Pesquisa da PYMNTS com a Visa mostra que só 21% dos varejistas brasileiros conseguem identificar compras feitas por agentes de IA. A maior parte ainda vende sem saber para quem.
Experiência na compra online impacta diretamente no resultado
, Redator
8 min
•
13 out 2026
•
Atualizado: 13 out 2026
newsletter
Start Seu dia:
A Newsletter do AGORA!
Imagine que, nesta Black Friday, parte dos seus clientes não vai visitar sua loja. Quem vai visitar é um agente de IA, que compara preços, verifica estoque, escolhe a forma de pagamento e finaliza a compra em nome deles.
Agora imagine que você não tem como saber quais vendas vieram desses agentes.
Esse é o retrato do varejo brasileiro no Global Digital Shopping Index: Merchant Edition, da PYMNTS Intelligence, encomendado pela Visa Acceptance Solutions. O estudo ouviu 1.185 varejistas nos Estados Unidos, no Brasil e nos Emirados Árabes Unidos, em março de 2026.
É quando um agente de IA executa a compra em nome do consumidor. Ele pesquisa, compara opções, escolhe a melhor oferta e, em muitos casos, conclui a transação sem que a pessoa precise entrar no site da loja.
O conceito deixou de ser teoria. Segundo a mesma pesquisa, 56% dos varejistas esperam que agentes concluam transações por conta própria, e 38% projetam que as compras feitas por agentes vão passar de 15% das vendas em dois anos.
Os números dizem que não. No Brasil, só 21% dos varejistas afirmam conseguir identificar o tráfego e as compras feitos por agentes de IA, contra 24% nos Estados Unidos e 31% nos Emirados.
O problema vai além da identificação. Na amostra completa, só 15% dos varejistas têm dados estruturados o suficiente para que um agente consiga ler o site. E 87% dizem que o checkout precisa de alguma melhoria.
No Brasil, o quadro é mais preocupante. Só 6% dos varejistas brasileiros consideram ideal o seu checkout atual, contra 20% nos Estados Unidos. E 43% estão muito ou extremamente preocupados com a capacidade da sua tecnologia de pagamento nos próximos três anos, contra 12% nos EUA.
Sem saber quais vendas vêm de agentes, segundo o relatório, os varejistas ficam “essencialmente cegos”.
Porque é onde o agente decide se a compra acontece ou não. Um consumidor humano tolera um formulário confuso, uma etapa a mais ou uma confirmação por SMS. Um agente de IA, não. Se o processo não é claro, padronizado e legível por máquina, ele simplesmente procura outra loja.
Isso muda a lógica da competição. Hoje, as lojas disputam a atenção humana com design, vitrine e experiência. No comércio agêntico, disputam a capacidade de serem entendidas e escolhidas por software. Dados de produto bem organizados, preço e estoque atualizados em tempo real, políticas claras e checkout simples passam a valer mais que um banner bonito.
A pesquisa também mostra que 58% dos varejistas esperam que os agentes escolham o meio de pagamento com base em taxas e recompensas. A decisão de como pagar também sai das mãos do consumidor.
Já está, e numa escala que o varejo não pode ignorar. Segundo pesquisa da NielsenIQ divulgada em maio e citada pelo ES Hoje, 42% dos consumidores brasileiros já usam ferramentas de IA para checar preços, comparar produtos ou reduzir opções antes de comprar.
A mesma reportagem cita o Agentic Commerce Report, da Worldpay. Segundo esse estudo, 39% dos brasileiros estão dispostos a experimentar compras feitas por agentes nos próximos 12 meses, e 11% das compras no país devem ser feitas por agentes de IA em cinco anos.
O comportamento está mudando antes da infraestrutura.
Muda a forma de disputar o cliente. Em datas de alto volume, em que preço é decisivo, os agentes de IA têm vantagem natural: comparam centenas de ofertas em segundos e não caem em descontos falsos ou preços inflados antes da promoção.
Para o varejista, isso significa que a transparência de preço deixa de ser uma questão de reputação e passa a ser uma questão de sobrevivência. Uma loja que inflou o preço em outubro para dar desconto em novembro vai ser descartada pelo agente, que tem acesso ao histórico.
Significa também que a capacidade de medir passa a ser vantagem competitiva. Quem souber quais vendas vêm de agentes poderá ajustar preço, estoque e campanhas para esse novo canal. Quem não souber vai continuar tomando decisões como se todos os clientes fossem humanos.
Pela base, não pela vitrine. Os primeiros passos são menos glamourosos que um chatbot novo, mas muito mais decisivos:
Nenhum desses passos exige prever exatamente como o comércio agêntico vai evoluir. Todos deixam a empresa mais preparada para qualquer cenário.
O comércio agêntico ainda é pequeno, mas cresce mais rápido do que a preparação do varejo. Os varejistas que esperarem o canal ficar relevante para começar a se adaptar vão descobrir que os agentes já escolheram outras lojas.
Ver de perto como os maiores varejistas do mundo estão se preparando para essa mudança, de dados de produto a pagamentos e checkout, é parte do que a Missão NRF da StartSe proporciona a quem lidera o varejo e quer chegar antes dos agentes, e não depois deles.
Gostou deste conteúdo? Deixa que a gente te avisa quando surgirem assuntos relacionados!
Leia o próximo artigo
newsletter
Start Seu dia:
A Newsletter do AGORA!