O relatório World Robotics 2026 da IFR mostra a China com 59% dos robôs industriais instalados no mundo, enquanto Europa e Japão recuam. A disputa industrial mudou de escala.
Robô humanoide (foto: reprodução site unitree)
, Redator
9 min
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6 nov 2026
•
Atualizado: 6 nov 2026
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De cada dez robôs industriais instalados no mundo em 2025, seis foram para fábricas chinesas.
O dado é do World Robotics 2026, relatório anual da Federação Internacional de Robótica (IFR) publicado em setembro. A China instalou 354 mil robôs industriais em 2025, alta de 20% sobre o ano anterior, ou 59% de todas as instalações do planeta. Sozinha, superou o resto do mundo somado.
Para comparar: os Estados Unidos, segundo maior mercado, instalaram 38,4 mil. Menos de um nono do volume chinês.
Existem cerca de 5 milhões de robôs industriais em operação no mundo, um recorde, segundo a IFR. O estoque cresceu 9% em 2025 e mais que dobrou em sete anos.
As novas instalações somaram 603 mil unidades no ano, alta de 11%. A projeção da federação é de 655 mil em 2026 e 806 mil em 2029.
“O crescimento mais forte está acontecendo na Ásia, seguida pelas Américas. A Europa está avançando mais devagar”, resumiu Jane Heffner, presidente da IFR.
A Ásia instalou 457 mil robôs em 2025, alta de 14%. As Américas, 57 mil, também com alta de 14%.
Do outro lado do mapa, o movimento é de recuo.
A União Europeia instalou 60,5 mil robôs em 2025, queda de 11%. Na indústria automobilística europeia, tradicionalmente o maior cliente de automação, as instalações caíram 25%. A Alemanha, maior mercado do continente, recuou 8%, para 24,8 mil unidades. Para 2026, a IFR prevê estagnação na Europa, com retomada de 6% ao ano só a partir de 2027.
O Japão, berço de algumas das maiores fabricantes de robôs do mundo, instalou 36,2 mil unidades, queda de 19% e o menor volume em uma década. Com isso, perdeu a segunda posição global para os Estados Unidos.
A Coreia do Sul ficou estável, com cerca de 30 mil instalações. A Índia cresceu 15% e chegou à sexta posição, com 10,5 mil.
Ou seja: enquanto a China acelera, as potências industriais tradicionais estão investindo menos em automação. A diferença de escala, que já era grande, está aumentando.
Os Estados Unidos tiveram um bom ano, segundo a IFR: 38,4 mil instalações, alta de 12% e o terceiro melhor resultado da história do país.
O detalhe interessante está na distribuição. As instalações na indústria automobilística americana caíram 1%. Já no setor de alimentos e bebidas cresceram 30%, para 2,9 mil unidades.
É um sinal de que a automação está saindo do seu reduto clássico e chegando a setores que, até pouco tempo, pareciam pouco atrativos para robôs. Para empresas de bens de consumo, a mensagem é clara: robótica deixou de ser assunto só de montadora.
O volume é só parte da história. A outra parte é quem fabrica.
Segundo a IFR, marcas chinesas venderam 195 mil robôs no mercado doméstico em 2025, alta de 15%. Isso representa 55% do mercado chinês.
Há uma nuance que merece atenção. Em 2024, essa fatia era de 57%. Os fornecedores estrangeiros cresceram mais rápido, 27%, e recuperaram espaço. A demanda chinesa está tão aquecida que absorve tanto a produção local quanto a importada.
Para a liderança de empresas industriais em qualquer país, isso cria duas realidades ao mesmo tempo. A China é o maior cliente das fabricantes globais de robôs. E também está formando uma indústria própria, com escala para competir fora de casa.
Mais robôs por fábrica significam, em geral, custos mais previsíveis, maior precisão e menos dependência de mão de obra em tarefas repetitivas. Quando um país concentra quase 60% das novas instalações do mundo, ele está montando uma base produtiva que outros vão levar anos para alcançar.
A IFR projeta que as instalações na China sigam crescendo entre 5% e 10% ao ano até 2029. Mesmo no cenário mais conservador, o país continuará instalando mais robôs por ano do que a Europa, os Estados Unidos e o Japão juntos.
Para quem compete com produtos manufaturados, seja exportando, seja disputando o mercado interno com importados, essa é uma variável estratégica. O preço e a qualidade do que chega da China nos próximos anos serão definidos, em boa parte, pelas fábricas que estão sendo automatizadas agora.
O relatório não traz dados específicos sobre o Brasil no recorte divulgado. Mas os números globais apontam perguntas que valem para qualquer empresa industrial do país.
A primeira é sobre custo. Se os principais concorrentes globais estão automatizando em ritmo acelerado, a vantagem de custo baseada em mão de obra fica cada vez mais estreita.
A segunda é sobre fornecimento. Com fabricantes chinesas ganhando escala, o mercado de robôs tende a ficar mais competitivo em preço, o que pode tornar a automação acessível a empresas médias que antes não conseguiam justificar o investimento.
A terceira é sobre aprendizado. Entender como a indústria chinesa está integrando robôs, dados e IA nas linhas de produção é um atalho para quem precisa decidir onde investir, em vez de copiar modelos que a Europa e o Japão estão revisando.
Números como os da IFR mostram a direção, mas não mostram como a mudança acontece no chão de fábrica, na relação com fornecedores e na velocidade de decisão das empresas chinesas. Essa parte só se entende vendo de perto.
É o que a Missão China da StartSe oferece a lideranças que querem entender, nas próprias fábricas e empresas chinesas, o que está redefinindo a competitividade industrial global.
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