A Amazon fechou um acordo de US$ 11,57 bilhões para adquirir a Globalstar, empresa de comunicações móveis via satélite conhecida por alimentar o recurso de SOS de emergência do iPhone da Apple.
Crédito: Amazon
, redator(a) da StartSe
6 min
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16 abr 2026
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Atualizado: 16 abr 2026
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A Amazon fechou um acordo de US$ 11,57 bilhões para adquirir a Globalstar, empresa de comunicações móveis via satélite conhecida por alimentar o recurso de SOS de emergência do iPhone da Apple. O movimento é a resposta mais direta e cara que a companhia já deu à Starlink, de Elon Musk — e muda o jogo da conectividade global de uma forma que a maioria das empresas ainda não percebeu.
Por que isso importa: Isso não é uma briga de bilionários por ego espacial. É uma disputa pelo controle da infraestrutura de conectividade do planeta — a próxima camada crítica da internet. Quem dominar as órbitas baixas vai ditar as regras do acesso à rede para bilhões de pessoas e dispositivos nas próximas décadas. E o Brasil, com imenso território rural e lacunas de cobertura, está no centro dessa equação.
A Amazon não chegou nessa briga de mãos vazias. Nos últimos anos, a companhia construiu o Amazon Leo, sua iniciativa de internet via satélite que já enviou os primeiros equipamentos ao espaço. Com a aquisição da Globalstar, o salto é de outra dimensão.
A Globalstar habilita o chamado Direct-to-Device (D2D) — conexão direta de satélite para o celular, sem necessidade de antena em casa ou roteador. O smartphone vira o terminal.
Quem já usa isso sem saber: a Apple. O recurso de SOS de Emergência via satélite do iPhone — aquele que funciona mesmo em áreas sem sinal de operadora — roda sobre a rede da Globalstar. A Amazon quer expandir essa tecnologia para uso cotidiano de internet em escala global.
A conclusão do negócio está prevista para 2027, sujeita à aprovação regulatória.
A Starlink, da SpaceX, não para de crescer:
A Starlink chegou antes, cresceu rápido e criou um fosso difícil de superar só com satélites próprios. A compra da Globalstar é, na prática, um atalho — a Amazon adquire infraestrutura já operacional, espectro licenciado globalmente e, de quebra, uma parceria estratégica consolidada com a Apple.
O mercado de conectividade espacial deve movimentar US$ 1 trilhão até 2040. Não se trata mais de nicho. Estamos falando da próxima infraestrutura crítica global — tão estratégica quanto cabos submarinos ou torres de celular são hoje.
1. Telecomunicações e internet no Brasil vão mudar de forma. Com o D2D chegando via Amazon, operadoras tradicionais — e até provedores regionais de internet — vão enfrentar pressão crescente. Regiões hoje sem cobertura vão ganhar acesso direto pelo céu, disputando clientes com as teles de sempre.
2. Logística, agronegócio e mineração entram no radar imediato. Setores que operam em áreas remotas são os primeiros a se beneficiar — e os primeiros a ter que decidir: esperar a Starlink ampliar sua cobertura ou apostar no Amazon Leo?
3. A Apple saiu na frente, mas o Android vem atrás. Se a Amazon fechar parcerias com fabricantes Android — como Samsung, Motorola ou Xiaomi — o D2D pode virar padrão em celulares de massa muito mais rápido do que o mercado espera.
4. Dados e soberania entram na pauta. Uma infraestrutura de conectividade global operada por empresas americanas levanta questões sobre regulação, privacidade e soberania de dados — especialmente no Brasil, que já tem histórico de embates nessa área.
A Amazon, sob comando do CEO Andy Jassy, não quer só vender internet. A companhia tem toda a razão econômica do mundo para dominar conectividade: cada novo usuário conectado é um potencial cliente de AWS, Prime, Alexa e do ecossistema Amazon inteiro. Internet é a porta de entrada para tudo o que a empresa vende.
A Globalstar não é um fim. É um trampolim.
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