O Brasil está perdendo a disputa pela infraestrutura da inteligência artificial. Infraestrutura atrasa. Aplicação não espera.
EUA anuncia acordo para usar a energia de Itaipu numa infraestrutura de inteligência artificial.
, Redator
7 min
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27 out 2026
•
Atualizado: 27 out 2026
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Na quarta-feira (21), o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou um acordo para usar a energia de Itaipu numa infraestrutura de inteligência artificial. A usina é dividida meio a meio entre Brasil e Paraguai. O acordo foi fechado entre a americana Crusoe e a paraguaia Araico, e a nota do governo americano não menciona o Brasil uma única vez.
Por que isso importa: o episódio é o retrato mais recente de um ano de sinais de que o país está ficando para trás na base física da IA. Para quem comanda uma empresa, o atraso que mais vai pesar no resultado de 2027 não está em Brasília.
O Brasil tem o que a IA mais consome: energia, e de uma matriz mais limpa que a de mercados como os Estados Unidos. O que falta é segurança para quem investe.
Fernando Palamone, CEO da RT-One, afirmou em outubro que a diferença entre as condições brasileiras e as de outros países chegou a inviabilizar investimentos. Enquanto isso, Chile, Colômbia e Paraguai avançam, e o Paraguai planeja um hub de data centers de grande escala.
O Redata, regime de incentivos para data centers, mostra o ritmo. Ele ficou oito meses na fila do Senado, foi sancionado só em setembro e ainda depende de regulamentação.
Para Márcio Aguiar, diretor da divisão Enterprise da Nvidia na América Latina, países menores da região têm sido mais ágeis. “Estamos perdendo a oportunidade de embarcar nesse trem que está passando”, disse ele à Bloomberg Línea.
Em maio, o colunista Ronaldo Lemos já tinha resumido o quadro no título de uma coluna na Folha: o país estaria tomando uma surra do Paraguai em tecnologia.
Diante da incerteza, grandes empresas brasileiras já compram capacidade de computação fora do país e a acessam remotamente, pela nuvem.
A falta de data centers custa ao país empregos, impostos e talentos. Mas não impede uma empresa de usar IA. E o uso é justamente onde está a maior diferença de resultado.
Segundo a McKinsey (The State of AI 2026), 80% das empresas dizem que a IA deixou as pessoas mais produtivas. Só 37% viram isso no lucro.
Na leitura que a StartSe faz dos casos que acompanha no mercado, essa distância aparece no processo.
Quem só distribuiu ferramentas teve um ganho espalhado, que não chegou ao resultado. Quem colocou agentes dentro de um processo, com métrica, conseguiu mensurar.
Em uma dessas frentes, o Brasil larga na frente: a venda por conversa. O WhatsApp da Lu, do Magalu, passou de R$ 100 milhões em vendas, com conversão três vezes maior que a dos outros canais da empresa, ainda que represente menos de 1% da receita. Itaú e Nubank já fazem Pix dentro da conversa.
A infraestrutura de IA no Brasil depende de regulamentação, crédito e diplomacia. Nada disso está na mão do empresário. O processo da própria empresa está.
Em 2027, quem esperar uma solução de Brasília para começar vai somar dois atrasos.
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