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Arthur Mining, de mineração de criptomoedas, capta US$ 2 mi

Aporte deu a ela valuation post-money de US$ 10 mi e o plano é fazer uma nova captação, na faixa de US$ 40 milhões até o fim do ano.

Arthur Mining, de mineração de criptomoedas, capta US$ 2 mi

Bitcoin (foto: Michael Förtsch/Unsplash)

Conteúdo exclusivo Startups

Filho de banqueiros, Ray Nasser caiu no mundo das criptomoedas meio sem querer há uns 6 anos quando amigos o convidaram a investir em uma empresa de mineração de bitcoin.

Ao ver retornos de 4% a 5% por mês, ele decidiu investigar se aquilo era uma pirâmide, ou uma baita oportunidade. A conclusão foi pela segunda hipótese. Desde então ele passou a estudar e investir mais no assunto. Ano passado, ele criou a Arthur Mining, uma mineradora com sede nos EUA e planos audaciosos de crescimento.

A meta é fazer uma abertura de capital até 2023 por meio de um SPAC. “Nosso custo de mineração é a metade do que grandes nomes do mercado têm, com um Ebitda de 80%. Mineração é fluxo de caixa diário, com retorno de renda. Essa fórmula deixa o negócio muito interessante e faz o valuation subir demais”, diz Ray, citando o caso da Marathon Digital Holdings, que já chegou a valer US$ 5 bilhões na Nasdaq, e hoje está perto dos US$ 3,4 bilhões. A estimativa é que o mercado de mineração chegue a um tamanho de US$ 30 bilhões em 2 anos.

A Arthur funciona como um fundo no qual os investidores colocam dinheiro para montar a capacidade de processamento necessária para a mineração dos ativos digitais e são remunerados pelos resultados obtidos. Como a captação de investidores é feita de forma privada, não há necessidade de registro na CVM. Segundo Ray, o percentual de retorno fica na casa de 8% ao ano e é mais seguro que o investimento direto em uma criptomoeda. “Se há alguma volatilidade de preços, o retorno pode cair um pouco, mas sempre será positivo”, diz.

COMO FUNCIONA

A mineração de bitcoins nada mais é do que um processo de solução de equações matemáticas que geram o consenso da rede e aprovam as operações. Pelo trabalho executado, os mineradores recebem moedas como pagamento. Esse processo exige um alto poder de computação é feito por meio de máquinas desenvolvidas especialmente para esse fim. Quanto mais gente minerando, mas difícil se torna o processo de mineração, por isso a atividade exige escala e muita eficiência.

Um outro ponto que Ray considera ser favorável à Arthur Mining nesse processo é a proposta ESG da companhia. Pois é, mineração de bitcoins, que Elon Musk – um dos maiores consumidores do lítio tirado do solo por mineradoras tradicionais do planeta – considera um crime ambiental, sendo feita com menor impacto ao meio ambiente.

Arthur (foto: divulgação)

Isso acontece porque a energia usada pela Arthur vem do gás metano gerado pela atividade de extração de petróleo. A companhia fecha acordos com companhias de óleo & gás para instalar turbinas que usam o gás, que normalmente seria queimado no processo de flaring, para alimentar sua estrutura de mineração. Hoje ela está presente em 4 regiões dos EUA.

A Arthur opera não com centros de dados enormes, mas com uma estrutura de contêineres lotados de máquinas para fazer esse trabalho. As estruturas são montados em Itajaí (SC) e enviadas para os EUA.

PRÓXIMOS PASSOS

Para chegar lá, a companhia acaba de fechar uma rodada de US$ 2 milhões liderada pelas gestoras brasileiras Green Rock e Fuse Capital. O aporte deu a ela um valuation post-money de US$ 10 milhões. Até o fim do ano, o plano é fazer uma nova captação bem maior, na faixa de US$ 40 milhões. “Temos muito interesse, mas tem todo o processo de avaliação do negócio pelos fundos de investimento”, diz Ray.

Se tudo correr como o planejado, no ano que vem uma nova captação, de US$ 80 milhões, deixará a companhia na cara do gol para a criação de seu próprio SPAC, com previsão de levantar mais de US$ 300 milhões. “Se não der certo em 2022, fica para 2023, mas não quero deixar passar de 2023 porque acho que o mundo vai entrar em um ciclo menos otimista com um ciclo de aumento dos juros pelo FED [o Banco Central dos EUA]. E o mercado todo vai sentir”, elocubra Ray, que é economista de formação e gosta de oportunidades para ligar sua bola de cristal.

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