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DeepSeek e Huawei se juntam na missão chips de IA

A DeepSeek está ajudando a Huawei a desenhar chips de IA sob medida para seus modelos, segundo o The Information. O objetivo é reduzir a dependência da Nvidia.

DeepSeek e Huawei se juntam na missão chips de IA

Deepseek e Huawei juntas por chips de IA

Redação StartSe

, Redator

8 min

•

21 out 2026

•

Atualizado: 21 out 2026

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Em janeiro de 2025, uma startup chinesa pouco conhecida fez o mercado de tecnologia tremer. O lançamento do modelo da DeepSeek, desenvolvido com uma fração dos recursos dos rivais americanos, derrubou as ações da Nvidia e causou uma perda de US$ 589 bilhões em valor de mercado em um único dia. Segundo a Bloomberg, foi a maior perda da história do mercado de ações.

Quase dois anos depois, a DeepSeek mira outro ponto sensível: os chips.

Segundo reportagem do The Information repercutida pela Exame em 19 de outubro, a DeepSeek está ajudando a Huawei a desenhar chips de IA feitos sob medida para seus modelos. O objetivo é reduzir a dependência dos processadores da Nvidia no treinamento de novos modelos.

O que a DeepSeek e a Huawei estão fazendo juntas?

Desenhando chips e software em conjunto. Segundo a reportagem, engenheiros da Huawei trabalham nos escritórios da DeepSeek e incorporam sugestões da startup sobre cálculos e transferência de dados entre processadores. A DeepSeek planeja começar a treinar modelos com o chip Ascend 950DT, da Huawei, até o fim de 2026.

A Exame faz uma ressalva importante: trata-se de um plano, não de uma migração comprovada.

A parceria já aparece em ferramentas públicas. Em 30 de setembro, a DeepSeek liberou rotinas de cálculo adaptadas aos chips da Huawei e ferramentas de comunicação entre processadores, além de suporte nativo à família Ascend 950 em uma linguagem de programação que facilita escrever código para diferentes chips. Segundo a Exame, os testes divulgados medem componentes isolados e não provam o desempenho no treinamento de um modelo completo.

Por que isso é um desafio para a Nvidia?

Porque ataca a principal vantagem da empresa: o software. A Nvidia não domina o mercado só pela qualidade dos chips. Sua plataforma CUDA, com compiladores, bibliotecas e ferramentas de desenvolvimento, é usada há anos por pesquisadores e empresas de IA. Trocar de chip significa adaptar todo esse software, e é isso que torna a mudança difícil.

Ao desenvolver chips e software juntas, a DeepSeek e a Huawei tentam reduzir essa barreira. Segundo a Exame, a iniciativa amplia as alternativas chinesas à Nvidia, mas ainda não representa uma substituição completa. As novas ferramentas, por si só, não substituem a CUDA.

O que é o Ascend 950DT?

É o chip da Huawei voltado ao treinamento de modelos de IA, previsto para o quarto trimestre de 2026. A Huawei apresentou seu plano de chips em setembro de 2025, durante o evento Huawei Connect, em Xangai, segundo a RCR Wireless. O anúncio foi feito por Eric Xu, presidente rotativo da empresa.

O plano prevê um lançamento por ano, dobrando a capacidade de computação a cada geração:

ChipPrevisãoFoco
Ascend 950PR1º trimestre de 2026Inferência e recomendação
Ascend 950DT4º trimestre de 2026Treinamento
Ascend 9604º trimestre de 2027Cerca do dobro da capacidade do 950
Ascend 9702028Nova duplicação de capacidade

A Huawei também desenvolve sua própria memória de alta velocidade, um dos componentes mais disputados na indústria de IA. E planeja lançar sistemas com milhares de chips interligados: o Atlas 950 SuperPoD, com 8.192 chips, também previsto para o fim de 2026.

Por que a China está acelerando seus próprios chips?

Por causa das restrições americanas. Os Estados Unidos limitam o acesso da China aos processadores mais avançados, e a indústria chinesa enfrenta gargalos na produção de semicondutores. Desenvolver uma cadeia própria, do chip ao modelo, virou prioridade estratégica.

A parceria entre DeepSeek e Huawei mostra uma característica desse esforço: a integração entre quem desenvolve modelos e quem desenvolve chips. Em vez de adaptar modelos a chips genéricos, as empresas chinesas estão desenhando os dois juntos, cada um ajustado ao outro.

O que isso muda para as empresas fora da China?

Muda o mapa da tecnologia de IA, que tende a ficar mais dividido. Se a China conseguir uma cadeia completa e competitiva de chips, modelos e software, o mundo pode ter dois grandes ecossistemas de IA, com padrões, fornecedores e custos diferentes.

Para empresas brasileiras e de outros países, isso traz oportunidades e riscos. De um lado, mais concorrência pode reduzir custos e aumentar as opções. Modelos chineses como os da DeepSeek já são usados no mundo todo por oferecerem bom desempenho a custo menor. De outro, a divisão geopolítica pode trazer restrições, exigências de conformidade e dúvidas sobre segurança de dados.

Entender o que está acontecendo na China deixou de ser curiosidade e virou parte do planejamento estratégico.

Sua empresa acompanha o que a China está construindo em IA?

A parceria entre DeepSeek e Huawei é mais um sinal de que a corrida da IA não tem um único centro. A China está construindo, com velocidade e planejamento de longo prazo, uma alternativa própria em chips, modelos e software. Empresas que olham só para o Vale do Silício correm o risco de perder metade da história.

Ver de perto como as empresas chinesas estão inovando em IA, semicondutores e manufatura é o que a Missão China da StartSe proporciona a líderes que querem entender a outra metade da corrida tecnológica.

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