Do corte de 35% dos gerentes no Google à automação de decisões estratégicas, a inteligência artificial mostra que nenhum cargo está blindado. O novo papel da liderança será orquestrar equipes híbridas entre humanos e algoritmos.
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4 min
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29 ago 2025
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Atualizado: 29 ago 2025
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Por muito tempo, executivos e gestores de alto nível acreditaram que a revolução da inteligência artificial impactaria apenas os cargos operacionais, na base da pirâmide organizacional. Afinal, máquinas substituem tarefas repetitivas e de execução - o raciocínio parecia lógico. Mas a demissão de 35% dos gerentes de pequenas equipes no Google, revelada pela CNBC, mostra que esse impacto já escalou para a camada intermediária da gestão. E a lógica é clara: quando se reduzem drasticamente os humanos na base, cai junto a necessidade de quem os supervisiona.
Uma empresa que tinha 100 programadores e 10 gestores passa a precisar de apenas 2 gestores se 80 desses programadores forem substituídos por algoritmos capazes de escrever códigos. É matemática pura, mas também é um sinal de transformação estrutural: a pirâmide hierárquica, tal como foi desenhada no século XX, está sendo erodida de baixo para cima. Quanto mais estreita a base, mais instável fica o topo.
Esse movimento coloca em xeque a sensação de segurança que muitos executivos de alto escalão ainda carregam. Se os gestores intermediários já estão sendo cortados, a pergunta que se impõe é: o que acontece quando a própria camada superior perceber que parte das decisões estratégicas também pode ser apoiada ou substituída por IA? Relatórios financeiros, projeções de mercado, análises de risco e até processos de M&A já estão sendo feitos com apoio intensivo de algoritmos - e essa é apenas a primeira onda.
O alerta é simples e direto: não existe cargo blindado. A inteligência artificial não respeita organogramas tradicionais, ela avança em direção a qualquer atividade que possa ser traduzida em dados, processos ou padrões. Isso significa que os líderes que se mantiverem apenas como “vigilantes” de times estão com os dias contados. O papel do gestor, daqui em diante, será o de orquestrador de equipes híbridas, onde humanos e máquinas coexistem e colaboram.
Essa é a essência do novo modelo de trabalho: liderar não será mais controlar tarefas, mas projetar sistemas de interação entre pessoas e algoritmos, extrair o melhor de cada parte e garantir que a criatividade humana não seja sufocada pela eficiência mecânica. Aqueles que não entenderem essa mudança correm o risco de assistir, de camarote, ao desaparecimento do cargo que achavam intocável.
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Fundador do StartSe, empresa de educação continuada com sede no Brasil e operações no Vale do Silício e na China. Empreendedor há mais de 10 anos, apaixonado por vendas e criação de produtos. Trabalha todos os dias para "provocar novos começos" através do compartilhamento de conhecimento.
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