O Gartner propôs um “banco central da IA” para governar a tecnologia sem travar a inovação.
Empresas buscam formas de dar autonomia às equipes sem perder o controle sobre a tecnologia.
, Redator
8 min
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30 out 2026
•
Atualizado: 30 out 2026
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Toda empresa grande já viveu as duas versões do mesmo problema. Na primeira, a área de tecnologia centraliza tudo, cria comitês e aprovações, e a inovação morre na fila. Na segunda, cada área contrata a própria ferramenta de IA, ninguém sabe o que está rodando e o risco se acumula em silêncio.
No Gartner IT Symposium/Xpo deste mês, em Orlando, os analistas propuseram uma saída para esse dilema com uma imagem curiosa: o “banco central da IA”. Segundo o comunicado da conferência, seria uma camada virtual de controle que dá governança e responsabilização para toda a empresa, sem centralizar o controle.
“Não é sobre centralização. É sobre alinhamento, coordenação e colaboração”, disse Kristin Moyer, analista e Gartner Fellow.
Porque o risco está crescendo mais rápido que o valor. Foi essa a mensagem central da abertura do simpósio, para uma plateia de mais de 7.500 CIOs e executivos de tecnologia.
Os números do Gartner mostram o descompasso. Segundo a consultoria, 71% das organizações esperam implantar IA agêntica nos próximos 12 meses, mas só 21% já têm capacidade de governança para esses agentes. E apenas 25% dos CIOs dizem alinhar os riscos de tecnologia aos riscos de negócio.
Ao mesmo tempo, 58% dos líderes de áreas relatam algum valor positivo com suas iniciativas de IA. A tecnologia está entregando, mas os controles não estão acompanhando.
É uma estrutura que define as regras do jogo sem jogar no lugar de cada time. A analogia ajuda a entender. Um banco central não empresta dinheiro diretamente para cada cliente nem decide o que cada banco vai financiar. Ele define as regras, monitora o sistema e intervém quando há risco para todos.
Aplicado à IA, isso significa uma camada que estabelece padrões comuns de segurança, dados e responsabilidade, acompanha o que está rodando na empresa e define limites de risco. Dentro dessas regras, as áreas têm autonomia para experimentar, contratar e implantar.
É o oposto do comitê que aprova cada projeto, e também o oposto da ausência de regras.
Porque a IA se espalhou rápido demais para passar por um único funil. Áreas de negócio contratam ferramentas, funcionários usam assistentes por conta própria e fornecedores embutem IA em softwares que a empresa já usa. Um modelo de governança em que tudo passa pela área de tecnologia vira gargalo ou acaba ignorado.
O Gartner reconhece isso ao destacar o papel dos “artesãos da IA”, usuários avançados que estão gerando valor nas áreas de negócio. A recomendação é dar a eles autonomia para atuar como empreendedores de IA dentro da empresa. Um modelo excessivamente centralizado sufocaria justamente quem mais está gerando resultado.
“O próprio impulso nem sempre é bom, e o tipo certo de freio pode ser benéfico”, disse Daryl Plummer, analista e Gartner Fellow. O desafio é saber onde frear e onde acelerar.
Na maioria das empresas, ainda não. Na pesquisa anual da PwC com conselheiros americanos, divulgada em setembro, 82% avaliaram como regular, ruim ou inexistente a informação que recebem relacionando os resultados da IA com riscos e desempenho do negócio.
Um banco central da IA resolve parte desse problema. Se existe uma camada que acompanha o que está rodando, os custos, os riscos e os resultados, a empresa consegue enfim responder ao conselho com dados, e não com uma lista de projetos.
A pesquisa do Gartner com 2.002 CIOs, mostra por que isso importa: só 13% dizem ter obtido valor significativo ou transformacional com a IA. Sem visibilidade, fica difícil separar o que funciona do que só consome recursos.
Com perguntas simples, e respostas com dono. O que está rodando de IA hoje na empresa, incluindo o que as áreas contrataram por conta própria? Quais regras valem para todos, independentemente de quem contrata? Que nível de autonomia cada tipo de agente pode ter? Quem acompanha custo, risco e resultado de forma consolidada? E quem pode interromper um sistema que saiu do controle?
Nenhuma dessas perguntas exige um novo departamento. Exige uma decisão da alta liderança sobre quem define as regras, quem tem autonomia e quem responde pelo conjunto.
Plummer fez um lembrete que vale para qualquer modelo de governança: a tecnologia “não vai eliminar o risco e não vai gerar valor. A única coisa que pode fazer isso são as pessoas”.
Se a resposta for “cada área cria as suas”, a empresa já tem um sistema financeiro sem banco central: muita atividade, pouca visibilidade e riscos que só aparecem quando viram crise. Se a resposta for “tudo passa por um comitê”, a inovação está parada na fila enquanto a concorrência avança.
A StartSe reuniu o que observou ao longo de 2026 na China, no Vale do Silício e no Brasil para mostrar o que a IA já mudou nas empresas, o que o próximo ano vai cobrar e por onde começar. O mapa será apresentado no Master Talk “O que 2026 mostrou e o que 2027 vai cobrar das empresas”, gratuito e sem replay, no dia 5 de novembro, às 19h.
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