O novo Claude supera GPT-5.4 e Gemini 3.1 Pro. Mas o Mythos, que ninguém pode usar, supera todos
Anthropic lança Claude Opus 4.7 — mas o modelo mais poderoso continua trancado a sete chaves
, Redator
10 min
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20 abr 2026
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Atualizado: 20 abr 2026
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Novo modelo supera GPT-5.4 e Gemini 3.1 Pro em benchmarks de programação e raciocínio, mas fica atrás do Mythos Preview, restrito a um grupo seleto de empresas por razões de cibersegurança
A Anthropic lançou nesta quinta-feira (16) o Claude Opus 4.7, seu modelo de IA mais capaz disponível para o público geral. Nos benchmarks divulgados pela empresa, o Opus 4.7 supera o GPT-5.4 da OpenAI e o Gemini 3.1 Pro do Google em categorias como programação agêntica, raciocínio multidisciplinar e uso de computador. Mas a própria Anthropic fez questão de deixar claro: ele não é o melhor modelo que ela tem. O Claude Mythos Preview, revelado no início de abril como parte do Project Glasswing, segue superior em praticamente todos os testes — e continua restrito a cerca de 40 organizações que constroem ou mantêm infraestrutura de software crítica no mundo.
Por que isso importa: A Anthropic está fazendo algo que nenhuma outra empresa de IA fez até agora: admitir publicamente que tem um modelo mais poderoso do que aquele que vende ao mercado — e que escolheu não liberá-lo. A razão é concreta: o Mythos Preview é capaz de encontrar e explorar vulnerabilidades de segurança em todos os principais sistemas operacionais e navegadores do mundo, segundo a própria empresa. Isso cria um precedente novo no mercado de IA. A mensagem implícita para CEOs e diretores de tecnologia é: os modelos que estão chegando ao mercado já são deliberadamente limitados. O que está por trás da cortina é outra coisa.
O novo modelo é focado em desenvolvedores e profissionais de conhecimento. Os destaques, segundo o blog oficial da Anthropic e testes de parceiros de acesso antecipado:
→ Programação: retomou o topo do ranking em agentic coding entre modelos públicos, com 64,3% no SWE-bench Verified. O cofundador do Cursor, Michael Truell, reportou salto de 58% para 70% no CursorBench. A Rakuten disse que o modelo resolve 3x mais tarefas de produção que o antecessor.
→ Visão: processa imagens com até 2.576 pixels na borda mais longa — mais de 3x a resolução dos modelos anteriores. A XBOW, empresa de testes de penetração, reportou salto de 54,5% para 98,5% em seu benchmark de acuidade visual.
→ Auto-verificação: o modelo checa seus próprios resultados antes de reportá-los, um comportamento que testadores descreveram como ter um "revisor sênior embutido".
→ Preço: inalterado em relação ao Opus 4.6 — US$ 5 por milhão de tokens de entrada e US$ 25 por milhão de tokens de saída, conforme a Anthropic.
O modelo já está disponível nos produtos Claude (web e app), via API, e nas plataformas Amazon Bedrock, Google Cloud Vertex AI e Microsoft Foundry.
Para saber mais: anthropic.com/news/claude-opus-4-7
É impossível falar do Opus 4.7 sem falar do que ele não é.
O Claude Mythos Preview, anunciado em abril como parte do Project Glasswing, é descrito pela Anthropic como o modelo mais capaz que a empresa já treinou. Nos benchmarks comparativos publicados pela própria empresa no lançamento do Opus 4.7, o Mythos supera todos os outros modelos — incluindo o novo Opus — em praticamente todas as categorias.
O Mythos já identificou milhares de vulnerabilidades zero-day (falhas desconhecidas pelos desenvolvedores) em todos os principais sistemas operacionais e navegadores, segundo a página do Project Glasswing. A gravidade foi tamanha que, de acordo com a Benzinga, o Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, convocaram CEOs dos principais bancos americanos para alertá-los sobre os riscos de cibersegurança do modelo.
Os parceiros de lançamento do Glasswing incluem AWS, Apple, Broadcom, Cisco, CrowdStrike, Google, JPMorganChase, Linux Foundation, Microsoft, NVIDIA e Palo Alto Networks. A Anthropic comprometeu US$ 100 milhões em créditos de uso para o programa.
A estratégia declarada: usar o Opus 4.7 como laboratório para testar salvaguardas de cibersegurança em campo. O que for aprendido vai pavimentar o caminho para uma eventual liberação dos modelos da classe Mythos ao público.
1. O "capability overhang" é real. A distância entre o que as empresas de IA já conseguem fazer e o que liberam ao mercado está aumentando. O Mythos é a prova. Para quem toma decisões de tecnologia, isso significa que os benchmarks públicos não contam toda a história — e que as capacidades disponíveis daqui a 6-12 meses podem ser radicalmente diferentes das atuais. Planejar infraestrutura e equipes de IA com base no que existe hoje é jogar conservador demais.
2. Cibersegurança virou prioridade nº 1 na corrida de IA. Quando o Tesouro americano e o Fed convocam banqueiros para discutir um modelo de IA, o recado é claro: os riscos cibernéticos deixaram de ser teóricos. Empresas de todos os tamanhos que ainda tratam segurança digital como "coisa do TI" precisam reposicionar o tema na agenda do board. A Anthropic criou até um programa de verificação (Cyber Verification Program) para profissionais de segurança que queiram usar o Opus 4.7 para testes legítimos.
3. A corrida agora é por confiança, não só performance. A estratégia da Anthropic de segurar o Mythos e liberar um modelo deliberadamente menos capaz é uma aposta de posicionamento: ser a empresa que prioriza segurança. Enquanto a OpenAI e o Google correm para lançar modelos cada vez mais potentes, a Anthropic joga o jogo inverso — e isso pode definir quem ganha os contratos enterprise de maior valor, onde compliance e governança pesam tanto quanto performance.
4. A Anthropic está chegando ao Brasil — e isso muda o tabuleiro. O Brasil já é o 3º maior mercado do Claude no mundo, atrás apenas de EUA e Índia, segundo o Bloomberg Línea. A empresa está abrindo escritório em São Paulo ainda em 2026, focada no segmento corporativo. A receita anualizada da Anthropic ultrapassou US$ 30 bilhões no início do ano, segundo o Tecnoblog, com o número de clientes que investem mais de US$ 1 milhão por ano no Claude dobrando de 500 para mais de mil em apenas dois meses.
É a primeira vez que a empresa marca presença em um evento brasileiro — e a escolha não é casual. O AI Festival reúne CEOs, diretores e empreendedores que estão na ponta de decisão sobre implementação de IA. É exatamente o público que a Anthropic quer alcançar enquanto prepara sua operação local.
A empresa que decidiu não liberar ao público o modelo de IA mais poderoso que já criou — por considerá-lo perigoso demais — vai estar em São Paulo para conversar sobre o futuro da inteligência artificial com quem está no comando das maiores empresas do país.
Dois dias intensivos com os maiores nomes de IA do Brasil e do mundo. Cases reais, workshops práticos e acesso direto a quem está definindo as regras do jogo.
13 e 14 de maio de 2026 | Pro Magno — São Paulo
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