Levantamentos recentes mostram que o investimento em inteligência artificial disparou no Brasil, enquanto o retorno em receita e eficiência ainda é raro.
Empresas brasileiras investem cada vez mais em IA, mas poucas convertem isso em receita real. Entenda o paradoxo da produtividade com IA.
, Redator
5 min
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24 ago 2026
•
Atualizado: 24 ago 2026
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Uma pesquisa da Deloitte, o State of AI 2026, mostra que 87% dos líderes empresariais brasileiros acreditam que a inteligência artificial vai impulsionar o crescimento das suas empresas. O problema aparece na linha seguinte da mesma pesquisa: apenas 22% dizem ter visto aumento de receita com IA, e só 23% conseguiram de fato colocar seus projetos para rodar em escala. A fé no potencial da tecnologia segue intacta.
O resultado de negócio, não.
O fenômeno não é exclusivamente brasileiro. O Goldman Sachs analisou a relação entre adoção de IA e produtividade econômica nas empresas americanas e concluiu que a contribuição da IA para o crescimento do PIB em 2025 foi praticamente nula, com apenas 1% das empresas do S&P 500 que discutem IA nos resultados conseguindo quantificar o impacto nos lucros. No Brasil, o padrão se repete: a pesquisa Amcham/Humanizadas Panorama 2026, com 629 executivos representando mais de 592 mil funcionários, encontrou que apenas 3% das empresas converteram IA em novas receitas ou vantagem competitiva.
Parte da explicação está no investimento real por trás do entusiasmo declarado. Quase 80% das empresas brasileiras, mais exatamente 77%, não têm orçamento dedicado à IA ou destinam menos de 2% de seus investimentos ao tema, segundo o mesmo levantamento da Amcham. O diretor executivo de Inovação da entidade resume o cenário como um descompasso entre prioridade declarada e recurso alocado, o que compromete desde a definição de objetivos até a mensuração de valor dos projetos de IA.
Esse é o tipo de lacuna que programas como a AI Journey da StartSe tentam endereçar, ao levar líderes de transformação digital a modelos de negócio onde a adoção de IA já saiu do piloto e virou estrutura de operação.
Adicionar ferramentas de IA a um fluxo de trabalho já ineficiente tende a acelerar a execução sem mudar o destino: a empresa produz mais rápido, no mesmo lugar. O ganho real de produtividade aparece quando a tecnologia é aplicada sobre processos já mapeados, com gargalos identificados e retrabalho eliminado antes da automação. Quando isso não acontece, a IA amplia o ruído operacional em vez de reduzi-lo.
Empresas que reportam ganho real de produtividade com IA têm um traço em comum: tratam a tecnologia como projeto de gestão, não como compra de licença. Isso envolve redesenho de processo antes da implementação, capacitação contínua das equipes e métricas de acompanhamento definidas desde o início, não criadas depois para justificar o investimento. A combinação de dados organizados, cultura orientada a resultado e liderança que entende a tecnologia tende a produzir vantagem competitiva sustentável, enquanto empresas que apenas replicam o processo antigo com uma camada de IA por cima permanecem no mesmo patamar de eficiência de antes, só que com custo mais alto.
O intervalo entre discurso e resultado deve continuar existindo em 2027 para boa parte do mercado. As empresas que fecharem essa distância antes das concorrentes vão colher a vantagem competitiva que hoje ainda é apenas promessa em slide de board.
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