O grupo vai orientar a política de IA americana num momento em que a corrida tecnológica com a China é tratada como questão de segurança nacional.
Quando o Vale do Silício vira governo: Trump monta o conselho de tecnologia mais poderoso da história
, redator(a) da StartSe
7 min
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6 abr 2026
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Atualizado: 6 abr 2026
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O presidente dos Estados Unidos Donald Trump nomeou, na última quarta-feira de março (25), os CEOs da Meta, Nvidia, Oracle, AMD e Dell, além do cofundador do Google, para compor o PCAST — o Conselho de Assessores em Ciência e Tecnologia da Casa Branca. O grupo vai orientar a política de IA americana num momento em que a corrida tecnológica com a China é tratada como questão de segurança nacional.
Por que isso importa: Quando os maiores donos de capital e infraestrutura de IA do planeta sentam na mesma mesa que o governo mais poderoso do mundo, o resultado não é apenas política pública — é a definição das regras do jogo global em tecnologia. Quem ditar essas regras primeiro, dita o mercado por décadas.
A Casa Branca anunciou na quarta-feira, 25 de março de 2026, a nomeação de 13 membros do setor de tecnologia para o Conselho Presidencial de Assessores em Ciência e Tecnologia (PCAST), com objetivo de orientar políticas sobre tecnologias emergentes e impactos na força de trabalho.
O conselho será liderado por David Sacks, responsável por IA e criptomoedas na Casa Branca, e por Michael Kratsios, conselheiro de tecnologia da presidência.
A lista inicial reúne nomes que, juntos, controlam empresas cujo valor de mercado supera o PIB da maioria dos países:
Trump fez da liderança americana em IA uma prioridade central do seu segundo mandato, posicionando a tecnologia como a principal arena de competição estratégica com a China.
A participação de líderes de grandes empresas marca uma mudança em relação ao primeiro mandato de Trump, quando houve boicotes e renúncias de executivos em iniciativas semelhantes. Agora, a adesão de nomes relevantes da indústria indica maior disposição de colaboração entre o governo e empresas de tecnologia em discussões sobre políticas públicas e inovação.
Tradução direta: em 2017, o Vale do Silício resistia a Trump. Em 2026, os maiores nomes do setor estão sentados à mesa do governo — e fazendo fila para entrar nela.
O conselho tecnicamente não tem poder legal para escrever leis ou aprovar regulamentações — sua função é estritamente consultiva.
Mas subestimar isso é um erro. Comitês consultivos de alto nível moldam agendas, antecipam regulações e abrem portas de contratos públicos bilionários. Estar fora da conversa é estar fora do jogo.
🔴 Conflito de interesses explícito: Cada CEO da lista está investindo pesado em IA. O conselho que define a política de IA americana é composto, quase que integralmente, pelos maiores beneficiários dessa política. Se considerarmos a riqueza pessoal e o valor de mercado das empresas que controlam, o total supera o PIB da maioria dos países do mundo.
🟡 Fusão ainda mais profunda entre Vale do Silício e Washington: A era do Big Tech como poder político paralelo está se consolidando. Isso não é novo, mas nunca foi tão explícito.
🟢 Regulação americana de IA tende a ser mais permissiva: Com esse perfil de conselho, a aposta é em aceleração, não em freio. Isso tem implicações diretas para quem está construindo negócios com e sobre IA.
Os CEOs que entraram para o PCAST não apenas constroem produtos — eles moldam os mercados em que todos os outros vão competir. Isso não acontece por acidente. Acontece porque eles entendem a interseção entre tecnologia, estratégia e poder institucional de uma forma que a maioria dos executivos ainda não aprendeu a navegar.
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