de entrar no tópico deste capítulo.

(Nos últimos anos surgiu um boom em cima do empreendedorismo. Na minha época de adolescente, o sonho era ser um astro de rock, hoje é ser o fundador de uma startup. Acho isso fantástico. Muito melhor uma legião de empreendedores tentando construir suas empresas que resolvam problemas do que uma legião de bateristas tentando fazer o solo de Moby Dick. Mas o que essa empolgação toda sobre empreendedorismo esconde é que empreender é ainda mais difícil do que fazer o solo de um dos melhores bateristas do mundo.

Aliás, nada contra bateristas. Eu também fui um deles e  talvez por nunca ter conseguido fazer bem o tal solo, já gostava de empreender desde cedo.

Meu primeiro contato com o mundo empreendedor foi observando uma colega que vendia doces na escola quando eu tinha 12 ou 13 anos. Ela trazia os brigadeiros em um potinho e quase sempre vendia tudo. O produto era bom e ela era uma excelente vendedora. Eu admirava demais a coragem dela. Lembro que um dia a escola começou a proibir que ela trouxesse os brigadeiros para vender e então ela fez parceria com a cantina da escola e acabou vendendo ainda mais. Eu não sei onde e como essa menina está hoje, mas aposto tudo que é uma empresária bem sucedida.

Citei a história dela pra reforçar que empreender não é tão romântico quanto parece. Você não vai montar um site no fim de semana e começar a faturar milhões na segunda-feira. Empreender exige infinitas doses extras de paciência, otimismo, persistência, criatividade, dedicação, trabalho, trabalho e trabalho. Você acorda cedo para preparar com carinho seus brigadeiros, vende incansavelmente de pessoa em pessoa e quando os problemas surgirem (e sempre surgem) você precisará encarar sem medo, encontrar soluções e seguir ainda mais forte.)

Terminado o parênteses, vamos ao assunto deste capítulo.  

Sabendo que empreender não seria fácil, decidi seguir o Warren em paralelo por mais um tempo. Quanto mais cedo você se dedicar de corpo e alma ao seu projeto, sem dúvida é melhor. E se você é jovem, sem filhos e sem custo fixo alto, a melhor sugestão que posso dar é: VAI!

O meu caso era o total oposto (não que eu seja velho, estou com 37, mas isso é bem longe dos 20) e por isso fui mais cauteloso. Eu deixaria o Warren como projeto de fim de semana até chegar a hora certa de ficar 100% dedicado. Até porque, antes de mais nada, eu precisaria achar os sócios certos para entrar no Warren e começar a desenhar os primeiros passos. Então tinha um caminho inicial que poderia ser facilmente realizado part-time.  

Você não faz nada sozinho. Fato! Por isso precisa se cercar de pessoas que complementam seus pontos fracos e acreditam tanto quanto você no sonho.    

Acredito que todo negócio online precisa ter sócios que preencham três áreas: produto, desenvolvimento e UX/Design. Reforçando, SÓCIOS! Não acredito em empresa online que terceiriza usabilidade ou tecnologia. E acredito que é muito difícil (quase impossível) construir um negócio sem um sócio que tenha experiência no produto.

No Warren eu vinha com uma bagagem de muito tempo de mercado financeiro e por isso eu era o cara do produto. Então precisava encontrar o sócio desenvolvedor e o sócio UX/Designer.

Achando um sócio desenvolvedor

Comentei que para empreender você precisa de otimismo, persistência, criatividade e etc. Mas, às vezes, um pouquinho de sorte não faz nenhum mal e confesso que normalmente eu tenho.

Quando eu era pequeno minha avó sempre dizia que eu tinha nascido com a bunda virada pra lua. Para quem não conhece a expressão, ela remete ao parto onde a bunda do bebê sai antes da cabeça. Neste caso a probabilidade de morrer é gigante e por isso quem sobrevive a este tipo de parto é um sortudo.

Eu precisava de um desenvolvedor experiente, que acreditasse nas mesmas coisas, de convívio produtivo (sociedade é um casamento elevado ao quadrado) e que tivesse uma boa base em mercado financeiro. Por sorte número um eu conhecia esse cara. Um dos desenvolvedores com maior experiência no mercado financeiro no Brasil, responsável por grandes plataformas de algoritmos e execução em bolsa. Por sorte número dois esse cara é meu irmão. Agora só faltava convencer ele a entrar no Warren.

A sorte que tive é gigante, eu sei. Mas não se desespere se você não tem um irmão desenvolvedor. Diversas vezes em palestras e eventos eu recebo a pergunta: “Como encontrar um bom desenvolvedor para empreender comigo?” E minha resposta sempre é: “Tenha um bom projeto e vá bater de porta em porta que você vai encontrar”.

Um bom projeto é a coisa mais importante que você precisa ter para engajar uma pessoa que é foda. E, novamente, você precisa desse tipo de pessoa ao lado. Tendo um bom projeto na mão, vá a luta! Eu não tinha um outro irmão UX/Designer e tive que garimpar muito para encontrar um (vou contar essa batalha no próximo capítulo).

Você vai precisar circular onde circulam os desenvolvedores e vender o seu projeto pra eles. Inscreva-se em meetups, participe de hackatons (vá de penetra mesmo, sem saber escrever uma linha de código). Mas não se apaixone no primeiro encontro. Reforço que sociedade é um casamento elevado ao quadrado, então vá com calma e preste mais atenção na personalidade e na compatibilidade com você do que em um lindo currículo.  

Bem… mas voltando ao meu irmão. Eu precisava convencer ele a entrar no Warren, então comprei uma passagem para o Brasil e lá fui eu vender o projeto. Aqui vai uma dica. Normalmente desenvolvedores são bons bebedores de cerveja e o papo de “dominar o mundo” flui mais facilmente com um pouco de álcool. Por isso convidei ele para falarmos em um bar.

Meu irmão era sócio e trabalhava na matriz em São Paulo da mesma corretora que eu em Nova York. Sim, a tal empresa que eu não aguentava mais. Por sorte minha e do Warren, descobri que ele também não aguentava mais.

Algumas cervejas depois e eu tinha um dos maiores desenvolvedores do mercado financeiro do Brasil no Warren e ele já tinha desenhado no guardanapo todo o roadmap de produção do primeiro protótipo, qual linguagem usar para cada camada, que estrutura seria necessária, prazos de entrega e tudo o mais. Por isso lá vou eu mais uma vez. Gente foda! Traga gente foda para o seu lado!  

Combinamos que, da mesma forma que eu, ele seguiria o trabalho normal dele e o Warren seria um projeto part-time.

Dessa primeira reunião já surgiu nosso primeiro board no Trello. Se você não sabe do que estou falando, pode ficar tranquilo que vou contar em outro capítulo como nós organizamos todo nosso fluxo de construção de produto. Ele ficou com a incunbência de começar a criar uma estrutura inicial e encontrar um freelancer para a parte de web e eu com a incunbência de achar nosso sócio UX/Designer. E esse será o próximo capítulo.

Vou falar da importância do design e usabilidade para negócios online e de como não foi fácil a busca por esta pessoa, dentre dezenas de pessoas com as quais falei, convites que fiz e depois tive que desfazer e pessoas que fecharam e depois correram.

O próximo capítulo será disponibilizado na próxima terça-feira e vai se chamar: “A batalha em busca do segundo sócio: designers, onde se escondem, do que se alimentam.”  

Um abraço e até lá.

Tito Gusmão

www.oiwarren.com

tito@oiwarren.com

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