Pesquisa da EY com conselheiros brasileiros mostra que 82% das empresas usam IA para eficiência, mas 45% nem começaram a analisar o impacto no modelo de negócio.
Viés de corte de custos predomina na discussão sobre IA nos conselhos
, Redator
8 min
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9 out 2026
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Atualizado: 9 out 2026
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Quando a inteligência artificial entra na pauta do conselho de uma empresa brasileira, a conversa costuma começar pela mesma pergunta: quanto dá para economizar?
É uma pergunta legítima. Também é a mais estreita.
A pesquisa Prioridades dos Conselhos de Administração 2026, da EY Brasil, ouviu mais de cem conselheiros e mostra esse viés. Entre as empresas representadas, 82% já começaram ou planejam usar IA para otimizar processos e reduzir custos. Quando o assunto é usar IA para transformar o modelo de negócio, o número cai para 55%. E 45% sequer começaram essa análise.
Como prioridade declarada, mas sem estrutura proporcional. Segundo a EY, mais de 70% dos conselheiros incluíram inovação, tecnologias emergentes e IA entre as prioridades de 2026. Cerca de 39% dizem que esses temas vão provocar mudanças estratégicas nas suas empresas.
A estrutura de governança, porém, ainda é improvisada:
Em quase quatro de cada dez conselhos, a única fonte de conhecimento sobre IA é a própria gestão que o conselho deveria fiscalizar.
Porque a eficiência protege a margem de hoje, mas não protege o negócio de amanhã. Usar IA para automatizar processos, reduzir custos de atendimento ou acelerar o back-office faz sentido. O problema é parar aí.
Enquanto o conselho discute quanto economizar com IA, um concorrente, muitas vezes de fora do setor, pode estar usando a mesma tecnologia para oferecer o produto de outra forma, atender o cliente por outro canal ou mudar a lógica de preço. A eficiência ajuda a fazer melhor o que a empresa já faz. Não ajuda a perceber que o que ela faz pode deixar de ser necessário.
Esse é o dilema clássico da ambidestria: explorar bem o negócio atual e, ao mesmo tempo, investigar o que pode substituí-lo. Conselhos que só olham para a primeira metade tendem a ser surpreendidos pela segunda.
Em toda reunião, segundo o padrão das empresas que obtêm mais retorno. O Global Board Governance Survey, da Protiviti, com 772 conselheiros e executivos, mostra que só 26% dos conselhos discutem IA em todas as reuniões. Entre as empresas com alto retorno em IA, são 63%. Entre as de baixo retorno, 13%.
A mesma pesquisa observa uma diferença de foco. Empresas menos maduras concentram a IA em eficiência e redução de custos. As mais maduras também a usam para experiência do cliente, inovação e posicionamento competitivo.
É exatamente a diferença que a pesquisa da EY sugere entre a maioria dos conselhos brasileiros e os mais avançados.
Muda a natureza da conversa. Em vez de "quanto a IA vai economizar?", o conselho passa a perguntar coisas como:
Que parte da nossa receita depende de atividades que a IA pode tornar baratas ou gratuitas? Que concorrente, novo ou antigo, está mais bem posicionado para usar IA contra nós? Se começássemos a empresa hoje, com a tecnologia disponível, que estrutura teríamos? Que apostas estamos fazendo, mesmo que pequenas, em modelos que podem substituir o atual?
Essas perguntas não têm resposta rápida, e por isso costumam ficar fora da pauta. Mas são as que definem se a empresa vai liderar ou reagir.
Em muitos casos, ainda não. A pesquisa da EY mostra que 60% dos conselhos não têm nenhum membro com conhecimento em IA. Somado à dependência da diretoria em 38% dos casos, isso cria um ponto cego: o conselho não tem repertório para questionar a estratégia que recebe.
A composição do conselho é uma decisão que muda devagar, mas a formação dos conselheiros pode mudar rápido. Um conselho que dedica tempo a entender como a IA está transformando seu setor, com exemplos concretos, conversas com especialistas e visitas a empresas que já fizeram a mudança, chega às reuniões em outro nível de discussão.
A EY aponta outro sinal de alerta: 27% dos conselheiros se preocupam com o planejamento de sucessão dos principais executivos. Com a IA redefinindo o perfil de liderança, essa preocupação deveria ser maior.
Cortar custos com IA é necessário, mas é a parte fácil. A pergunta difícil, que cabe ao conselho fazer, é se o negócio continua fazendo sentido num mundo em que a IA está disponível para todos, inclusive para os concorrentes.
Se a pauta de IA do seu conselho cabe numa planilha de economia, ela está incompleta. Preparar conselheiros para equilibrar eficiência e reinvenção, com repertório para questionar a estratégia e coragem para olhar além do próximo trimestre, é o que o Board Program da StartSe faz com quem tem a responsabilidade de olhar para o longo prazo.
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