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B2W compra startup Shipp e plataforma Packk - entenda a tendência dos super apps

A B2W anunciou a compra de duas startups da área de delivery e dá mais um passo em sua estratégia de oferecer um super app - entenda a tendência.

B2W compra startup Shipp e plataforma Packk - entenda a tendência dos super apps

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, Head de Conteúdo na Captable

7 min

7 abr 2021

Atualizado: 11 jan 2023

Por Victor Marques

A B2W anunciou a compra das startups Shipp e Packk por valor não divulgado. Ambas as startups eram do Grupo Zaitt e foram adquiridas pela B2W para aumentar a capilaridade nesse nicho de mercado, ou seja, a aquisição faz parte da estratégia da B2W de ser mais relevante no dia a dia dos clientes, oferecendo: Tudo. A toda hora. Em qualquer lugar.

O QUE FAZEM AS STARTUPS? 

Shipp: A Shipp é uma startup de entregas sob demanda que iniciou suas atividades em 2017, na forma de uma alternativa ao tradicional modelo de delivery. O foco da startup é oferecer mais conveniência para os clientes, que, através de um aplicativo, podem fazer pedidos em supermercados, restaurantes, farmácias, pet shops, ou qualquer outro estabelecimento. 

A plataforma já enviou mais de 750 mil pedidos por meio de seus 36 mil entregadores e tem 2.800 estabelecimentos cadastrados. É referência regional (Espírito Santo) no segmento, sendo o segundo maior player local do nicho.

Packk: A Packk tem o objetivo de apoiar empresas na digitalização dos seus negócios. A startup desenvolveu tecnologia proprietária para disponibilizar uma plataforma de entregas rápidas para grandes empresas. A startup atua no segmento de Delivery as a Service, oferecendo toda a logística necessária para desenvolver um e-commerce, desde o atendimento até a entrega.

A Packk já conquistou grandes clientes, como Sapore, Nestlé e Intercity Hotels. Tinha como clientes alvo as redes varejistas, hotéis, shopping centers e até associações comerciais (que poderiam montar marketplaces para seus associados). Portanto, o fit com a B2W, uma rede varejista, fica claro.

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ENTENDA A ESTRATÉGIA

A aquisição da Shipp tem o objetivo de permitir a entrada da B2W no setor de Ultra Fast Delivery (entregas em poucos minutos). A meta é melhorar a experiência dos consumidores na categoria de food delivery, além de expandir a categoria "Mercado" para novas localidades. Outro objetivo é auxiliar nas soluções O2O (Online to Offline), que funcionam como uma ponte entre pedidos online e lojas físicas, também conhecido como ship from store, hoje operado pela Ame Flash, plataforma proprietária da B2W que conta com mais de 20 mil entregadores e presença em mais de 700 cidades. 

Já a aquisição da Packk deve auxiliar os comerciantes que vendem através dos marketplaces da B2W e precisam de auxílio em todo o processo envolvido na logística de entrega. Além disso, a gigante pode oferecer os serviços como um opcional aos terceiros que vendem através de sua plataforma ou integrar completamente o serviço como uma vantagem competitiva às outras opções de marketplaces online.

POR QUE IMPORTA?

Os movimentos de aquisições frequentes por grandes players do mercado de varejo online, como B2W e Magazine Luiza, vêm se tornando cada vez mais frequentes. A estratégia é oferecer o máximo de serviços dentro de um só app, tendência que vem sendo chamada de super app. 

O objetivo dos super apps é que o cliente cada vez mais não precise ter múltiplos aplicativos para consumir diferentes produtos, aumentando a consolidação das ofertas e a proximidade do usuário do app à marca: se um consumidor da Americanas abrisse uma vez por mês o app para comprar um produto, por exemplo, havia menos afinidade com a empresa - com os super apps o objetivo é que você aumente a frequência de contato com um determinado aplicativo e, com isso, se identifique mais com a marca.

A tendência dos super apps começou na China, com o WeChat - aplicativo chinês que integra desde um mensageiro eletrônico (como o WhatsApp), sistema de pagamentos, reserva de hotéis, até agendamento de consultas médicas. A ideia deu tão certo que o WeChat se tornou importante para a digitalização da sociedade chinesa. Hoje, o app oferece até mesmo um sistema de identificação digital dos cidadãos, como se fosse um RG digital.

No Brasil, a possibilidade de haver apenas dois apps monopolizando o mercado como ocorre na china (WeChat e AliPay) é baixa. Há inúmeras empresas disputando o espaço e a tendência que se observa é a absorção de concorrentes da mesma área, mas não de um aplicativo único que ofereça serviços de outros segmentos. Conheça alguns dos candidatos a super app no Brasil:

  • WhatsApp (mensagens)
  • Mercado Pago, Ame, PicPay (carteiras digitais)
  • Uber, 99 (mobilidade)
  • iFood, Rappi (entregas)
  • Mercado Livre, Amazon, Magazine Luiza, B2W (Americanas, Shoptime e Submarino) (e-commerce)

Como dá pra perceber, a lista é longa. E embora alguns destes acabem entrando em áreas distintas do seu foco, como o oferecimento de pagamentos pelo WhatsApp, há uma pluralidade de ofertas que ainda deve perdurar por muito tempo. Além disso, não basta que a empresa declare que oferece um super app, não é questão de nomenclatura: o que define um super app é a oferta de serviços diversos e a alta recorrência de acesso por parte dos usuários.


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Victor Marques é Head de Conteúdo na Captable, maior hub de investimentos em startups do Brasil, que conecta seus mais de 7000 investidores a empreendedores com negócios inovadores. Escreve há mais de dois anos sobre inovação. Formado em Letras e Mestre em Linguística pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

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