Enquanto o país discute regras para data centers, falta gente que saiba colocar IA para rodar. Para quem empreende, essa escassez é a oportunidade.
O diretor da Nvidia para a América Latina descreve o Brasil como um consumidor de soluções prontas, dependente dos custos de provedores globais.
, Redator
6 min
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2 nov 2026
•
Atualizado: 2 nov 2026
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O Brasil tem energia limpa, uma fila recorde de projetos de data centers e um plano nacional de inteligência artificial. Mesmo assim, os investimentos estão indo para os vizinhos, e os profissionais mais qualificados, para fora do país.
Para quem tem uma empresa, esse atraso cria uma janela de vantagem. E ela tem prazo.
Dentro de uma empresa, ficar só consumindo ferramentas produz o mesmo efeito em escala menor: dependência, e um ganho que não chega ao resultado.
Talento escasso.
Sem projetos locais robustos, cientistas de dados e engenheiros de machine learning migram para o exterior, segundo Márcio Aguiar, diretor da divisão Enterprise da Nvidia na América Latina. Quem fica é disputado.
Computação remota.
Sem incentivo claro, grandes empresas brasileiras já contratam capacidade de computação fora do país e a acessam pela nuvem.
Dependência.
O país consome tecnologia pronta em vez de produzir. Isso limita a propriedade intelectual local e prende as empresas às oscilações de preço dos fornecedores globais.
Enquanto isso, o Paraguai fechou com os Estados Unidos um acordo para usar a energia de Itaipu, usina que divide com o Brasil, numa estrutura de IA prevista para meados de 2027.
Cada um desses efeitos tem outra face. Se o talento técnico é escasso, quem souber colocar IA para rodar dentro de uma operação vira ativo raro, seja num time interno, seja como serviço vendido a outras empresas do setor.
Se a computação chega pela nuvem, construir em cima dela não depende do Redata. E se a maioria das empresas ainda não viu a IA no lucro, a diferença de 2027 vai aparecer em quem mudou o processo.
A janela tem prazo porque a tecnologia anda rápido. Segundo Aguiar, um ou dois meses de atraso já bastam para colocar o país em outra fase da IA. Para uma empresa, a conta é a mesma.
O país pode levar anos para destravar a sua infraestrutura de IA.
As empresas que decidirem agora entram em 2027 com IA rodando, e com uma vantagem que o próprio atraso nacional ajudou a criar.
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