PwC e Diligent Institute mostram: 82% dos conselheiros já usam IA generativa no trabalho de board, mas só 6% têm política formal para isso.
Conselheiros ainda buscam entender a IA sobre a mesa
, Redator
7 min
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3 set 2026
•
Atualizado: 3 set 2026
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Oito em cada dez conselheiros de empresas públicas nos Estados Unidos já usaram inteligência artificial generativa no trabalho de conselho nos últimos seis meses. O número é da Diligent Institute, que mediu 82% de adoção no seu Director Confidence Index do segundo trimestre de 2026 — um salto em relação aos 66% registrados em setembro de 2025.
A curva de adoção não é a notícia. A notícia é o que vem logo depois: 54% desses mesmos conselheiros dizem não ter nenhuma orientação sobre como usar IA no trabalho de board, e apenas 6% relatam existir uma política formal específica para isso.
Governança de IA virou pauta de toda diretoria executiva. Só que a mesa que deveria supervisionar esse processo — o conselho — está, ela mesma, usando a tecnologia sem regra clara.
A pesquisa da Diligent Institute com 104 diretores de empresas públicas americanas, em parceria com a Corporate Board Member, detalha os usos: 30% dos conselheiros usaram IA para resumir livros de conselho antes das reuniões, 45% para preparar discussões ou fazer benchmarking, e 49% já ouviram falar de colegas usando ferramentas públicas — não aprovadas pela empresa — para esse trabalho. Esse último dado é o que deveria acender o alerta em qualquer comitê de auditoria: informação sensível de conselho passando por ferramentas de IA sem contrato de confidencialidade, sem controle de dados, sem rastro.
Não é um problema de adoção lenta. É o oposto: a adoção correu na frente da governança, e agora alguém precisa alcançar o próprio processo que já está em curso.
Olhando para fora da sala de conselho, a Pesquisa Anual de Diretores Corporativos 2025 da PwC mostra que 35% dos board members afirmam que seus conselhos já integraram IA — incluindo IA generativa — às atividades de supervisão da empresa, com expectativa de crescimento ao longo de 2026. Isso soa como avanço. Mas "integrar IA à supervisão" pode significar coisas muito diferentes: de uma discussão pontual em pauta de reunião até um processo estruturado de acompanhamento de risco algorítmico.
A distância entre essas duas coisas é exatamente onde a maioria dos conselhos brasileiros ainda está patinando.
A Diligent Institute também perguntou sobre o impacto percebido da IA no negócio: 60% dos diretores em geral observam mudanças moderadas ou significativas causadas pela tecnologia em suas empresas. Entre diretores que integram comitês de risco especificamente, esse número sobe para 79%. Faz sentido — é o comitê de risco quem primeiro vê os incidentes, os quase-acidentes, as perguntas de auditoria que a diretoria executiva ainda não sabe responder direito.
Olhando para frente, 45% dos conselheiros esperam que o maior impacto da IA nos próximos anos recaia sobre cibersegurança e governança de dados, e 41% sobre estratégia e crescimento. Ou seja: os dois assuntos que mais rotineiramente aparecem em pauta de conselho são exatamente os dois mais afetados por uma tecnologia que o próprio conselho ainda não sabe como supervisionar de forma consistente.
Uma pesquisa Deloitte Global com 739 diretores e executivos C-level, citada em análise do Deloitte Center for Board Effectiveness, chega a uma conclusão direta: conselhos que tratam IA como uma sucessão de decisões pontuais — aprovar um projeto aqui, questionar um investimento ali — acabam sempre um passo atrás. A recomendação é estruturar um "roadmap de governança de IA" com três perguntas fixas em toda reunião relevante: qual o impacto real da tendência tecnológica na estratégia de curto e longo prazo, quais métricas a gestão usa para separar projeto-piloto de resultado mensurável, e se o nível de fluência técnica dos próprios diretores é compatível com o escopo do que estão supervisionando.
O relatório sugere ainda algo pragmático: conselhos não precisam reinventar a roda. Podem se inspirar em playbooks que já dominam — como os usados para supervisionar cibersegurança ou migração para nuvem — e adaptar essa estrutura para IA, em vez de tratá-la como uma categoria totalmente nova de risco.
Reunindo os três estudos, o quadro é nítido: adoção alta (82%), regra quase inexistente (6%), supervisão declarada mas rasa (35%) e um caminho já mapeado para fechar essa lacuna (o roadmap da Deloitte). O que falta não é dado, é decisão — e decisão de conselho não se terceiriza para o próximo ciclo de reuniões.
Sua mesa de conselho já decidiu quem responde quando a IA usada por um diretor — sem política, sem contrato, sem rastro — colocar em risco uma informação que nunca deveria ter saído daquela sala? É esse tipo de critério, e a maturidade de governança para sustentá-lo, que o Board Program da StartSe foi desenhado para formar em quem senta naquela mesa.
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