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Consumidores querem que a IA compre por eles, mas não sem pedir licença

Pesquisa da Commerce e da PayPal com 3 mil compradores mostra que dois terços querem testar compras feitas por agentes de IA. A condição é manter o controle da decisão final.

Consumidores querem que a IA compre por eles, mas não sem pedir licença

E-commerce (Foto: Pexels)

Redação StartSe

, Redator

8 min

•

1 out 2026

•

Atualizado: 1 out 2026

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Imagine pedir a um assistente de IA: "Compre um presente para minha mãe, até R$ 300, que chegue antes de domingo". Ele pesquisa, compara, escolhe e paga. Você só confere o resultado.

É esse o cenário do chamado comércio agêntico, e o consumidor parece pronto para testá-lo, com uma condição. Uma pesquisa da Commerce com a PayPal, feita pela Logica Research com 3 mil compradores online nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Austrália, mostra que 67% dos americanos, 64% dos britânicos e 63% dos australianos têm interesse em experimentar ferramentas de compra por agentes de IA. Mas a confirmação da compra aparece como o fator mais importante para a adoção nos três países.

Em outras palavras, o consumidor quer delegar a busca, mas não a decisão.

O que é comércio agêntico?

É quando agentes de IA não só recomendam produtos, mas executam a compra em nome do consumidor: pesquisam opções, comparam preços, verificam prazos e, em alguns casos, finalizam o pagamento. A diferença em relação a um chatbot de recomendação está justamente na ação. O agente não diz o que comprar, ele compra.

A pesquisa mostra que o terreno está preparado. Nos EUA, 66% dos entrevistados já usam IA diariamente e 28% usam a tecnologia durante as compras. No Reino Unido, os números são 62% e 21%. Na Austrália, 57% e 20%.

A IA já está mudando o jeito de comprar?

Já, e rápido. Dados da Adobe Analytics mostram que o tráfego para sites de varejo nos Estados Unidos vindo de ferramentas de IA generativa cresceu 693,4% na temporada de festas de 2025, em comparação com 2024. Na Cyber Monday, a alta foi de 670%. A própria Adobe ressalta que a base de usuários ainda é modesta, mas a curva de crescimento é inequívoca.

O ganho percebido também é concreto. Na pesquisa da Commerce e PayPal, cerca de metade dos consumidores que usam IA para comprar dizem gastar menos tempo pesquisando produtos: 50% nos EUA, 54% no Reino Unido e 53% na Austrália.

Por que o consumidor não quer dar autonomia total ao agente?

Porque comprar envolve dinheiro, dados e risco, e a confiança ainda não chegou lá. A pesquisa mostra que 82% dos consumidores americanos e 79% dos australianos exigem que a segurança do pagamento feito por agentes seja igual ou melhor que a dos métodos atuais. O estudo conclui que a adoção em larga escala vai depender de confiança, transparência e segurança, e não de autonomia total da IA sobre as compras.

Esse é um recado importante para o varejo. O modelo que vai vencer provavelmente não é o agente que decide tudo sozinho, e sim o que faz o trabalho pesado de pesquisa e comparação e devolve ao consumidor uma escolha fácil de aprovar.

O que muda para marcas e varejistas?

Muda quem é o "cliente" que a loja precisa convencer. Se um agente de IA faz a primeira triagem, ele vai comparar preço, prazo, avaliação, política de troca e disponibilidade de forma fria e rápida. Descrições de produto confusas, estoque desatualizado e informação que só existe em imagem viram desvantagem competitiva, porque a máquina não consegue ler o que não está estruturado.

O branding tradicional também perde parte da força. Um agente não se encanta com uma vitrine bonita. Ele avalia se aquela oferta atende ao pedido do usuário. A marca continua importando, mas precisa estar traduzida em dados verificáveis: reputação, qualidade, consistência de entrega.

E há uma disputa pela relação com o consumidor. Se a compra passa a começar dentro de um assistente de IA, e não no site ou no app da loja, quem controla esse assistente passa a controlar boa parte da jornada.

Como se preparar para o consumidor que compra por meio de agentes?

Começando pelo básico que muitas operações ainda não resolveram: catálogo com dados completos e padronizados, estoque e preço atualizados em tempo real, políticas claras e fáceis de interpretar. É a infraestrutura que permite que um agente encontre, entenda e recomende o produto.

Depois, vem a camada de confiança. Se a confirmação da compra é o fator número 1 para o consumidor, experiências que tornam essa confirmação simples, transparente e segura tendem a sair na frente. Pagamento, rastreabilidade e facilidade de devolução passam a fazer parte da estratégia de IA, e não só da operação.

Por fim, é preciso gente preparada para desenhar essa experiência. Comércio agêntico não é um projeto de TI. Envolve marketing, operações, jurídico, atendimento e finanças, e exige lideranças que entendam como a IA muda a jornada do cliente de ponta a ponta.

Sua empresa está pronta para vender para um agente de IA?

O consumidor já sinalizou que quer delegar a pesquisa e manter a palavra final. As empresas que entenderem esse equilíbrio, com dados organizados, confiança no pagamento e experiência pensada para humanos e agentes ao mesmo tempo, vão capturar a próxima onda do comércio digital. Preparar lideranças para conduzir essa transformação com estratégia, cultura e capacitação em IA é o que o AI Journey da StartSe oferece, antes que o próximo cliente da sua loja seja um algoritmo.

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