Enterprise cresceu cinco vezes no país em um ano, sinal de que adoção de IA saiu do piloto e virou prioridade de investimento.
Enquanto o Brasil sobe no ranking global de receita da OpenAI, o intervalo para adotar IA com vantagem competitiva encurta.
, Redator
9 min
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19 ago 2026
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Atualizado: 19 ago 2026
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Enquanto boa parte das empresas brasileiras ainda debate se vale a pena investir em inteligência artificial de forma estruturada, o mercado já respondeu essa pergunta com dinheiro.
O Brasil está entre os cinco países que mais geram receita para a OpenAI no mundo, segundo dados apresentados pela própria companhia, e a divisão de enterprise da operação local cresceu cinco vezes no último ano.
Para quem decide investimento em tecnologia dentro de uma empresa, esse dado muda o tipo de pergunta que precisa ser feita.
O vice-presidente internacional de Estratégia e Operações da OpenAI, Oliver Jay, foi direto ao afirmar que o Brasil está definitivamente no top 5 em receita para a companhia. O número de usuários brasileiros quase dobrou em relação a 2025, mantendo o país entre os três maiores mercados em usuários, atrás apenas de Estados Unidos e Índia. O volume de mensagens diárias saltou de cerca de 140 milhões em novembro do ano passado para algo em torno de 215 milhões, alta de mais de 53%.
Esses números não refletem apenas curiosidade de usuário individual. Entre os desenvolvedores que usam a API da companhia, o Brasil aparece em segundo lugar globalmente, e é o maior mercado do Codex, plataforma de geração de código da OpenAI, em toda a América Latina. O padrão é claro: o país não está apenas experimentando IA, está construindo produto e operação sobre ela.
O dado mais relevante para quem lidera não é o crescimento de usuários finais, é o salto de cinco vezes na divisão enterprise em apenas um ano. Esse tipo de crescimento não acontece por curiosidade tecnológica, acontece porque empresas já estão extraindo valor mensurável de agentes de inteligência artificial em operações reais.
Os exemplos citados pela própria OpenAI confirmam o padrão: o Itaú usa a ferramenta em toda a operação, e o Nubank está desenvolvendo um "private banker" digital movido por IA para levar conhecimento sobre investimentos a uma audiência maior. Não são pilotos isolados de inovação. São integrações profundas de IA em processos centrais de negócio, no setor mais regulado e mais sensível a risco da economia brasileira, o financeiro.
Um detalhe da entrevista de Jay explica onde está o gargalo real da adoção corporativa de IA. Segundo ele, uma grande parte das equipes que a companhia está contratando no Brasil são engenheiros de implementação, que ajudam as empresas a realmente extrair valor da tecnologia. O executivo também apontou que aplicar modelos de IA em operações sensíveis exige um nível mais alto de entendimento sobre como gerenciar esses modelos e aplicar as salvaguardas corretas.
Essa afirmação tem uma implicação direta para o C-level: o limite da adoção de IA corporativa não é mais acesso à tecnologia, é capacidade interna de implementação com governança. Empresas que já resolveram o acesso e ainda travam no resultado, em geral, travam nesse ponto, não na ferramenta em si.
Três leituras práticas emergem desse cenário para lideranças que ainda tratam IA generativa como pauta de TI, e não como decisão estratégica de negócio.
A primeira é sobre velocidade de decisão. Quando a divisão enterprise de um dos maiores provedores de IA do mundo cresce cinco vezes em um ano dentro do país, a pergunta relevante não é mais "quando vamos adotar", é "quanto tempo de vantagem competitiva ainda existe antes de essa adoção se tornar padrão de mercado, não diferencial".
A segunda é sobre onde investir primeiro. O padrão observado em Itaú e Nubank não é adoção de ferramenta isolada, é integração de IA em processo central com governança dedicada. Empresas que tentam pular a etapa de governança para acelerar entrega tendem a acumular risco invisível que aparece depois, na forma de decisão automatizada mal calibrada ou exposição regulatória.
A terceira é sobre talento. Se o próprio provedor da tecnologia está contratando massivamente para funções de implementação, isso confirma que o gargalo de adoção corporativa não é a IA em si, é a capacidade humana de traduzir a ferramenta em resultado de negócio com segurança. Empresas que não estão formando essa capacidade internamente vão depender integralmente de fornecedores externos para algo que se tornará competência central de operação.
O crescimento da OpenAI no Brasil acontece em paralelo a um debate sobre soberania digital que ainda não tem resposta definida. Segundo o Ministério da Fazenda, 60% do consumo de processamento de dados no país ocorre fora do território nacional, majoritariamente nos Estados Unidos. O Chief Strategy Officer da OpenAI, Jason Kwon, foi questionado sobre planos de processamento local e não confirmou nenhuma decisão concreta, apenas afirmou que a companhia está aberta a conversas em várias regiões do mundo.
Esse ponto importa para conselhos e comitês de risco que avaliam fornecedores estratégicos de tecnologia: adoção acelerada de IA generativa, sem cláusula clara sobre localização de dados e continuidade de serviço, é decisão de negócio que carrega risco geopolítico, não apenas risco técnico.
O Brasil não é mais mercado emergente para inteligência artificial, é mercado prioritário para os principais provedores globais da tecnologia. Isso significa que o intervalo entre "adotar IA como vantagem competitiva" e "adotar IA porque todo concorrente já adotou" está encolhendo rapidamente. Para quem lidera decisão de investimento em tecnologia, o momento de estruturar essa adoção com estratégia e governança, em vez de reagir ao que o concorrente já fez, é agora.
Programas voltados a preparar lideranças para essa transição, com foco em estratégia de adoção e não apenas em ferramenta, como o AI Journey da StartSe, respondem justamente a essa urgência: transformar dado de mercado em decisão estruturada antes que a janela de vantagem competitiva se feche.
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