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Quase 7 em cada 10 empresas estouraram o orçamento de IA

Relatório da WitnessAI com 300 executivos mostra que 68% das empresas gastaram além do previsto com IA. Só 9% conseguem provar retorno na maioria dos projetos.

Quase 7 em cada 10 empresas estouraram o orçamento de IA

Orçamento da IA está estourado para 7 de cada 10 empresas

Redação StartSe

, Redator

10 min

•

3 nov 2026

•

Atualizado: 3 nov 2026

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A IA saiu cara. Mais cara do que quase todo mundo previu.

Um relatório da WitnessAI, chamado “The Hidden Cost of Enterprise AI”, ouviu 300 executivos de empresas americanas com mais de mil funcionários, entre eles 100 do C-level. Segundo a CFO Dive, 68% disseram que pelo menos parte das iniciativas de IA estourou o orçamento no último ano. Um terço afirmou que isso acontece na maioria das vezes ou sempre.

O outro lado da conta é ainda mais desconfortável. Só 9% dizem que mais de três quartos dos projetos de IA trouxeram retorno financeiro mensurável.

Vale dizer: a WitnessAI vende soluções de segurança e governança de IA, e o recorte do estudo reflete isso. Os números, ainda assim, conversam com o que outras pesquisas vêm mostrando.

Quanto as empresas estão gastando a mais com IA?

O suficiente para virar pauta de CFO. 17% dos executivos estimam um custo anual total com IA entre US$ 10 milhões e US$ 24,9 milhões. E 54% destinam de 21% a 45% do orçamento de IA só para gestão de risco e governança.

Há também os custos que ninguém orçou. 86% das empresas investigaram ao menos um incidente de segurança ou operacional ligado à IA nos últimos 12 meses. Para 21% delas, o incidente mais grave custou US$ 1 milhão ou mais, e 43% somaram pelo menos US$ 2 milhões em custos com incidentes de IA no ano.

A IA não está saindo cara só pela licença do software. Está saindo cara pelo que acontece em volta dela.

Por que o retorno da IA é tão difícil de medir?

Porque o custo está espalhado pela empresa e ninguém junta as peças. O relatório aponta que parte do problema de ROI vem de faturas de fornecedores e dados de produtividade dispersos entre várias unidades de negócio. Cada área compra, testa e paga a sua parte, e o total só aparece, quando aparece, no fechamento do ano.

O departamento financeiro ainda está longe dessa conversa. Só 46% dos executivos dizem que o CFO modela ativamente o risco e o retorno específicos da IA. Outros 38% relatam que o financeiro revisa os gastos, mas não calcula separadamente a exposição a risco.

Esse é o ponto cego. Se a empresa não sabe quanto gasta com IA, não consegue dizer quanto ganha, e projetos ruins sobrevivem porque ninguém consegue provar que eles são ruins.

O que é shadow AI e quanto ela custa?

Shadow AI é o uso de ferramentas de IA fora dos canais formais de TI e compras: o funcionário que assina um serviço com o cartão corporativo, a equipe que conecta um agente a um sistema interno sem avisar ninguém. E ela custa dinheiro.

Segundo o relatório, 30% dos executivos atribuem estouros de orçamento ao uso de IA sem governança ou mal governado, e 27% dizem que esse uso atrasou ou cancelou iniciativas. O curioso é onde a shadow AI mais aparece: na própria área de TI e infraestrutura (47%), à frente de vendas e marketing. A área que deveria controlar é a que mais escapa do controle.

Há também uma diferença grande de percepção. 68% dos executivos do C-level dizem ter total confiança na visibilidade sobre as ferramentas e agentes de IA em uso. Entre os vice-presidentes que executam as implementações, o número cai para 46%. Quanto mais perto do dia a dia, menos confiança.

Os agentes autônomos vão piorar a conta?

Tendem a piorar, se a governança não acompanhar. 70% das empresas ouvidas já usam ou testam agentes de IA capazes de agir sozinhos, mas só 18% dizem que todos esses agentes estão inventariados e aprovados pela segurança. Entre as empresas com agentes em operação, 49% têm monitoramento contínuo e 12% admitem supervisão mínima ou nenhuma.

Os executivos sabem do risco. 91% se preocupam com o aumento da exposição financeira causado por agentes, e 64% acham que o valor compensa o risco. Os dois números convivem na mesma sala de reunião.

Um agente que executa tarefas, aciona sistemas e movimenta dados é uma linha de custo e de responsabilidade que funciona 24 horas por dia. 36% dos executivos estimam que de 3% a 5% da receita anual poderiam estar em risco com multas regulatórias se um agente fora de controle expusesse dados sensíveis.

Quem responde quando a IA dá prejuízo?

Ainda não está claro, e esse é parte do problema. No estudo da WitnessAI, 30% apontam o CIO como principal responsável pela gestão de risco de IA, e só 15% o CISO. Quando a pergunta é quem responde se um agente causar dano financeiro ou regulatório, 26% apontam o CIO e apenas 6% o CISO.

O Global CIO Survey 2026 da Thoughtworks, com 3.200 líderes de tecnologia em dez países, chega à mesma tensão por outro caminho. 88% dizem que a adoção de IA avança mais rápido que as estruturas de governança. No Brasil, onde 400 líderes foram ouvidos, 72% das empresas já têm um Chief AI Officer, mas 35,8% relatam atrito ou responsabilidade confusa entre CIO e CAIO, acima da média global de 28,9%.

Ou seja, as empresas criaram o cargo antes de decidir quem responde pelo quê.

O que muda na gestão de IA antes de 2027?

A IA deixa de ser projeto de inovação e passa a ser linha de orçamento, com dono, meta e auditoria. Esse é o movimento que o próprio relatório sugere quando conclui que a governança atual atrasa a implementação sem reduzir o risco. Ela trava a empresa e não protege.

Na prática, isso exige três decisões que muitas empresas vêm adiando. A primeira é um inventário real de onde a IA está sendo usada, incluindo o que ninguém aprovou. A segunda é colocar o CFO na conversa desde o início, com modelos de custo e risco próprios para IA, e não só revisões de gasto no fim do trimestre. A terceira é definir, por escrito, quem responde quando um agente erra.

Nada disso é tecnologia. É gestão, e é por isso que cabe à liderança, e não só ao time técnico.

Sua empresa sabe quanto a IA custa de verdade?

Se a resposta depende de somar faturas de cinco áreas diferentes, ela já está entre os 68%, mesmo que ainda não saiba. Entender o que muda na gestão de IA antes de 2027, do custo à governança e à responsabilidade, é o tema da Master Talk 2026 da StartSe, com os sócios da StartSe, no dia 5 de novembro, às 19h.

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