Pesquisa da Thoughtworks com 3.200 líderes de tecnologia mostra que o Brasil é o país onde o CEO mais manda na IA, e onde menos gente se sente responsável por ela.
Inteligência artificial deixou de ser exclusividade das grandes corporações e passa a fazer parte do dia a dia de negócios de todos os portes.
, Redator
8 min
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28 out 2026
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Atualizado: 28 out 2026
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Em quase nenhum outro lugar do mundo a inteligência artificial é tão assunto de CEO quanto no Brasil. Essa é a boa notícia da Pesquisa Global com CIOs 2026 da Thoughtworks, feita pela Censuswide com 3.200 líderes de tecnologia em dez países, 400 deles brasileiros.
A má notícia vem no mesmo estudo. O Brasil também é o país onde as responsabilidades sobre IA estão mais embaralhadas e onde menos executivos se sentem responsáveis pelo que dá errado.
O CEO, mais do que em qualquer outro país pesquisado. No Brasil, 39,8% dos CIOs apontam o presidente da empresa como o principal influenciador das decisões sobre IA. Na média global, são 23,1%.
“O protagonismo dos CEOs é um sinal positivo”, afirmou Alexey Bôas, CTO regional da Thoughtworks para a América Latina.
E é mesmo. Quando a IA vira pauta do topo, ela ganha orçamento, prioridade e velocidade. As decisões deixam de ficar presas no departamento de tecnologia.
Está no meio do caminho entre a decisão e a execução. O Brasil tem uma das maiores taxas de adoção do cargo de Chief AI Officer: 72% das empresas pesquisadas, contra 70% na média global. Mas 35,8% dos CIOs brasileiros relatam atrito ou falta de clareza na relação com o CAIO, o índice mais alto entre os dez países.
Some a isso o fato de que, em 25,8% das empresas brasileiras, as áreas de negócio administram diretamente os orçamentos de IA. O resultado é um triângulo com três vértices em disputa: o CEO, que dá a direção; o CAIO, que deveria coordenar; e o CIO, que responde pela infraestrutura e pelos riscos. Cada um com uma parte do poder, nenhum com o mandato inteiro.
Menos gente do que deveria. Segundo a Thoughtworks, os indicadores de responsabilização dos CIOs brasileiros ficam entre 29% e 35% nas várias categorias, os mais baixos entre os países pesquisados. Só 34,5% se sentem responsáveis por incidentes de segurança envolvendo IA, e 31,5% pelos impactos da transformação sobre a força de trabalho.
Não é um fenômeno só brasileiro, aqui ele é apenas mais acentuado. Um estudo da IBM com 3.221 executivos na Europa e no Oriente Médio, divulgado em outubro, encontrou o mesmo vazio: perguntados sobre quem deve responder por falhas de agentes de IA, a resposta mais comum, o CIO ou o CTO, não passou de 17%.
Quando a responsabilidade se espalha, ela some. E incidentes sem dono tendem a se repetir.
Essa talvez seja a contradição mais interessante da pesquisa. Mesmo com a responsabilização mais baixa e o atrito mais alto, 64,8% dos CIOs brasileiros se dizem muito preparados para governar iniciativas de IA. Na média global, são 53,4%.
Há duas leituras possíveis. Na otimista, o envolvimento do CEO dá aos líderes de tecnologia uma sensação de respaldo que outros países não têm. Na cautelosa, a confiança está à frente da estrutura. Na média global, 88% dos entrevistados admitem que a adoção de IA corre mais rápido que as estruturas de governança, e não há razão para supor que o Brasil seja exceção.
Quando a confiança supera a estrutura, as empresas costumam descobrir o descompasso no pior momento: no meio de um incidente.
Faz, e é onde o Brasil aparece mais atrás. Apenas 12,2% dos CIOs brasileiros dizem investir na qualificação dos profissionais, o índice mais baixo do levantamento. Globalmente, 24% investem em treinar as equipes de tecnologia em IA, dados e automação, e 15% em qualificar toda a força de trabalho.
Governança sem gente preparada vira papel. Regras sobre uso responsável de IA só funcionam quando quem usa entende o que está fazendo e por que aquelas regras existem.
Não necessariamente. A reação instintiva diante de responsabilidades confusas é criar mais normas, comitês e aprovações. Em IA, isso tende a travar justamente a velocidade que o envolvimento do CEO trouxe.
O caminho mais promissor é outro: deixar claro o contexto em vez de multiplicar regras. Isso significa definir quem decide o quê, quais riscos a empresa aceita e quais não aceita, que limites nenhum projeto pode ultrapassar e quem responde, com nome, quando algo sai do esperado. Dentro dessas fronteiras, os times ganham autonomia para avançar.
É uma diferença sutil, mas decisiva. Regras rígidas tentam prever cada situação e envelhecem em meses numa tecnologia que muda toda semana. Contexto claro orienta decisões que ninguém previu.
Bôas resumiu o desafio: “O próximo estágio de maturidade será transformar o entusiasmo pela tecnologia em governança efetiva”.
Se a resposta depende de quem você pergunta, a sua organização faz parte da estatística. O Brasil tem a vantagem rara de CEOs envolvidos com IA. Falta converter esse envolvimento em clareza: papéis definidos, riscos explícitos e lideranças preparadas para decidir sobre uma tecnologia que muda toda semana. Também falta corrigir o dado mais preocupante da pesquisa, os 12,2% que investem na qualificação dos profissionais. Formar lideranças que entendem IA o suficiente para assumir responsabilidade por ela, e não só para aprovar projetos, é o foco do AI Journey da StartSe, pensado para empresas que querem transformar o entusiasmo do topo em capacidade real em toda a organização.
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