Sou Aluno
Formações
Imersões Internacionais
Global MBAs
Eventos
AI Tools
Artigos
Sobre Nós
Para Empresas
Consultoria
Tecnologia

Empresas que lideram IA têm em comum regras claras para matar projetos

Pesquisa do Gartner com 2.002 CIOs mostra que só 13% viram valor significativo na IA

Empresas que lideram IA têm em comum regras claras para matar projetos

Onde está o erro nos projetos de IA?

Redação StartSe

, Redator

9 min

•

28 out 2026

•

Atualizado: 28 out 2026

newsletter

Start Seu dia:
A Newsletter do AGORA!

Toda empresa grande tem um cemitério de pilotos de IA. A diferença é que, na maioria delas, os mortos continuam andando: projetos que não entregam, mas ninguém tem coragem ou critério para encerrar.

O Gartner acaba de colocar números nesse problema. Uma pesquisa com 2.002 CIOs e executivos de tecnologia, divulgada em 19 de outubro, mostra que só 13% dizem que suas empresas já obtiveram valor significativo ou transformacional com inteligência artificial. A chance de sucesso de um caso de uso de IA continua em torno de uma em cinco.

“Volume não é valor”, resumiu Alicia Mullery, vice-presidente e analista do Gartner.

Por que tão poucas empresas tiram valor relevante da IA?

Porque a maioria trata IA como uma corrida de quantidade. Cada área quer o seu piloto, cada fornecedor tem uma demonstração nova, cada conselho pergunta “o que estamos fazendo com IA?”. A resposta mais fácil é uma lista longa de iniciativas.

Lista longa, porém, não é estratégia. Com uma taxa de acerto de um em cinco, uma carteira de 50 projetos tem uns dez promissores e 40 consumindo dinheiro, atenção e gente boa. O problema não está nos 40 que falham, porque falhar faz parte de experimentar. Está em mantê-los vivos.

O que as empresas mais avançadas fazem de diferente?

Elas decidem antes quando vão parar. O Gartner chama de “vanguarda” o grupo de CIOs que entrega resultados melhores e tem um CEO que enxerga valor alto na IA. Esse grupo tem uma característica marcante: regras explícitas de desistência.

Empresas com critérios definidos para quando um piloto não deve ir para produção têm 2,3 vezes mais chance de estar na vanguarda. Só 31% dos CIOs têm esses critérios.

Empresas com regras para abandonar iniciativas de baixo valor que já estão em produção têm 2,6 vezes mais chance. Só 17% têm essas regras.

Leia de novo: 83% das grandes empresas não têm um jeito definido de desligar uma IA que já está rodando e não entrega. Ela fica lá, consumindo licença, processamento e equipe de sustentação, porque desligar exige uma decisão que ninguém foi encarregado de tomar.

Por que é tão difícil encerrar um projeto de IA?

Porque encerrar parece admitir um erro, e IA virou assunto de reputação interna. O diretor que patrocinou o piloto não quer ser o dono do fracasso. O fornecedor promete que a próxima versão resolve. O time se apegou ao trabalho.

Mullery diz que definir e respeitar esses critérios “é um esporte coletivo”. E faz uma cobrança direta: os CIOs precisam de parceiros de negócio “dispostos e prontos a abandonar investimentos de baixo valor”.

A frase muda o eixo da conversa. Desistir não é uma decisão técnica do departamento de TI, e sim uma decisão de negócio, que precisa de alguém do negócio assinando embaixo.

A conta da IA está ficando mais cara?

Está, e de um jeito novo. Segundo o Gartner, 58% dos CIOs sentem mais pressão para entregar redução de custos com IA, mas 51% esperam que a IA aumente o custo total de propriedade das soluções de tecnologia.

A explicação de Mullery é precisa: “Diferentemente dos custos tradicionais de tecnologia, que são em grande parte previsíveis, os custos de IA são probabilísticos e determinados em tempo de execução”. Cada consulta, cada agente rodando, cada tarefa automatizada consome processamento. Um projeto que parecia barato no piloto pode custar muito mais em escala.

Muitas empresas, segundo ela, ainda aplicam modelos de financiamento e governança desenhados para investimentos tradicionais em tecnologia. É como orçar uma conta de luz com a lógica de compra de um equipamento.

O risco está crescendo mais rápido que o valor?

Para os CIOs, sim. Na abertura do Gartner IT Symposium/Xpo, em Orlando, os analistas apresentaram um dado que explica a urgência: 71% das organizações esperam implantar IA agêntica nos próximos 12 meses, mas só 21% já têm capacidade de governança para esses agentes.

Agentes que agem sozinhos multiplicam tanto o valor quanto o risco. Uma carteira de IA sem regras de corte, somada a agentes sem governança, é a receita para acumular problemas mais rápido do que benefícios.

Daryl Plummer, analista e Gartner Fellow, lembrou um ponto que costuma se perder no entusiasmo: a tecnologia, sozinha, “não vai eliminar o risco e não vai gerar valor. A única coisa que pode fazer isso são as pessoas”.

E as pessoas, onde entram nessa conta?

Entram no dado mais impressionante da pesquisa. Empresas com planos explícitos para redesenhar funções para uma força de trabalho que mistura humanos e agentes têm 2,4 vezes mais chance de estar na vanguarda. Só 4% dos CIOs têm esses planos.

Quatro por cento. Quase todas as empresas estão colocando IA em funções que continuam desenhadas como se a IA não existisse.

Para Mullery, o verdadeiro diferencial está no redesenho do trabalho. A vanguarda entende que, à medida que a IA assume tarefas especializadas, “as organizações vão precisar de menos tipos de funções, mesmo com o escopo de responsabilidade de cada função aumentando”. Menos cargos, mais amplos. É uma mudança de organograma, e não de ferramenta.

Sua empresa sabe dizer não para a própria IA?

Faça um teste simples na próxima reunião de diretoria. Pergunte quantas iniciativas de IA a empresa encerrou nos últimos seis meses e com base em qual critério. Se a resposta for “nenhuma” ou “não temos critério”, a sua carteira está crescendo por inércia, e não por estratégia. As empresas que mais ganham com IA não são as que têm mais projetos, e sim as que têm coragem e método para cortar os que não funcionam e redesenhar o trabalho em volta dos que funcionam. Criar essa disciplina na organização inteira, do conselho às áreas, é o que o AI FIRST da StartSe ajuda lideranças a construir, com critério para apostar e coragem para desistir.

Gostou deste conteúdo? Deixa que a gente te avisa quando surgirem assuntos relacionados!

Imagem de fundo do produto: IA para Negócios - Imersão Executiva Presencial | StartSe

Assuntos relacionados

Imagem de perfil do redator

Leia o próximo artigo

newsletter

Start Seu dia:
A Newsletter do AGORA!