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Chefes otimistas, times exaustos: a Forrester batizou o intervalo de 2026

A consultoria prevê um ano de "coasting" corporativo — e o Edelman Trust Barometer 2026 ajuda a explicar por que tanta gente escolheu essa estratégia de sobrevivência.

Chefes otimistas, times exaustos: a Forrester batizou o intervalo de 2026

O clima de incerteza e cansaço atravessa muitos escritórios atualmente.

Redação StartSe

, Redator

7 min

7 set 2026

Atualizado: 7 set 2026

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A Forrester deu nome a um comportamento que quem lidera time já deve estar sentindo, mesmo sem saber descrever: "coasting" — fazer o suficiente para não chamar atenção, sem se entregar de verdade a nada, enquanto se espera a poeira baixar. Segundo as Predictions 2026: The Workforce Muddles Through Ambient Disruption, da Forrester, essa vai ser a estratégia de sobrevivência de boa parte da força de trabalho ao longo do ano.

O motivo não é preguiça. É desconfiança bem fundamentada.

O que significa "coasting" na previsão da Forrester para 2026?

Na definição da consultoria, é o estado em que o funcionário entrega o mínimo aceitável, evita risco e guarda energia — uma resposta racional a um ambiente em que ele não controla as decisões que mais afetam seu futuro no cargo. Não é sabotagem. É preservação.

O relatório também prevê um aprofundamento da distância entre lideranças, que seguem otimistas com o potencial da IA, e funcionários, que chegam ao trabalho com a energia já drenada antes mesmo de abrir o notebook. Otimismo de um lado, exaustão do outro — na mesma empresa, na mesma reunião.

Por que o RH pode ser a área mais afetada por essa lógica de eficiência

A Forrester projeta que times de RH podem sofrer cortes de até 50% na aposta de que ferramentas de IA vão entregar a mesma eficiência com menos gente. É uma ironia notável: a área historicamente responsável por cuidar do engajamento e da cultura organizacional é também uma das mais expostas ao corte motivado pela própria tecnologia que deveria ajudá-la a cuidar melhor das pessoas.

Isso tende a produzir o pior dos dois mundos — menos capacidade de escutar o time, justamente no momento em que o time mais precisa ser escutado.

Metade dos cortes por IA será revertida — só que com salário menor

Outra previsão da Forrester acrescenta um ingrediente de desconfiança concreta: metade das demissões atribuídas à IA deve ser revertida silenciosamente, com as vagas voltando — só que via terceirização no exterior ou com salários mais baixos. Ou seja, o corte nem sempre significa que a função deixou de ser necessária. Às vezes significa que a empresa vai pagar menos pela mesma entrega.

Esse tipo de reversão silenciosa não vaza como release de imprensa. Vaza como boato de corredor — e é exatamente esse boato que alimenta o instinto de guardar energia em vez de se entregar.

O motivo por trás do "coasting": 54% acham que vão ficar para trás

O Edelman Trust Barometer 2026, pesquisa global em 28 países, ajuda a explicar a origem dessa desconfiança: entre populações de renda mais baixa, 54% acreditam que pessoas como elas serão deixadas para trás pela inteligência artificial generativa — número que sobe para 71% no Reino Unido e 65% nos Estados Unidos.

Empresas seguem como a instituição mais confiável do levantamento pelo sexto ano consecutivo, à frente de governos e mídia. Só que confiança institucional alta e medo pessoal do próprio futuro no emprego não se cancelam — convivem na mesma pessoa, ao mesmo tempo.

A distância entre otimismo de liderança e exaustão de equipe está crescendo

Some as duas fontes e o quadro fica nítido: lideranças leem os ganhos de produtividade e projetam otimismo institucional. Funcionários leem o boato do colega recontratado com salário menor e o dado de que mais da metade das pessoas parecidas com elas teme ficar para trás — e projetam autopreservação. Nenhum discurso de all-hands sobre "estarmos todos juntos nessa jornada de IA" resolve essa equação sozinho, porque o problema não é de comunicação. É de incentivo real percebido de forma desigual.

Sua liderança está gerenciando a ansiedade da equipe, ou só o próprio otimismo?

O "coasting" não é o time sendo difícil. É o time reagindo, com racionalidade, a sinais confusos sobre segurança no emprego, remuneração e reconhecimento durante uma transição tecnológica real. Tratar isso como problema de engajamento ou de "mindset" ignora a causa e trata só o sintoma.

Entender essa dinâmica, e ter repertório para liderar um time atravessando incerteza real sem recorrer só a discurso motivacional, é o tipo de capacidade que separa quem sai de 2026 com um time mais forte de quem sai com um time só sobrevivendo. É essa formação de liderança, para o cenário real e não o cenário do slide de kickoff, que o Executive Program da StartSe foi desenhado para desenvolver.

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