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A confiança na liderança despencou, e o Brasil caiu mais que quase todos

A credibilidade da liderança está sob pressão.

A confiança na liderança despencou, e o Brasil caiu mais que quase todos

Pesquisa da Korn Ferry com 16 mil profissionais mostra a confiança na alta liderança em 53%. No Brasil, a queda passou de 20 pontos em um ano, e isso é assunto para o conselho.

Redação StartSe

, Redator

9 min

•

8 out 2026

•

Atualizado: 8 out 2026

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Em 2024, sete em cada dez profissionais sem cargo executivo diziam confiar na alta liderança das suas empresas. Em 2026, são pouco mais de cinco.

O dado é do Global Workforce Survey 2026, da Korn Ferry, publicado em 30 de setembro. A consultoria ouviu cerca de 16 mil pessoas em 11 países. A confiança na liderança sênior caiu de 68% em 2024 para 65% em 2025 e chegou a 53% neste ano. Recuou em todos os países pesquisados, com exceção do Japão.

O Brasil está entre os casos mais graves. Aqui e na Índia, a queda passou de 20 pontos percentuais de 2025 para 2026.

Por que a confiança na liderança caiu tanto em 2026?

A pesquisa não aponta uma causa única, mas o contexto ajuda a entender. O ano foi marcado por reestruturações, cortes de camadas de gestão e uma corrida pela IA que, para muitos funcionários, chegou antes de qualquer explicação.

Os números mostram o tamanho do desgaste. Segundo a Korn Ferry, 51% dos profissionais sem cargo executivo se dizem exaustos com o ritmo das mudanças. Entre os executivos, são 45%. A sensação de ter voz também encolheu: a parcela de funcionários que acredita que suas ideias são bem-vindas caiu de 70% em 2024 para 54% em 2026.

Quando as mudanças vêm de cima, rápidas e sem diálogo, a confiança é a primeira a cair.

Executivos e funcionários estão vendo empresas diferentes?

Pelos números, sim. A Korn Ferry comparou as respostas de executivos e funcionários sobre os mesmos temas, e a distância é grande:

AfirmaçãoExecutivosFuncionários
Estou adequadamente treinado para usar IA64%40%
Os líderes entendem de IA62%43%
Meu cargo foi redesenhado para trabalhar com IA51%38%
As ideias dos funcionários são bem-vindas62%46% (linha de frente)

Esse descompasso é perigoso porque dá aos executivos uma falsa sensação de controle. A diretoria acredita que a transformação está andando. A base sente que está sendo empurrada sem preparo. Os dois lados descrevem a mesma empresa, mas com experiências muito diferentes.

Qual a relação entre confiança na liderança e adoção de IA?

Uma relação direta, segundo a pesquisa. Funcionários com alta confiança na liderança têm quase três vezes mais chance de ver a IA de forma favorável. Também têm mais de cinco vezes mais chance de acreditar que a empresa consegue se adaptar a mudanças.

A própria Korn Ferry ressalva que se trata de associação, não de causa comprovada. Mas a lógica é intuitiva. Quem confia em quem decide aceita melhor a incerteza da mudança. Quem desconfia enxerga cada ferramenta nova como ameaça ao emprego.

Na prática, a confiança deixou de ser só um indicador de clima. Ela virou condição para que a estratégia de IA funcione.

Por que esse tema precisa chegar ao conselho?

Porque a confiança na liderança afeta o valor da empresa, e o conselho é quem responde por esse valor. Cabe ao board escolher, avaliar e, quando necessário, substituir o CEO. Também cabe a ele acompanhar os riscos que podem comprometer a estratégia. A queda de confiança se encaixa nas duas responsabilidades.

Mesmo assim, poucos conselhos acompanham esse indicador com seriedade. Pesquisas de clima chegam à reunião como anexo, quando chegam. Os números de engajamento ficam com o RH. O conselho só olha para isso quando o problema já aparece em rotatividade, greve ou crise de reputação.

O dado da Korn Ferry é um alerta antecipado. Antes de afetar o resultado, a queda de confiança já trava a execução e reduz a disposição das pessoas de apostar no novo.

O que o conselho deveria perguntar ao CEO?

Perguntas que vão além do "como está o clima". Algumas que um conselho atento pode levar à próxima reunião:

  • Qual é o nível de confiança dos funcionários na liderança, e como ele evoluiu nos últimos dois anos?
  • A diferença entre a percepção dos executivos e a da base está aumentando ou diminuindo?
  • Os funcionários sabem por que a empresa está investindo em IA e como isso afeta o trabalho deles?
  • Quantas mudanças estruturais foram feitas no último ano, e quantas foram explicadas antes de acontecer?

São perguntas desconfortáveis porque podem expor falhas da própria gestão. Esse é justamente o papel do conselho: fazer as perguntas que a diretoria não faz a si mesma.

Confiança se reconstrói com coerência, não com campanha

Nenhum programa de comunicação interna resolve uma queda de 20 pontos. Esse tipo de desgaste vem da distância entre o que a liderança diz e o que a empresa faz. Na pesquisa da BCG AI at Work 2026, só 28% dos profissionais da linha de frente veem coerência entre o discurso dos líderes e a prática da organização.

Reconstruir confiança exige que os líderes expliquem as decisões antes de executá-las, ouçam de verdade e mostrem resultado. Exige também prepará-los para conduzir mudanças sem deixar a equipe exausta.

O conselho tem um papel nisso. Ele pode cobrar indicadores de confiança no mesmo nível dos financeiros, incluir o tema na avaliação do CEO e garantir que a velocidade da transformação não destrua a base que vai executá-la.

Seu conselho sabe quanto a empresa ainda confia em quem a lidera?

Se a resposta for "não temos esse dado" ou "isso é assunto do RH", o conselho está deixando de acompanhar um dos riscos mais relevantes de 2026. A IA só vai gerar retorno em empresas cujas equipes confiam em quem toma as decisões.

Preparar conselheiros para incluir a confiança na pauta, com as perguntas certas, indicadores consistentes e coragem para cobrar a gestão, é parte do que o Board Program da StartSe desenvolve em quem senta à mesa do conselho e quer enxergar os riscos antes que eles cheguem ao balanço.

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