Sou Aluno
Formações
Imersões Internacionais
Global MBAs
Eventos
AI Tools
Artigos
Sobre Nós
Para Empresas
Consultoria
Tecnologia

China constrói "sol artificial" e liga 7 reatores nucleares em 2026: o que isso muda no jogo da energia

China avança em duas frentes nucleares ao mesmo tempo — e o mundo inteiro deveria prestar atenção

China constrói "sol artificial" e liga 7 reatores nucleares em 2026: o que isso muda no jogo da energia

China avança em duas frentes nucleares ao mesmo tempo — e o mundo inteiro deveria prestar atenção

Redação StartSe

, Redator

10 min

20 abr 2026

Atualizado: 20 abr 2026

newsletter

Start Seu dia:
A Newsletter do AGORA!

A China está construindo simultaneamente o que pode ser a primeira máquina a gerar eletricidade por fusão nuclear na história — o chamado "sol artificial" — e, em paralelo, colocando sete novos reatores convencionais de fissão em operação ainda neste ano. São duas apostas ao mesmo tempo: uma no presente e outra no futuro da energia. E ambas avançam em ritmo que nenhum outro país do mundo consegue acompanhar.

Por que isso importa: Energia é o gargalo invisível de tudo — da corrida da IA à reindustrialização global. Enquanto EUA e Europa debatem permissões ambientais e custos de construção, a China está criando fatos consumados. Quem controlar a geração de energia barata, limpa e escalável nas próximas décadas vai ditar as regras da economia global. Isso não é só geopolítica. É o que vai definir onde data centers serão construídos, quanto custará rodar modelos de IA em escala e quais países vão atrair — ou perder — investimentos industriais.

O que está acontecendo:

A agência estatal chinesa Xinhua divulgou em 16 de abril novas imagens aéreas da construção do BEST (Burning Plasma Experimental Superconducting Tokamak), em Hefei, na província de Anhui. Trata-se de uma versão aprimorada do reator EAST, que já bateu recorde mundial ao sustentar plasma por mais de 1.000 segundos em janeiro de 2025.

O projeto BEST pretende demonstrar ganho líquido de energia de fusão e gerar eletricidade por volta de 2030 — um marco descrito por cientistas chineses como acender a "primeira lâmpada movida a fusão nuclear" da humanidade. A construção começou em 2023 e a previsão de conclusão é até o final de 2027.

Na outra ponta, sete reatores nucleares de fissão estão programados para ser concluídos e entrar em operação na China este ano, segundo relatório da organização de energia atômica do país citado pela CCTV e divulgado pela Bloomberg.

Para ter ideia da escala: a China já opera 60 reatores nucleares comerciais e tem 36 unidades em construção — incluindo duas que começaram obras este ano —, configurando o maior programa de construção nuclear do planeta.

Os números que dimensionam a ambição:

O 15º Plano Quinquenal da China estabelece meta de 110 gigawatts de capacidade nuclear até 2030. Isso representa um salto de 76% em relação aos cerca de 62 gigawatts em operação no final de 2025 — e vem depois de o país ter falhado em cumprir metas anteriores de 58 GW até 2020 e 70 GW até 2025.

Atingir essa meta exigiria adicionar cerca de 10 gigawatts por ano — ritmo inédito na história da energia nuclear global. Segundo a BloombergNEF, cerca de 15 reatores devem entrar em operação no mundo em 2026, adicionando perto de 12 gigawatts de nova capacidade. A China, sozinha, responde por quase metade disso.

E não é só volume. Todos os novos projetos de reatores chineses já utilizam 100% de componentes fabricados domesticamente, refletindo um alto grau de independência tecnológica na cadeia de suprimentos.

O contexto que a maioria ignora:

A fusão nuclear é frequentemente tratada como ficção científica. A piada recorrente é que a fusão "está sempre a 30 anos de distância". Mas algo mudou.

A conferência de energia de fusão realizada em Hefei no início de 2026 concluiu que o desenvolvimento global da fusão está se aproximando de um ponto de virada histórico, da exploração científica para a demonstração de energia.

O reator BEST foi projetado para alcançar um ganho energético cinco vezes maior que o input — enquanto o projeto americano SPARC, da Commonwealth Fusion Systems, mira apenas dobrar a energia que consome. E apesar de ambos terem começado na mesma época, a construção chinesa avançou significativamente mais rápido.

A China também anunciou planos para construir uma "Fusion City" em Changfeng County, Hefei — uma zona de demonstração de ciência e inovação em fusão que integrará campus de pesquisa, clusters industriais e instalações residenciais de apoio.

Não é um projeto de pesquisa. É uma aposta industrial.

Sinais e impactos — o que observar:

Para quem opera em setores intensivos em energia: A China está criando as condições para oferecer energia nuclear barata em escala industrial. Se a fusão funcionar até 2030 — mesmo que em demonstração limitada — ela redefine o custo-base de energia para todo o ecossistema industrial chinês. Isso afeta diretamente a competitividade de quem compete com manufatura chinesa.

Para quem está na corrida da IA: Data centers consomem energia equivalente a cidades de médio porte. A explosão de demanda por IA está fazendo a conta de energia subir nos EUA — onde empresas como Microsoft reativaram até usinas como Three Mile Island para suprir seus sistemas. A China, ao escalar energia nuclear doméstica, pode oferecer custo energético estruturalmente mais baixo para processamento de IA. Isso não é teoria. É vantagem competitiva sendo construída tijolo por tijolo.

Para o Brasil: O país tem uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, mas não tem programa nuclear em escala comparável nem estratégia declarada de capturar investimentos de data centers via energia barata. Enquanto a China constrói "Fusion Cities" e os EUA debatem a reativação de usinas antigas, o Brasil permanece na encruzilhada entre vocação renovável e inércia estratégica.

O ponto que ninguém está fazendo: A China já descumpriu duas metas nucleares consecutivas (2020 e 2025). Mesmo assim, definiu uma terceira ainda mais agressiva. A leitura superficial é que Pequim é irreal. A leitura estratégica é outra: metas ambiciosas com execução parcial ainda produzem mais resultado do que metas conservadoras cumpridas com folga. Se a China atingir 80% da meta de 110 GW, já terá o maior parque nuclear do planeta com larga vantagem.

Para ficar de olho:

O primeiro SMR (reator modular pequeno) do mundo aprovado pela Agência Internacional de Energia Atômica — o Linglong One, chinês — completou testes de turbina a vapor em dezembro de 2025 e deve entrar em operação no primeiro semestre de 2026. A China planeja usar esses reatores menores para abastecer regiões com redes elétricas mais fracas, um modelo que pode ser exportado para dezenas de países emergentes.

Se a China dominar a exportação de reatores nucleares pequenos e baratos — da mesma forma que já domina painéis solares e baterias — o mapa energético global muda de novo. E quem depende de fornecedores ocidentais de tecnologia nuclear pode se ver com opções mais caras e mais lentas.

Quer entender de perto como a China está redesenhando o tabuleiro da energia e da tecnologia global? Conheça a Imersão China da StartSe

Gostou deste conteúdo? Deixa que a gente te avisa quando surgirem assuntos relacionados!

Imagem de fundo do produto: Executive Program | StartSe

Assuntos relacionados

Imagem de perfil do redator

Leia o próximo artigo

newsletter

Start Seu dia:
A Newsletter do AGORA!