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Mais da metade dos brasileiros já deixa a IA decidir o que vai para o carrinho

A pesquisa Voz do Consumidore o levantamento de comércio B2B da Deloitte mostram que o comprador — pessoa física ou empresa — já delega decisão de compra a agentes de IA

Mais da metade dos brasileiros já deixa a IA decidir o que vai para o carrinho

Foto: Steven Puetzer (Getty Images)

Redação StartSe

, Redator

7 min

4 set 2026

Atualizado: 4 set 2026

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Mais da metade dos brasileiros já usa inteligência artificial para buscar melhores preços e planejar a compra de alimentos. O dado é da pesquisa Voz do Consumidor 2025, da PwC, que ouviu mais de 20 mil pessoas em 28 países, incluindo uma amostra de mil brasileiros. Não é mais uma curiosidade de early adopter — é comportamento de massa entrando pela porta da frente do varejo mais tradicional que existe: a compra de comida.

Enquanto o consumidor já age, a maioria das empresas ainda está decidindo como reagir. Essa defasagem é o verdadeiro tema por trás da palavra da vez, "agentic commerce".

O que muda quando o consumidor delega a decisão de compra a um agente de IA?

Muda o ponto de disputa. Quando é a pessoa que compara preços e decide, a marca disputa atenção com anúncio, vitrine, promoção. Quando é um agente de IA que compara e decide por ela, a disputa passa a ser por critério programável: preço, prazo de entrega, política de devolução, dado estruturado de produto. Publicidade tradicional perde força; integração técnica com o agente ganha.

Esse deslocamento já não é hipótese de futuro distante. É o motivo pelo qual a NRF 2026, principal evento de varejo do mundo, tratou a IA como infraestrutura do setor — não mais como funcionalidade extra de aplicativo.

Só 11% das empresas têm agentes em produção — mas o consumidor já não espera

O lado da oferta está muito atrás do lado da demanda. Segundo o Tech Trends 2026 da Deloitte, apenas 11% das empresas relatam ter agentes de IA rodando em produção hoje. Ao mesmo tempo, 74% dos líderes planejam usar IA agêntica de forma moderada nos próximos dois anos, e 85% esperam customizar agentes para automatizar partes do próprio negócio.

A intenção existe. A execução, não — e enquanto essa lacuna não fecha, é o consumidor quem está definindo, sozinho, como quer usar IA para comprar, sem esperar que a marca ofereça a experiência pronta.

O mercado de agentic commerce pode valer US$ 45 bilhões até o fim da década

O tamanho da oportunidade também já tem número. As TMT Predictions 2026 da Deloitte estimam o mercado de agentes de IA em até US$ 35 bilhões até o fim da década — e em até US$ 45 bilhões se as empresas conseguirem orquestrar esses agentes de forma estratégica e mitigar os riscos de governança envolvidos.

A diferença entre os dois cenários não é tecnológica. É de gestão: quem tratar agente de IA como parte central da estratégia comercial capta a fatia maior; quem tratar como experimento lateral, a menor.

Compra B2B também virou terreno de agentes: quase 4 em cada 10 compradores já usam IA

O fenômeno não é exclusivo do consumidor final. A 2026 B2B Commerce Research da Deloitte, com mais de mil fornecedores e compradores nos Estados Unidos, mostra que quase 40% dos compradores B2B já usam IA agêntica em etapas do processo de compra — avaliação de produto, configuração de pedido, revisão de contrato.

Do lado dos fornecedores, 24% já usam agentes no processo de vendas, e 67% planejam adotar em breve. E o custo de ignorar essa mudança é mensurável: compradores gastam 30% a mais com fornecedores que oferecem boa experiência, enquanto 13% das vendas são perdidas por causa de experiências ruins — uma experiência positiva pode significar até 36% de aumento de receita, segundo a mesma pesquisa.

Governança é o elo que falta: 1 em cada 5 empresas tem controle maduro sobre agentes autônomos

O maior risco nesse movimento todo não é técnico, é de controle. Apenas 20% das empresas relatam ter um modelo de governança maduro para agentes autônomos, segundo o State of AI in the Enterprise 2026, da Deloitte. Enquanto isso, 42% ainda estão desenvolvendo alguma estratégia para o tema, e 35% não têm estratégia nenhuma.

Um agente de IA tomando decisão de compra em nome de um cliente — ou de um comprador corporativo — sem regra clara de responsabilidade, dado auditável e limite de autonomia é passivo, não ativo. A pressa em lançar o recurso sem essa base é o tipo de decisão que costuma virar manchete errada meses depois.

Sua marca está pronta para ser escolhida por um algoritmo, não por uma pessoa?

O consumidor brasileiro já deu o primeiro passo: mais da metade dele já delega parte da decisão de compra a uma IA. A pergunta que sobra para quem lidera comércio, varejo ou operação comercial B2B é se a empresa vai desenhar essa experiência de forma deliberada — com governança, dado estruturado e estratégia — ou vai deixar o consumidor descobrir sozinho o caminho de menor resistência, que pode não passar pela marca.

Entender essa transição e saber decidir como posicionar suas empresas, e-commerces e times de vendas é o que o Executive Program, da StartSe, aborda em sua programação. Porque decidir é, também, sobre preparo e timing.

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