O assistente financeiro da fintech do Mercado Livre passa a executar Pix, pagar boletos por voz e apontar para onde o dinheiro do cliente deve ir, sempre dentro do próprio ecossistema.
O aplicativo do Mercado Pago ganha uma camada conversacional de inteligência artificial batizada de "Mago".
, Redator
8 min
•
13 ago 2026
•
Atualizado: 13 ago 2026
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O Mercado Pago anunciou nesta quinta-feira (13) o Mago, nova geração do seu assistente financeiro de inteligência artificial. A ferramenta deixa de apenas responder perguntas e passa a executar tarefas dentro da conversa: paga boleto, faz Pix, acompanha vencimento, simula cenários de investimento e aponta onde o dinheiro do cliente pode render mais.
Por que isso importa: a interface bancária está migrando de menu para conversa, e quem controla a conversa controla a recomendação.
O Mago funciona como uma camada inteligente sobre o app, interpreta linguagem natural e usa os dados que o próprio usuário já tem na plataforma. O assistente organiza finanças sem passar por menus, consulta gastos, rentabilidade, saldo e projeções, paga contas e boletos, faz transferências, aceita comandos por mensagem de voz, avisa sobre vencimentos, compara produtos financeiros com seus respectivos riscos e reforça a prevenção a fraudes com alertas e validações extras em operações sensíveis.
A empresa é explícita sobre o limite do produto. O Mago não é consultor financeiro e não decide pelo cliente. Organiza, explica, simula e executa o que foi pedido. Toda operação exige confirmação.
"Mago representa um novo capítulo da estratégia de inteligência artificial do Mercado Pago", afirma André Chaves, vice-presidente sênior e country head da empresa no Brasil. "Mais do que automatizar tarefas, queremos oferecer inteligência financeira para milhões de pessoas, mantendo sempre o usuário no controle de cada decisão."
O assistente lançado em outubro de 2025, cuja evolução é o Mago, chegou a 17 milhões de usuários únicos, segundo o Mercado Pago. Cerca de dez meses de operação. As funções mais usadas são Pix e transferências, acompanhamento de contas e boletos e organização da vida financeira.
Uma pesquisa da empresa feita em junho com 2.300 usuários indica o terreno: 64% dizem ter interesse em usar IA para organizar as finanças e 73% acreditam que a tecnologia vai mudar a forma como as pessoas lidam com dinheiro nos próximos anos. Ao mesmo tempo, 34% apontam segurança e privacidade como principal preocupação. O levantamento é proprietário, com amostra própria e interesse comercial no resultado. Serve como sinal de direção, não como retrato do país.
Contexto de escala: o grupo soma mais de 88 milhões de usuários ativos mensais na América Latina, número referente ao segundo trimestre de 2026.
Aqui está o detalhe que a maioria da cobertura vai deixar passar. O Mago apresenta oportunidades dentro do próprio ecossistema do Mercado Pago e identifica onde movimentar recursos para aproveitar melhores rendimentos. Integrado ao Open Finance, também puxa saldos de outras instituições para dentro da conversa do Mercado Pago.
Traduzindo: o conselho é entregue por quem tem estoque próprio na prateleira, e a conversa concentra a visão financeira do cliente no app de um único player. Nada disso é irregular. É estratégia de distribuição bem executada. Mas muda a natureza da pergunta que o cliente deveria fazer, de "qual a melhor opção do mercado" para "qual a melhor opção que este assistente conhece".
Vale para bancos e vale para qualquer empresa que estiver colocando um agente entre o cliente e o catálogo.
Voz reduz atrito e reduz comparação. Quanto mais fácil resolver por comando falado, menor a chance de o cliente abrir um segundo app para comparar. Conveniência é barreira de saída.
A prateleira conversacional é o novo canal. Empresas com base grande vão brigar por ser o assistente padrão do cliente, não o melhor site.
Fraude passa a ser modelo contra modelo. A prevenção virou função do próprio assistente. Golpe automatizado exige defesa automatizada.
Adoção não é o gargalo. Dezessete milhões de pessoas usando IA financeira em dez meses mostram que a resistência do usuário é menor do que a maioria dos comitês internos supõe. O gargalo está na distribuição e na integração de dados.
Governança vira pauta de conselho. Quando um agente sugere movimentação de recursos, alguém responde pela sugestão. Empresas que forem colocar agentes na frente do cliente precisam decidir isso antes do lançamento, não depois do primeiro incidente.
Para ir mais fundo: o Convergência Summit da StartSe reúne 210 empresários e C-levels nos dias 3 e 4 de novembro de 2026, na sede da StartSe em São Paulo, para mapear como IA, robótica, agentes autônomos e novas dinâmicas de trabalho se combinam em 2027. O acesso é por aplicação.
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