Plano oficial de Pequim prevê mais de 70% de uso de agentes de IA até 2027. Faltando um ano, o Alibaba já transformou 4 bilhões de produtos em compra por conversa.
A China acelera a adoção de inteligência artificial no comércio e na indústria.
, Redator
8 min
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29 out 2026
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Atualizado: 29 out 2026
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No Ocidente, a discussão sobre agentes de inteligência artificial ainda está nos pilotos, nos comitês e nas apresentações para o conselho. Na China, ela tem meta, prazo e acompanhamento do Estado.
Em agosto de 2025, o Conselho de Estado chinês publicou a diretriz da iniciativa “IA+”, com um objetivo claro: até 2027, mais de 70% de penetração de terminais inteligentes e agentes de IA. Até 2030, mais de 90%. O primeiro prazo vence em pouco mais de um ano.
Meta não é resultado, e o próprio governo chinês ainda não divulgou uma medição oficial do avanço. Mas o que está acontecendo no comércio dá uma ideia da velocidade.
Está trocando a barra de busca por agentes que compram pelo consumidor. Em maio, o Alibaba conectou seu assistente Qwen a todo o catálogo do Taobao e do Tmall, com mais de 4 bilhões de produtos. O agente compara produtos, faz provas virtuais, acompanha o histórico de preço de 30 dias e fecha o pedido. O pagamento é concluído pelo Alipay.
A própria empresa descreve sua IA como “a interface e o executor das transações do consumidor”.
Os números de adoção, reunidos pelo The Next Web, impressionam. O Qwen tinha 300 milhões de usuários mensais ativos nas plataformas do Alibaba no início de 2026. Na campanha do Ano-Novo Chinês, foram cerca de 140 milhões de primeiras experiências de compra assistida por IA. O Alipay registrou 120 milhões de transações feitas por agentes em uma única semana de fevereiro.
Não. É uma corrida de todo o ecossistema. Segundo o The Next Web, a Meituan colocou um assistente de IA na navegação do aplicativo em janeiro. A ByteDance atualizou o chatbot Doubao, a JD.com tem mais de 50 milhões de usuários no assistente Jingyan, e a Tencent está incorporando agentes ao WeChat, que tem 1,3 bilhão de usuários mensais.
Do lado do vendedor, a mudança é igualmente profunda. O Tmall oferece a cada lojista uma equipe de agentes para análise de dados, anúncios, conteúdo visual, atendimento e pós-venda. A ferramenta de atendimento com IA Dianxiaomi foi testada com 200 mil comerciantes e, segundo relatos, aumentou as taxas de conversão em 30%.
Porque considera o domínio tecnológico uma questão de segurança nacional. O 15º Plano Quinquenal, apresentado em março, menciona a inteligência artificial mais de 50 vezes em 141 páginas. Entre as metas estão elevar a participação das indústrias centrais da economia digital para 12,5% do PIB, expandir a adoção de IA por toda a cadeia de suprimentos e comercializar robôs humanoides movidos a IA.
A lógica é a mesma que a China aplicou a veículos elétricos, baterias e painéis solares: definir o setor como prioridade, mobilizar empresas estatais e privadas, criar demanda interna e ganhar escala antes do resto do mundo.
Muda quase tudo. Quando um agente escolhe por você, a vitrine, o anúncio e a posição no resultado de busca perdem peso. O que passa a importar é ser recomendado pela máquina.
O The Next Web registra que alguns varejistas chineses relatam quedas de até 30% no tráfego, à medida que os consumidores passam a comprar dentro dos aplicativos de IA em vez de visitar as lojas virtuais. A reportagem levanta também um risco: agentes ligados a grandes ecossistemas tendem a direcionar o consumidor para os próprios parceiros, e o resultado “pode ser menos escolha, e não mais”.
Para as marcas, a lição é desconfortável. O relacionamento com o cliente pode passar a ser mediado por um agente que não pertence a elas.
Porque a China costuma ser o laboratório do que chega depois ao resto do mundo. A McKinsey, citada pelo The Next Web, projeta que transações conduzidas por agentes podem influenciar até US$ 5 trilhões em vendas globais até 2030.
O Brasil tem condições favoráveis a esse modelo. O consumidor já compra pelo WhatsApp e paga por Pix em segundos, e as conversas com marcas fazem parte do dia a dia. A infraestrutura de pagamento instantâneo, que na China foi construída por Alipay e WeChat Pay, aqui já existe. Falta a camada de agentes, e é questão de tempo até ela chegar.
As empresas que entenderem cedo como esse modelo funciona na China terão vantagem para adaptá-lo à realidade brasileira. As que esperarem vão aprender pelo relatório de vendas.
Relatórios e reportagens explicam o fenômeno, mas não mostram a velocidade com que ele acontece nas ruas, nos escritórios e nas fábricas chinesas. É estando lá que se entende como uma meta de Estado vira hábito de 1 bilhão de consumidores em poucos anos. Conhecer de dentro as empresas que estão construindo o comércio por agentes, das plataformas aos comerciantes, é o que a Missão China da StartSe oferece a líderes que preferem ver o futuro funcionando a ler sobre ele depois.
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