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50 anos de Apple e uma questão em aberto: a empresa ainda tem tempo para vencer a corrida da IA?

A empresa que inventou o smartphone moderno agora paga ao Google para pensar

50 anos de Apple e uma questão em aberto: a empresa ainda tem tempo para vencer a corrida da IA?

50 anos da Apple | Imagem: Gemini

Victor Hugo Bin

, redator(a) da StartSe

9 min

9 abr 2026

Atualizado: 9 abr 2026

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A Apple completa 50 anos de história enquanto enfrenta um paradoxo incomum: a criadora da Siri — o primeiro grande assistente de voz do mercado, lançado em 2011 — fecha um contrato para licenciar inteligência artificial do Google por cerca de US$ 1 bilhão ao ano, segundo reportagem da CNBC. A empresa que moldou a era digital chegou ao seu meio século tendo que terceirizar o que é, hoje, o centro de gravidade da tecnologia.

Por que isso importa: A Apple não perdeu uma batalha tecnológica — perdeu uma batalha de prioridades. Enquanto rivais construíam infraestrutura massiva de IA, a Maçã manteve sua filosofia de privacidade e conteve investimentos em nuvem. O resultado visível: Microsoft, Meta, Amazon e Alphabet devem gastar juntas mais de US$ 650 bilhões em infraestrutura de IA em 2026, enquanto a Apple planeja alocar apenas US$ 14 bilhões, de acordo com dados reportados pela CNBC. A diferença não é só de dinheiro — é de posicionamento estratégico numa corrida que já está decidindo quem vai controlar a camada de IA nos próximos dez anos.

Os números

  • US$ 1 bilhão/ano: valor que a Apple pagará ao Google pelo licenciamento de modelos Gemini para a nova Siri, segundo a CNBC
  • US$ 20 bilhões/ano: o que o Google pagava à Apple por ser o buscador padrão do iPhone — a relação financeira entre as duas empresas se inverteu
  • 2011: ano em que a Siri foi lançada, cinco anos antes da Alexa (Amazon) e do Google Assistant
  • US$ 650 bi+: investimento combinado em capex de IA previsto para 2026 pelas principais big techs rivais
  • US$ 14 bilhões: o que a Apple planeja investir no mesmo período

O contexto que a maioria ignora

A decisão de licenciar o Gemini não é derrota — é aposta.

Internamente, a Apple acredita que grandes modelos de linguagem tendem a se tornar commodities, tornando o desenvolvimento proprietário de LLMs menos estratégico do que parece, de acordo com o MacRumors. A lógica: se o modelo de linguagem vai virar infraestrutura básica, como a computação em nuvem virou, o diferencial estará em outro lugar.

Esse "outro lugar", para a Apple, é o dispositivo. A empresa aposta que a IA vai migrar da nuvem para o chip. Desde 2017, incorpora silício com capacidade de processamento de IA em seus produtos. Agora desenvolve um chip de servidor dedicado, codinome "Baltra", em parceria com a Broadcom, para sua infraestrutura Private Cloud Compute. O analista Ming-Chi Kuo projeta produção em massa ainda em 2026, com novos data centers equipados até 2027.

A tese é simples — e arriscada: quem controla o hardware onde a IA roda, controla a experiência. E ninguém no mercado controla hardware da forma que a Apple controla.

O que dizem os que viram por dentro

Ex-funcionários ouvidos pela CNBC afirmam que a empresa "desperdiçou uma liderança de cinco anos" em IA — um diagnóstico duro para uma empresa que celebra meio século de inovação. A contenção, segundo os relatos, foi consequência direta da filosofia de privacidade: ao evitar a coleta massiva de dados e os grandes investimentos em infraestrutura de nuvem que alimentaram o boom da IA generativa, a Apple ficou para trás justamente no ciclo tecnológico mais acelerado das últimas décadas.

O ex-cofundador Steve Wozniak, o ex-CEO John Sculley e os desenvolvedores originais da Siri sinalizaram publicamente que a Apple pode estar jogando uma partida mais longa, de acordo com a CNBC. A pergunta que o mercado ainda não sabe responder: a empresa tem tempo para isso?

Fique de olho

Três movimentos que merecem atenção nos próximos 18 meses:

1. O chip "Baltra" como divisor de águas. Se a produção em massa do chip de servidor da Apple começar em 2026 conforme projetado por Kuo, o mercado terá uma referência concreta de se a aposta em on-device AI tem sustentação técnica real — ou se é narrativa defensiva.

2. A Siri com Gemini como termômetro de adoção. O lançamento da nova Siri ainda em 2026 será o primeiro grande teste de quanto o consumidor Apple aceita (ou percebe) que a "inteligência" do assistente vem do Google. Se a experiência melhorar visivelmente, a estratégia de licenciamento ganha força. Se não, a pressão interna por desenvolvimento próprio aumenta.

3. A inversão do poder entre Apple e Google. Durante anos, o Google pagou à Apple para existir dentro do iPhone. Agora, a relação se inverteu. Isso muda a dinâmica de negociação entre as duas empresas — e pode ter implicações diretas em regulações antitruste já em curso nos EUA e na Europa, onde o acordo de busca entre as duas está sob investigação.

O sinal real por trás do ruído

A narrativa de "Apple ficou para trás em IA" é verdadeira, mas incompleta. O que está acontecendo é uma bifurcação estratégica do setor: de um lado, empresas que apostam em modelos de linguagem grandes, treinados em dados massivos, rodando na nuvem; do outro, a tese de que o futuro da IA será local, privado e integrado ao hardware. A Apple está apostando fichas na segunda via — e arrastando consigo uma base de mais de 2,2 bilhões de dispositivos ativos no mundo.

Se a aposta der certo, a empresa que "perdeu cinco anos" pode acordar na liderança de um ciclo que seus rivais nem perceberam que estava começando. Se der errado, os 50 anos de história não serão suficientes para compensar a distância acumulada.

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