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Brasileiro prefere trocar de área do que aguentar chefe sem conexão

Sabe aquela história de "nosso santo não bateu"? Agora foi confirmada por pesquisa.

Brasileiro prefere trocar de área do que aguentar chefe sem conexão

Pesquisa da Edelman revela que funcionário brasileiro rende menos sob liderança com valores diferentes dos seus

Redação StartSe

, Redator

7 min

6 ago 2026

Atualizado: 6 ago 2026

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A polarização que já afeta o debate público chegou de forma concreta dentro das empresas brasileiras, e o dado mais recente sobre o tema expõe um desafio de liderança que a maioria dos gestores ainda não está preparada para enfrentar. 

Antes de detalhar esses números, vale registrar que esse tipo de competência, liderar equipes plurais sem terceirizar o problema para o RH, é justamente o que o Executive Program, da StartSe, ajuda a desenvolver.

O dado que expõe o novo desafio da liderança plural

O Edelman Trust Barometer 2026 chama esse fenômeno de crise da insularidade, e o Brasil aparece entre os países mais afetados. Segundo o levantamento, 41% dos empregados brasileiros afirmam que prefeririam mudar de departamento a reportar a um gestor com valores diferentes dos seus, enquanto 28% dizem que se esforçariam menos em um projeto liderado por alguém com crenças políticas distintas. Esse não é um dado sobre política, é um dado sobre produtividade: parte relevante da força de trabalho já admite render menos por causa de diferença de valores com a própria chefia.

O tamanho dessa insularidade também aparece no perfil de quem confia em quem. Entre pessoas com mentalidade insular, apenas "meu CEO" é visto como confiável por 65% dos empregados, o que reduz drasticamente o raio de influência de qualquer liderança que não seja a mais próxima e já validada por proximidade pessoal.

Por que a insularidade cresce justamente agora

Esse comportamento não nasce isolado, nasce de um ambiente de insegurança mais amplo que já se instalou dentro das empresas. As tensões geopolíticas impactam diretamente o ambiente de trabalho: no Brasil, 71% dos empregados dizem estar preocupados com os efeitos de conflitos comerciais e tarifas sobre suas empresas, enquanto 74% temem perder o emprego diante de uma possível recessão, ambos atingindo níveis recordes segundo a pesquisa.

Esse medo econômico se traduz em comportamento defensivo dentro da equipe. Os brasileiros confiam sete pontos mais em empresas nacionais do que em empresas estrangeiras, e 25% dos entrevistados no país apoiariam a redução do número de empresas estrangeiras no Brasil, mesmo que isso significasse preços mais altos. Quando a insegurança econômica aumenta, a tendência de buscar proximidade com quem parece "igual" também aumenta, e isso se reflete direto na relação entre líder e equipe.

Números que mostram o tamanho do problema no Brasil

O Edelman Trust Barometer 2026 é a 26ª edição da pesquisa anual de confiança da Edelman, produzida a partir de entrevistas online de 30 minutos conduzidas entre 25 de outubro e 16 de novembro de 2025, o que dá ao dado brasileiro peso de série histórica, não de amostra isolada. Diante desse quadro, a pesquisa apresenta o conceito de brokering de confiança, um conjunto de práticas voltadas a facilitar a construção de confiança entre pessoas e grupos com visões diferentes dentro da mesma organização.

Reconhecer esse desafio é o primeiro passo, mas exige repertório prático de liderança que a maioria dos gestores nunca recebeu formalmente. É esse tipo de habilidade, mediar equipes plurais sem depender só de política de RH, que o Executive Program ajuda a desenvolver entre líderes que já sentem esse atrito na própria equipe, mesmo sem nomear o problema dessa forma.

O que muda na prática de um líder que quer atravessar essa divisão

Alguns comportamentos ajudam a reduzir o efeito da insularidade dentro de uma equipe:

  • Separar desempenho de afinidade pessoal. Avaliar entrega com critério objetivo, independentemente de o colaborador compartilhar ou não os mesmos valores do líder, é o que sustenta credibilidade em equipes plurais.
     
  • Nomear a diferença sem transformá-la em confronto. Reconhecer abertamente que a equipe tem visões diferentes, sem tratar isso como problema a ser resolvido pela força, reduz a tensão que a insularidade tenta evitar pelo isolamento.
     
  • Construir pontos de identidade compartilhada além de valores pessoais. Objetivo de negócio, entrega concreta e reconhecimento por resultado funcionam como terreno comum quando valores pessoais divergem.
     
  • Não depender só do RH para mediar esse tipo de atrito. O gestor direto tem influência muito maior sobre esse comportamento do dia a dia do que qualquer política corporativa aplicada de cima para baixo.

O caminho para liderar equipes plurais sem terceirizar o problema

A insularidade não vai desaparecer sozinha, e tratar o tema como assunto exclusivo de política interna de diversidade é subestimar o quanto isso já afeta produtividade no dia a dia. Ignorar esse dado não elimina o comportamento, apenas deixa o líder sem repertório para lidar com ele quando aparece.

A pergunta que fica para qualquer gestor não é se a própria equipe tem essa diversidade de valores. É se existe preparo real para liderar apesar dela, em vez de esperar que ela simplesmente não afete o resultado.

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